ANTOLOGIA_DE_CONTOSLídia Jorge
(4/5)
Editora LeYa
2014
221 páginas

Sinopse: Mais conhecida como romancista, Lídia Jorge, uma das grandes damas da literatura portuguesa contemporânea, ganha finalmente uma antologia de contos à altura de seu talento e importância. Selecionados por Marlise Vaz Bridi, professora de Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo, os textos são inéditos no Brasil. Os contos de Lídia Jorge se destacam pelos motivos aparentemente simples, ao mesmo tempo em que demonstram a qualidade da construção das narrativas por meio da precisão da linguagem, da escolha do ponto de vista que amplifica ambiguidades e sugestões, pelo fino desenho das personagens e dos ambientes e, sobretudo, pela articulação entre a subjetividade do mundo ficcional com a objetivação do mundo real. Segundo a organizadora, se tais qualidades de Lídia Jorge não são exclusividade de seus contos, sem dúvida eles são uma oportunidade privilegiada para verificar o tremor de água dentro de um cristal que cada uma dessas narrativas podem produzir. Selecionados entre os volumes Marido e outros contos (1997), O belo adormecido (2004) e Praça de Londres (2008), os contos de Lídia Jorge são uma oportunidade de contato com uma nova vertente da obra desta escritora que, através de uma escrita por diversos aspectos tão bem arquitetada, resultará certamente numa visão mais complexa e reveladora da própria humanidade.

Opinião: Acho que eu não leio um livro de contos desde que saí do Ensino Médio e confesso que no início eu achei a leitura um pouco difícil. O problema com livros com contos é que apesar do livro conter um número suficiente de páginas, os personagens aparecem e vão rapidamente.
As histórias são breves e naquelas poucas páginas temos que entender a situação e os personagens. Acho bem complexa a leitura de contos, mas nem por isso menos prazerosa.
Depois de tanto tempo longe dos contos resolvi me aventurar e ler este livro da Lídia Jorge.
Lídia Jorge é uma romancista portuguesa e considerada pela revista francesa Le Magazine Littéraire como uma das grandes vozes da literatura. Confesso que por ser uma autora portuguesa e por causa do renome eu fiquei com medo de ler o livro, mas para minha felicidade, não encontrei nenhuma dificuldade neste sentido.
A escola coloca tantos “traumas” na nossa cabeça que acho que o “preconceito” com grandes autores começa aí. Somos obrigados a ler e a fazer provas de obras clássicas, de livros complexos, de autores antigos, de autores portugueses, etc. E isso acaba nos marcando de modo negativo e criamos um certo “pré-conceito” quando vemos temas e autores que se encaixam nesse modelo, mas podem ficar tranquilos, fora da escola tudo é mais fácil.
A Antologia de contos é composta por 9 contos. Os contos selecionados para esse livro foram: Marido, A prova dos Pássaros, A Instrumentalina, O conto do Nadador, O belo adormecido, As três mulheres sagradas, Praça de Londres, Branca de Neve e Perfume. Todos os contos são sobre situações cotidianas.

Nunca se sabe o que uma viagem pode trazer ao íntimo do coração.
P. 37

A característica mais marcante que eu achei nos contos da Lídia foi a sutileza. Ela trata de diversos assuntos como violência, desejo e paranoia e vai se utilizando de uma linguagem bem singela e/ou colocando algumas figuras de linguagem para revelar a história.
Notei que em dois contos há o uso de preces em latim. Em Marido, a mulher reza a Ave Maria em latim todos os dias enquanto espera o marido voltar do trabalho e há o início desta mesma prece no conto As três mulheres sagradas.
Por meio de colocações como estas podemos perceber e observar como a sociedade portuguesa possui uma forte influência religiosa (principalmente católica).
As narrativas do modo de vestir e o comportamento das personagens também mostram um pouco desta sociedade. Como os contos não são de uma época só, é possível notar como as pessoas se comportavam em tempos diferentes. Eu acho um ótimo exercício de comparação. Ver como as pessoas se comportavam e comparar com o mundo atual.

Antes, a Natureza era muito mais benigna com as mulheres. Não só as fazia mais formosas como lhes atribuía graças escondidas que um homem demorava a entender.
P. 57

De todos os contos do livro, o meu favorito foi O conto do nadador. É um dos mais sensuais do livro e mostra o desejo feminino e o prazer de se sentir desejada em plena década de 1950!
Gostei também de A prova dos pássaros e Praça de Londres. O último pelo sentimento de repulsa que me causou quando eu me coloquei no lugar da personagem observadora e imaginei o que ela imaginou. Gosto quando uma história me faz sentir alguma coisa, mesmo que seja um sentimento negativo. Praça de Londres fez isso comigo.

Haverá, por acaso, maior felicidade do que poder uma pessoa cumprir seus próprios objetivos e ter plena consciência disso?
P.187

Os demais contos também são bons, mas destaquei apenas aqueles que eu gostei mais.
Em relação ao design, gostei da capa azul com os pássaros (alusão ao conto A prova dos pássaros?). Ela chamou muito a minha atenção e foi um diferencial na hora de escolher o livro para ler. Quando tenho vários livros interessantes para ler, seleciono os que lerei primeiro pela capa. Parece injusto, mas eu sou assim.
O miolo é simples do mesmo modo que a capa e cada conto se inicia em uma nova página à direita (eu e meu eterno TOC com capítulos que se inciam na página da direita).
Um coisa que eu não gostei no livro foram as enormes orelhas na capa e contra capa. Algumas vezes elas me atrapalharam na leitura.