Monthly Archives:April 2016

  • Meus preferidos: o melhor de abril

    Parece que abril teve 100 dias porque nunca mais chegava o fim do mês (e ainda faltam alguns dias para maio!)! SOCORRO!
    Vamos tentar fazer um apurado do melhor do mês mais longo de 2016 (até agora).
    MEUSPREFERIDOS

    Músicas


    Um apanhado das músicas que eu mais ouvi em abril, com coisas novas e antigas (porque eu gosto de mesclar).

    Livros

    Resenhei apenas um livro aqui em abril: Todos os nossos ontens. Tenho outras resenhas prontas, mas ainda não foram postadas (sorry, not sorry).

    TODOS_OS_NOSSOS_ONTENSTODOS OS NOSSOS ONTENS
    O que um governo poderia fazer se pudesse viajar no tempo?
    Quem ele poderia destruir antes mesmo que houvesse alguém que se rebelasse?
    Quais alianças poderiam ser quebradas antes mesmo de acontecerem?
    Em um futuro não tão distante, a vida como a conhecemos se foi, juntamente com nossa liberdade. Bombas estão sendo lançadas por agências administradas pelo governo para que a nação perceba quão fraca é. As pessoas não podem viajar, não podem nem mesmo atravessar a rua sem serem questionadas. O que causou isso? Algo que nunca deveria ter sido tratado com irresponsabilidade: o tempo. O tempo não é linear, nem algo que continua a funcionar. Ele tem leis, e se você quebrá-las, ele apagará você; o tempo em que estava continuará a seguir em frente, como se você nunca tivesse existido e tudo vai acontecer de novo, a menos que você interfira e tente mudá-lo…

    Séries

    Este é o momento jabá do dia. Não assisti a muita coisa na TV ou computador, mas fiz maratoninha da web série produzida pelo pessoal da Oficina de Teatro Abel Santana. Não estou no elenco, mas meus amigos estão, então prestigiem :D
    DR

    Prometo que é bem divertida.

    PS: em maio eu comento sobre a volta das minhas duas séries preferidas do momento.

    Fotos

    melhores-abril
    1. Cookie; 2. Pipoca; 3. Primeiro mamão do mamoeiro; 4. Pink Limonade; 5. Algum café gelado do Califórnia Coffee (Caramel Ice Blend ou Califórnia Maltine); 6. Cappuccino nosso de cada sábado na Bee Doces; 7. Pipoca; 8. Coleção de adesivos do Get Glue; 9. Estojo da Riachuelo e agenda de finanças.

    Posts

    Meus posts preferidos do mês foram dois textos que escrevi. Um é fictício e o outro é uma reflexão.

    O cara misterioso
    O que é liberdade?
    Cara Misterioso

    E como foi o mês de vocês? Mais animado que o meu? (como deu para perceber eu não fiz nada além de viver haha)

  • O que é liberdade?

    Desafio Q&A de abril: O que é liberdade?

