Com 15 anos eu consegui tudo, ou quase tudo, que as garotas da minha idade queriam, ou pelo menos as coisas que eu queria.
Eu tinha um Yorkshire Terrier, lindo e fofo de viver, ia estudar na escola que queria, comprei os materiais de escola todos na Patty Shop, minha mochila era da Klipping, tinha amiguxas de ligar pra fofocar a tarde inteira, fazia uns trabalhinhos bestas de modelo, mas que eu gostava mesmo sem ter repercussão nenhuma, era super conhecida num fórum das Spice Girls, estava começando a ganhar independência (sair sozinha) e tudo era perfeito.
Eu ainda era flopada na vida offline, mas não ligava, porque acho que na verdade eu gostava mesmo era de ser nerd (e na escola nova tinham muitos nerds p/ eu competir com… diversão extra, é claro!).
Então para completar minha felicidade de adolescente me apaixonei… e não foi qualquer paixão platônica besta, era de verdade mesmo e o melhor de tudo: foi correspondida!! Pouco tempo depois de me apaixonar e de ficar toda besta para falar com ele começamos a namorar (à distância, mas mesmo assim, era uma correspondência do meu sentimento).
E eu era a pessoa mais feliz da face da Terra naquela época. E falo de Felicidade, com “F” maiúsculo! Eu era tão feliz, mas tão feliz que eu chegava em casa da aula, cansada por ter acordado cedo, ligava o som e ficava pulando em cima da cama. Sabe quando você está tão feliz que sai pulando de felicidade porque não consegue se expressar de outra forma?! Eu era assim. Sim, era, não apenas um estado passageiro de alegria contagiante, mas um estado permanente de felicidade verdadeira.
Eu acordava cantando junto com o som, ficava pulando na cama, descia as escadas dançando Abba Teens e tinha sonhos felizes todas as noites.
Eu achava que eu era feliz na 5ª série porque todo mundo da escola gostava de Spice Girls, mas a 5ª série perto da minha felicidade naquele momento era insignificante.
O auge da minha felicidade foi viajar sozinha para o Beto Carreiro nas férias daquele ano. Se hoje eu pudesse voltar no tempo e falar com a Poly de 14 anos que ia viver aquilo tudo ela não iria acreditar, porque era surreal. Era independência demais para uma pessoa que com 12 anos a mãe levava para a escola.
Pena que tudo isso acabou no meu aniversário de 16 anos…
Eu acordava triste porque a realidade era pior que os sonhos, eu só pulava na cama para mergulhar no travesseiro e chorar e as escadas deixaram de ser uma pista de dança. Então eu estava no fundo do poço e cavava buracos… mas isso é tema de outro post.
O vale lembrar aqui é que toda a felicidade existiu, foi verdadeira e posso dizer hoje com confiança que valeu a pena.
E por ter valido a pena que eu prefiro sentir as “molas” nos pés do que as borboletas na barriga ;D