Qdo eu pensei em fazer faculdade de Direito todos me falavam: “precisa ler mto” e eu nunca achei isso um problema pq eu sempre gostei de ler. Eu amava ler, qualquer coisa, pegava até a lista telefônica e ficava lendo aquelas páginas iniciais com informações qdo não tinha mais nenhum livro em casa p/ ler, mas aí eu entrei na faculdade…
Antes de falar da faculdade, vamos ao Ensino Médio, minha escola tinha uma prova por semana, então eu era obrigada a ler e estudar o mínimo um ou 2 dias na semana p/ fazer a bendita prova e no 3° ano eu li e estudei igual a uma condenada (no 1° semestre, obviamente, pq no 2° semestre eu desisti da federal) e cheguei a ficar na lista dos melhores do 3° ano e pré uma vez, sem querer me gabar. Mas a questão é: eu estava acostumada com essa rotina mais ou menos dura e mesmo que eu nao precisasse me esforçar tanto, era exigido do meu intelecto mais do que é exigido na maioria das escolas comuns.
Aí eu comecei a faculdade e tudo se tornou uma extensão do Ensino Médio: a maioria dos meus colegas eu conhecia de vista da escola e a rotina de estudos era basicamente a mesma, mas de forma piorada.
Digamos que o que eu li durante um ano na escola, eu li em um semestre p/ uma disciplina na faculdade e isso no primeiro período p/ matérias pouco importantes e assuntos que exigiam menos de mim e de qualquer pessoa normal da sala.
E aí a coisa foi só piorando… piorando eu digo p/ pessoas normais, alunos que não colam, que gostam de aprender a matéria e não fazem nenhum tipo de anotação no código ou “trocam informações” sobre a matéria durante a prova. Trapacear é fácil, passar de ano trapaceando é fácil, do jeito normal é duro, cansativo e exatamente da forma como a vida real funciona.
Pois bem, depois de quase 5 anos sobrevivi a mais um semestre na faculdade a base de muito guaraná em pó, promessas a Nossa Senhora de Fátima e muitas horas por dia engolindo livros, cadernos, artigos e qualquer porcaria que alguém falasse que valia a pena ler p/ fazer as provas.
Estudantes: agradeçam por não fazerem Direito na minha faculdade. Eu tive 9 matérias esse semestre, dessas, acredito que pelo menos 7 professores pediam um trabalho ou qualquer coisa p/ entregar por semana e eu não sabia se era pior fazer trabalhos chatos, sem resposta no Google, tendo que ler um texto gigante p/ tentar compreender do que se tratava e em grupo, ou fazer uma prova ininteligível sbre isso. Nos dois casos eu ficava até de madrugada estudando e no dia seguinte eu tinha que acordar as 5 da manhã do mesmo jeito e no fim eu me ferrava.
Na maioria das faculdades por aqui, no último ano de faculdade os professores aliviam um pouco a barra p/ que os alunos consigam terminar suas monografias e estudar p/ OAB, menos na minha faculdade. Lá, todos os professores acreditam que só existe a matéria deles no planeta e vc deve estudar para ela com regime de dedicação exclusiva, fazendo trabalhos gigantescos sobre a crise econômica na China ou Estudos Dirigidos semanais sobre o OGMO e no meio disso tudo provas, provas e mais provas, nas quais a média da turma era abaixo da média. Abaixo da média sim, porque o professor cortava a questão toda se vc não escrevesse exatamente nas palavras que ele queria, mesmo que no fim, o sentido da frase fosse o mesmo. E vamos considerar, como um exemplo meramente ilustrativo, que p/ cada matéria era utilizado um livro e cada livro tinha cerca de 400 páginas e se tinhamos 2 provas por semestre isso dá 200 páginas por matéria p/ cada prova, fora os cadernos e as leis deveriam ser lidos obrigatoriamente.
Difícil? Imagina! São os alunos que reclamam demais e não gostam de estudar. Afinal de contas, no 9° período da faculdade ninguém trabalha, nem estagia e não faz nada a vida a não ser dormir a tarde e assistir Malhação depois. E quem faz alguma coisa de útil da vida, pode muito bem estudar de meia-noite às 6 da manhã. Afinal de contas, o que as pessoas normais fazem nesse horário é bem inútil. Dormir p/ que? Qdo morrermos teremos a eternidade p/ descansar a mente.