Livro: Em busca de um final feliz

EM_BUSCA_DE_UM_FINAL_FELIZKatherine Boo
(4/5)
Editora Novo Conceito
2013
287 páginas

Sinopse: Em Busca de um Final Feliz, de Katherine Boo, é um livro brilhantemente escrito. Através de uma forte narrativa, descobrimos como é o dia a dia dos moradores de Annawadi, uma favela à sombra do elegante Aeroporto Internacional de Mumbai, na Índia. A história de seus habitantes nos faz rir e chorar, porque “o que é celebrado neste livro não é o que poderíamos chamar toscamente de ‘o encanto da lama’, mas a riqueza das pessoas que — para o bem e para o mal — compõem um tronco social que está cada vez mais presente no nosso mundo moderno”. (Zeca Camargo, em prefácio a esta edição).
O leitor vai se apaixonar por Sunil Sharma, o menino catador de lixo que quer ficar rico, por Manju, a moça mais bonita da favela, que quer ser professora, e até pela tresloucada Fátima, a Perna Só, que só quer um pouco de atenção.

Opinião: Quando pedi o livro não sabia que se tratava de uma história verídica, quis ler por causa da sinopse excelente e não me arrependi.
A narrativa é no formato de reportagem, a linguagem é bem clara e fácil de ser entendida. É um livro tão bem escrito que diversas vezes eu tive que parar, pensar em outra coisa e depois voltar para a leitura, pois devido à riqueza de detalhes eu me transportava diretamente para a favela com seus cheiros, barulhos e medos.
Além desses detalhes, o livro também traz à tona o maior problema da pobreza: corrupção. E todas as vezes que o assunto aparecia era impossível não fazer um paralelo com o Brasil e pensar se aqui não acontece do mesmo modo.

No ocidente, e entre alguns da elite indiana, esta palavra, “corrupção”, tinha conotações puramente negativas; era vista como uma barreira para as ambições da Índia moderna e global. Mas para os pobres de um país onde a corrupção roubava um número enorme de oportunidades, essa mesma corrupção tornava-se uma das oportunidades genuínas que restavam.
P. 54

Um pouco da cultura indiana também foi bem demonstrada, nada belo como as novelas da globo, mas a simples realidade de milhares de pessoas.

Os transgêneros ou transexuais, os hijras, de Mumbai eram tão temidos quanto atraentes. Eles traziam má sorte por serem ambíguos sexualmente, e acreditava-se que a má sorte era contagiosa. Quando transexuais vinham à porta da sua casa, você tinha que pagar para eles irem embora. Você pagava um pouco mais se quisessem que eles atirassem fezes na frente de seu inimigo. E assim que as fezes fossem atiradas, o mau-olhado permaneceria, mesmo que seu inimigo contratasse um baba para queimar três palitos de incenso num copo de arroz com pó vermelho salpicado por cima.
p. 83

Em Délhi, os políticos e intelectuais reclamavam, confidencialmente, da irracionalidade das massas ignorantes da Índia, mas, quando o próprio governo fornecia respostas falsas para as preocupações mais prementes dos cidadãos, boatos e conspirações tomavam asas. Algumas vezes, as teorias da conspiração tornavam-se um consolo para a perda.
p. 203

Dentre os livros da categoria, foi um dos melhores que eu já li. Vivo uma relação de amor e ódio com livros-reportagem porque todos os que eu li traziam realidades muito tristes e isso me deixa meio tocada por tempo e sempre digo que não quero ler outros do gênero. Por outro lado, eles são tão bem escritos e enriquecedores que eu sempre acabo dando uma chance para eles.

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A arte de festejar #2 – Festa de adultos

Depois de babar e babar e babar de novo em festas de crianças, decidi investir no foco de festas para adulto que fossem tão bacanas e lindas quanto as infantis e descobrir um monte de coisa legal, mas deixo aqui algumas ideias para as próximas comemorações de vocês (ou minhas):
orange-and-pink-sweets
brew-bash-party-ideas-4b
coquetel
IMG_8611a
nena
post20_01
AvoAlice1
Se quiser ver mais detalhes das festas mostradas, é só clicar nas imagens que vai para o local original de onde as imagens foram retiradas.
Muitas dessas coisas dá para fazer em casa com papel de scrapbook, tesoura, cola, fita dupla face, tutoriais e printables disponíveis na internê :D
Alguns sites para baixar:
Bird’s Party (pago)
Sweet Shop Design (pago)
Tuty (pago)
Erin Bradley Design (tem FREEBIES)
Sugar Sticks Parties (vários FREEBIES)
Lilly Bimble (pago)
My grafico (pago, mas tem alguns FREEBIES)
Printabelle (FREE)
Wants & Wishes (pago)
Fazendo a minha festa (tutoriais, printables e temas variados, tudo FREE)