    Liberdade
    Entre a puberdade e o início da vida adulta percebi que existem vários tipos de liberdade. Apesar de que na maioria das vezes ele se resume em liberdade econômica e liberdade de ir e vir.
    Muitos adolescentes querem ter seu próprio dinheiro e muitos pais fazem os filhos acreditarem que eles serão livres quando tiverem o próprio dinheiro e eu nunca acreditei nisto.
    Eu sempre fui “mão de vaca” e guardava todo troquinho que eu conseguia. Aos 10 anos eu comprei meu primeiro cd player com o dinheiro que ganhava de presente.
    Com 15 anos abri minha primeira conta bancária e tive meu primeiro cartão de crédito. Nunca ganhei mesada, minha mãe me dava o dinheiro da passagem e o do lanche para escola e um pouco mais para emergências. Quando eu saía era mais ou menos a mesma coisa. Se eu ia ao cinema, por exemplo, era o dinheiro do cinema, do lanche, da passagem e o para emergências.
    O que eu conseguia economizar ia para o meu cofre e ficava guardado. A esse dinheiro eu juntava o que eu conseguia fazer por esforço próprio. Gravar CD para as amigas, vender doces, fazer layouts, tricotar… Em 2004 eu consegui juntar o suficiente para viajar e ficar uma semana fora de casa (não fiz a viagem, mas a quantia eu juntei).
    Eu tinha a liberdade econômica que meus amigos não tinham, por outro lado eu não tinha a liberdade de ir e vir.
    Por morar longe e ser filha única minha mãe não me deixava sair muito. Demorei muito para começar a andar sozinha de ônibus. Não fui a nenhuma festa de 15 anos. Minhas amigas que minha mãe conhecia a família e me deixaria ir não fizeram festa e eu não pude ir na dos outros colegas por ser longe e essas coisas.
    Depois que inventaram o celular e eu fiz 18 anos isso melhorou muito. Saía, ligava e estava ok. O auge deste nível de independência foi comprar ingressos e passagens para shows em outros estados e só depois avisar minha mãe que iria.
    Não moro sozinha, mas já quis para poder sair e voltar quando quisesse sem precisar dar satisfação a ninguém ou ter meu canto com minhas coisas sem ninguém mexendo (quem nunca?). Mas fico pensando se eu seria livre mesmo assim. E acho que a resposta seria não.
    Liberdade não é algo pleno. Ninguém é totalmente livre. Podemos ser livres para algumas coisas e para outras não. Acho que sempre teremos algo que controle nossa liberdade.
    E isso não é ruim. Imagine se todo mundo saísse por aí fazendo o que bem dá na telha sem que nada acontecesse em consequência?
    É aquilo de meu direito termina quando começa o do outro. Eu sou livre para ser o que eu quiser, desde que não prejudique ninguém com minha liberdade.
    E liberdade para vocês? O que é?

    desafioQ-A-polypop

    Este post faz parte do Desafio Q&A. Quem quiser fazer o desafio e conhecer as regras é só entrar no grupo do blog no Facebook.

  • O cara misterioso

    Cara Misterioso
    Ele era motoqueiro. Calado e com pinta de bad boy.
    Nunca soube seu nome, mas gostava daquele jeito misterioso. Ele me fazia rir nas poucas vezes que conversamos.
    Ele era gentil, não com todo mundo, mas com quem merecia. Ajudava senhoras a atravessar a rua e carregava suas sacolas da feira. Respeitava idosos e beijava as mãos das mulheres. Parecia ser um cara educado.
    Ele gostava dos animais. Acariciava e conversava com cachorros de rua (achei que só eu fazia este tipo de coisa). Eu ria disso e viajava em pensamentos quando ele falava que os bichos eram criaturas de Deus e que por isso foram salvos do dilúvio.
    Ele tinha um ar sério e ao mesmo tempo sereno quando encostava no muro e apoiava uma pé na parede para fumar. Sempre a perna esquerda dobrada e o cigarro na mão esquerda. Era assim que eu o via a maior parte do tempo.
    Em nossa última conversa ele estava mais sério que o normal e me disse a frase profética “você vai morrer. E, se você for para o inferno, eu estarei lá. Procure por um cara calado, em pé no canto fumando um cigarrinho. Serei eu.”
    Eu achei graça e ri. Ele só reafirmou “eu estarei lá”.
    Não nos falamos mais. Da última vez que o vi ele estava exatamente em um canto do muro, com a perna esquerda dobrada e o cigarro na mão direita. Tragava lentamente, segurava a fumaça por pouco segundos e a soltava devagar. Ele parecia estar longe em pensamentos. Ao lado dele dois homens estavam discutindo. Ele apenas observava de canto de olho, com a expressão serena. O homem mais exaltado foi forçado a se sentar na mesa do bar pelos amigos. Ele estava próximo, mas não disse nenhuma palavra, deu mais uma tragada no cigarro e o ofereceu ao homem.
    Esperei ansiosamente para reencontra-lo no dia seguinte, mas ele não apareceu. Nem no dia após aquele, nem na semana seguinte. Então eu soube: só verei o cara misterioso novamente se eu for uma menina má. Ele estará em um cantinho do inferno fumando um cigarrinho. E conversaremos sobre como os cães merecem o céu.

    Imagem: Free Refe