ADEUS_A_INOCENCIADrusilla Campbell
(5/5)
Editora Novo Conceito
2014
272 páginas

Sinopse: Madora tinha 17 anos quando Willis a “resgatou”. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos… Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?

Opinião: Confesso que não dei muita importância para esse livro. A princípio nem a capa, nem a sinopse me surpreenderam ou me deixaram com vontade de ler. Mas eu estava passando pela estante e ele foi o livro mais próximo que encontrei, então comecei a leitura bem despreocupada.
Levei o livro para a piscina e fiquei lendo e rodopiando pela água, em cima da boia. No início eu estava com medo de molhar ou sujar o livro, mas ele sobreviveu intacto ao nosso passeio (e aos outros também).
No início do livro somos apresentados à jovem Madora, uma garota de 17 anos que tem alguns problemas típicos da idade, mas é traumatizada porque seu pai foi para o meio do deserto e atirou na própria cabeça.
Ela estava tão vulnerável por causa disso que quando conheceu Willis entregou a ele todo seu amor e devoção. Quando ela completou 18 anos, foi morar com Willis e se afastou completamente da mãe e dos amigos (e inclusive de parte da civilização).

Quanto mais conhecia Madora, mais sentia que havia nela solidão e tristeza que correspondiam aos mesmos sentimentos que havia nele e que, quando conseguisse encontrar uma maneira de conforta-la, isso o faria sentir-se melhor também. Ele não sabia como faria isso, mas estava determinado a inventar algo mais cedo ou mais tarde.
P. 149

Após conhecermos Madora, somos apresentados a Django, um garoto muito esperto, que acaba de perder os pais em um acidente de carro. Django é bem inteligente e maduro para a idade, mas é bastante solitário. Seu pai era guitarrista de uma famosa banda de rock. Ele era rico e vivia em Beverly Hills com os pais.
Ele também tem um meio-irmão que é muito rico e mora em Los Gatos, também na Califórnia, mas quando fica órfão é enviado para morar com sua tia, uma mulher que ele nunca teve contato e não sabe como lidar com crianças/adolescentes, em uma minúscula cidade.
Django começa a frequentar a escola, mas não é bem recebido pelos colegas.
Sua tia contrata um cuidador para cuidar da avó de Django e quando eles estavam acertando o negócio, Django conheceu Willis. O garoto já desgostou do homem antes mesmo de vê-lo. Willis tinha deixado seu cachorro preso dentro do carro preto, fechado e no sol quente de 35ºC.
Django achou aquilo crueldade demais e desconfiou de tudo no homem.
Um dia à tarde, ele resolveu pegar sua bicicleta e ir até a casa de Willis ver como estava o cachorro.
No meio do nada ele encontrou uma casinha com um trailer velho nos fundos. Lá viviam Willis, que para sua sorte não estava em casa, Madora e Foo, o adorável pitbull que Madora resgatou.
Django passou a visitar Madora, que também vivia sozinha e isolada e os dois se tornaram amigos.

Para Django, era óbvio que Willis Broock podia saber como ser firme, mas não tinha noção do que era amor.
P. 69

A narrativa do livro é bem tranquila e gostosa de se ler.
Achei o tema bem complexo e gostei muito o modo como a autora abordou a sociopatia. Não ficou um clima pesado ou deixou uma sensação de angústia ao ler. Pelo contrário. A leitura flui muito bem e ao chegar ao final dá vontade de ter mais páginas para ler sobre Madora e Django.
Os personagens são bem complexos e interessantes e várias coisas inesperadas acontecem. Há um certo grau de mistério e suspense nas páginas e isso nos faz avançar na leitura sem nem percebermos.
A capa é bonita, apesar de não ser excepcional. Achei a sombra do garoto na capa muito alta para ser Django, pelo menos pela ideia que eu criei dele. Sempre achei que Madora fosse mais alta que ele. Por isso eu não gostei muito da capa, mas as cores são bonitas e convidativas para um leitura de fim de semana.
O miolo é simples, mas o tamanho da fonte é bom e as páginas amareladas facilitam muito a leitura.