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Livro: Após a tempestade

apos a tempestadeKaren White
(4/5)
Editora Novo Conceito
2013
416 páginas

Sinopse: Quando Julie tinha 12 anos, sua irmã mais nova desapareceu e nunca mais foi encontrada. Uma perda que corroeu os laços familiares e deixou sua mãe obcecada pela busca da irmã. Já adulta e com um prestigiado emprego, Julie conhece Monica, que a faz lembrar muito de sua irmã desaparecida há 17 anos. Elas se tornam melhores amigas, uma amizade que começa como um processo de cura para Julie. No entanto, uma fatalidade abate a amizade e Julie se vê responsável pelo filho de Monica. Ela decide levar o menino para Biloxi, Mississippi, para encontrar a família que ele não conhecera. A partir dessa viagem, Julie descobrirá segredos que estão ligados a sua família e seu passado…

Opinião: Assim que peguei o livro e comecei a ler e vi que a história se passa logo após o Katrina, achei que seria triste, mostrando situações devastadoras, mas não.
O livro fala de acontecimentos tristes, tem muitos dramas, mas nada de nos fazer derramar rios de lágrimas. Há várias histórias de superação e lições muito boas a serem aprendidas com os personagens.
Após a morte da melhor amiga, Julie se torna tutora de seu filho e recebe como herança a chave de uma casa em Biloxi, Mississippi e um quadro. Ela então deixa toda sua vida em Nova York e vai com o garotinho Beau, de 5 anos para lá. Sua surpresa foi que ao chegar no lugar não havia mais nada, apenas escombros e um velho carvalho no terreno. Tudo tinha sido devastado pelo Katrina.
Julie então conhece a família de Monica, Aimee, sua avó e Trey, seu irmão. Juntos eles tentam entender porque Monica saiu de casa e abandonou a família 10 anos atrás, sem nunca mais ter feito contato com eles. Para tentar entender o mistério de Monica, Aimee começa a contar a história de sua vida, que também tem relação com o passado da vida de Julie e a partir daí o livro é narrado pelas duas personagens: Julie e Aimee.

– Eu? Reconstruir? – balancei a cabeça negativamente. – Primeira coisa contra: não sei nada sobre construção ou reconstrução. E, segunda: já esteve lá? Viu como está? São tantos os que não voltaram ou que não reconstruíram, eu entendo completamente. Por que investir tanto tempo e dinheiro se cada temporada de furacões significa uma nova ameaça?
Aimee me fitou fixamente com aquele olhar azul.
– Por que levantar arranha-céus em São Francisco que podem vir abaixo em um terremoto? Por que construir fazendas no Kansas ou em Oklahoma que podem ser varridas por um tornado? – Ela bufou, o que pareceu tão improvável para uma senhora idosa elegante que quase caí na risada. – Para onde queriam que fôssemos, afinal? Eu acho que, se ainda respiramos, temos de continuar. Portanto, nós reconstruímos. Começamos tudo de novo. É exatamente o que fazemos. Imagino que era isso que ela desejava para o Beau: um sentimento de pertencimento, de ter um lugar para o qual voltar, estivesse onde estivesse. Um lugar para ele chamar de lar por senti-lo assim, respirá-lo. Saboreá-lo.
Pág. 63

Cada capítulo é iniciado com uma citação ou provérbio.
Os personagens são bem intensos e passaram por situações intensas e devastadoras, o que nos faz parar para refletir a todo momento. Gostei muito do modo como Julie amadurece ao longo da história e as concessões que ela faz para dar o melhor para Beau.
Os mistérios são revelados em doses homeopáticas, o que nos dá ânimo para ler só mais (e mais um e mais um) capítulo antes de dormir.
O livro não acaba por completo na última página. Há várias indagações e mistérios não resolvidos que ficaram para a continuação, o que eu achei péssimo, pois acreditava que o livro terminaria ali mesmo e fui toda ansiosa para ler até a última página e descobrir que ainda tem uma continuação.
No final do livro tem tem algumas perguntas sobre a história. Várias delas bem reflexivas, mas eu aconselho apenas ler essa parte depois de acabar o livro, pois tem alguns spoilers nas perguntas.
Apesar de ter demorado décadas para terminar a leitura, gostei bastante e super recomendo.

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