midiamanipula
Vou usar uma citação para introduzir o assunto deste post, pois é exatamente o que eu penso.

Não raramente, são vistas na mídia críticas pertinentes de que há manipulação nos meios de comunicação, mas é preciso analisar essa questão além do conteúdo. Ninguém faz nada sem sentir prazer, salvo sob coação. Inclusive, televisão e computador não ligam sozinhos, nem jornais “pulam” nas mãos dos leitores e, tampouco, há lei obrigando o sujeito a ouvir rádio. Há sujeito refratário a qualquer crítica de manipulação, exemplo: tente convencer algum jogador de que o jogo de futebol que seu time venceu teve o resultado manipulado. Nunca vai admitir, pois para ele a manipulação é normal; mas se fosse o contrário, seria crime. A manipulação é interesseira e transita de todos os lados. Eleições políticas são manipuladas com o auxílio da mídia, tanto é que os grandes políticos sempre recorrem às concessões públicas de rádio e televisão para se manterem no poder.

Agora vamos analisar os fatos. A mídia, apesar de cumprir o papel fundamental de informar as pessoas, não é boazinha, nem faz caridade. Para cumprir sua função principal ela recebe dinheiro, que não é de doação de boas pessoas querendo levar informação pura e simples para as pessoas.
Nem vou entrar no mérito de que é impossível dar uma informação, sem que isso seja totalmente neutro ou sem nenhum juízo de valor. Isso é conversa para outra hora ou debate em alguma turma de teoria da comunicação.
Os meios de comunicação vivem de anúncios. Sabe aqueles comerciais chatos que sempre entram na melhor parte da novela? Eles que pagam a exibição daquele programa. Quanto maior a audiência do programa, maior é o preço do anúncio (é o chamado horário nobre). A briga por audiência das emissoras então não é por sua causa, caro telespectador, é por causa do anunciante que colocou o dinheirinho dele naquele programa. Então, seguindo a lógica: maior audiência, maior o valor do anúncio, mais dinheiro para a emissora.
Mas o que dá audiência? Sexo, futebol (esportes) e violência. Você pode dizer que detesta esportes, é casto até a alma e odeia tanto a violência que nem mosquito você mata, mas isso não importa, porque tem a maioria das pessoas gosta disso.
O jornal que vende é o que tem a capa chocante de uma tragédia. A revista que vende é a que tem um escândalo sexual na capa e em época de final de Campeonato ou de Copa do Mundo todas as televisões de bares, shoppings e supermercados só sintonizam no futebol. Isso é um fato.
Então se é isso que vende, porque os meios de comunicação vão ficar mostrando apenas protestos pacíficos, contando história de casais felizes ou exibindo uma plantação de café?
Não estou defendo a exibição de programas violentos, nem nada disso, mas é só ver a mídia como uma empresa comum que tudo faz mais sentido.
Se você fosse dono de uma padaria e o pão francês comum vendesse mais que o pão francês integral, você faria mais fornadas do pão comum ou do pão integral?
Com os meios de comunicação acontece exatamente a mesma coisa. Se determinados programas têm uma maior audiência, eles não vão colocar outro tipo de conteúdo na tela. Enquanto a audiência estiver alta, eles manterão o programa no ar. Quando a audiência começar a cair e os anunciantes começarem a retirar o investimento, o programa sai.
E ainda pensando nos anunciantes, acho que é meio óbvio que a mídia não vai exibir reportagens com conteúdo que vão contra os interesses de quem coloca dinheiro na emissora, né?
Você pode continuar achando a mídia vil e manipuladora, mas lembre-se que o controle remoto fica na sua mão.