CLARO_QUE_TE_AMOTammy Luciano
(4/5)
Editora Novo Conceito
2013
320 páginas

Sinopse: Piera tem certeza: está cometendo a maior loucura da sua vida ao assistir, escondida, ao casamento de seu ex-noivo. Depois de seis anos de relacionamento, entrar de penetra na comemoração foi tudo que André deixou para ela. E olhar a cena não a faz feliz, mas encerra uma fase de sua vida. Hora de recomeçar. Mas como recomeçar se seu coração está cheio de dor? Envolver-se com a história de Piera é como descobrir que sempre há um lado muito bom a ser revelado… Mesmo que tudo pareça tão difícil.

Opinião: De todos os lançamentos de agosto, Claro que te amo! foi o livro que eu mais queria ler. Grande parte da expectativa foi criada pela própria Tammy, que postava toda empolgadíssima sobre o livro nas redes sociais. Impossível não se contagiar com a energia dela e querer ler o livro.
Fiquei impressionada quando peguei o livro em mãos e vi o trabalho perfeito feito pela editora. A capa é bem simples, só com brilho no título e no nome da autora. Nada de alto relevo ou textura diferente. A imagem é simples, mas combinou perfeitamente com a história.
Por dentro, o cuidado foi maior e o miolo é lindíssimo. Há borboletas em todas as páginas da direita e no início dos capítulos e corações na página da esquerda. Além dos números, os capítulos também possuem títulos e subtítulos. As fontes utilizadas para identifica-los ficaram ótimas. Deixou o livro com um clima bem romântico e fofo.
Já tinha lido Garota Replay da Tammy e achei que encontraria algo parecido, mas me surpreendi. Claro que te amo! é completamente diferente, mas maduro, profundo e com bons ensinamentos.
Piera é uma jovem de 19 anos que ainda está de “luto” pelo fim do namoro de 6 anos. Seu ex-noivo, André, apareceu na casa dela há um ano disse que não a amava mais.

– Eu descobri que não amo mais você. De tarde volto aqui.
Acredite. Foi assim que ele terminou nossa história de seis anos. Nada disse antes e nada disse depois. Não voltou no final da tarde como prometeu.
P. 27

Piera depois descobriu que André a traíra com uma ex e depois de um tempo se casou com outra, uma terceira mulher. Piera ainda continuava depressiva e sua situação não melhorou depois que ela decidiu ir ao casamento dele escondida, mas ela precisava fazer isso para colocar um fim no relacionamento deles.
Felizmente, Piera tem as três melhores amigas do mundo: Drê, Denise e Renata que tentam de tudo para fazê-la sair dessa situação.

É claro que minhas amigas não me queriam naquele estado. Iam à minha casa, ligavam e queriam me apresentar a pessoas. A pior solidão é quando você se sente só mesmo rodeado de pessoas. Drê, Denise e Renata continuavam as mais queridas de todas, mas mesmo assim, não as alcançava na alegria. Entre uma risada e outra, uma tristeza gigante me envolvia e me mordia o pescoço como um desses vampiros de literatura fantástica.
P. 37

Só que o mundo não para e a vida continua seguindo e no meio desse turbilhão de sentimentos uma parte do passado de Piera retorna de uma forma que ela nunca imaginou que aconteceria. Sua mãe, que a abandonou com o pai, quando ela tinha um mês de vida, voltou e estava internada em uma clínica de repouso para pessoas com depressão. A mãe que ela nunca conheceu e nem sabia como era, apareceu de repente e precisava dela.
Depois de muito hesitar, Piera foi com seu pai até a clínica. Lá ela conheceu o administrador, o futuro doutor Marcelo, um estudante de medicina, filho do dono da clínica, lindo, de olhos verdes-azuis, simpático, gentil e atencioso. Ele era o bálsamo de que Piera precisava para afastar um pouco os pensamentos tristes.

É realmente impressionante e especial quando alguém faz a gente se sentir menos angustiada. Primeiro, eu tinha gostado do futuro doutor Marcelo pela maneira carinhosa como falou da minha mãe e como recebeu a mim e a meu pai na clínica onde ela estava internada. Depois aquele olhar verde-azul-verde-azul se hospedou na minha memória e senti um antagônico frescor quente. Como tomar um chá no inverno, eu me sentia aquecida por um calor delicioso…
P. 117

A história continua mostrando o desenvolvimento tanto do relacionamento de Piera com a mãe, quanto com Marcelo. Aos poucos vamos descobrindo mais sobre a misteriosa mulher que abandonou o marido e a filha praticamente recém-nascida e passamos a entender mais sobre os sentimentos de Piera.
Já o Marcelo é mais transparente, ele é o mesmo desde a primeira página em que aparece. Não há nenhum mistério ou segredo escondido nele que possa ser revelado no futuro.
Gostei muito do personagem, a segurança e a clareza dela foram fundamentais na história e ele foi extremamente necessário para que Piera se descobrisse.
Apesar do clima tenso e meio depressivo, a narrativa é muito tranquila de se ler. A escrita é toda em primeira pessoa e vemos tudo pelos olhos de Piera, acho que por isso que a leitura flui tão bem. Percebemos os sentimentos de Piera tão de perto que nos sentimos ligadas a ela de certo modo.
E, como Piera trabalha no escritório de arquitetura do pai e também estuda arquitetura, todas as cenas são detalhas pelo olhar de arquiteta da moça. Achei isso muito bacana.
O livro é voltado principalmente para o público jovem, então além dos personagens serem jovens e dos diálogos serem bem naturais, há a presença constante de um clima bem descolado e citação de diversas músicas que fazem a cabeça do público alvo.
Como boa carioca que a Tammy é, claro que a história se passa quase toda no Rio de Janeiro. Há citações de nomes de bairros, ruas e shoppings, mas nada tão detalhado para deslocar uma pessoa de fora do Rio. Não é preciso se esforçar para criar as cenas na nossa cabeça, pois ela poderia se passar tanto no Rio de Janeiro, quanto em Porto Alegre ou Belo Horizonte.
Gostei muito do livro como um todo, mas não consegui capturar toda a maturidade da Piera com seus 19 anos. Vários fatores influenciaram o desenvolvimento dela, mas mesmo assim, o desenvolvimento de Piera é ímpar. Ela tem uns pensamentos e uns ideais que não são tão compatíveis com uma jovem que acabou de sair da adolescência.
E isso não tem nada a ver com o fato dela ter começado a namorar com 12 anos, conheci meninas que começaram a namorar sério nessa idade e que depois se casaram com o namorado quando terminaram a faculdade e nenhuma delas era igual a Piera quando tinham 19 anos. Também conheci moças que saíram de casa ou foram morar sozinhas antes dos 18 anos e assumiram uma responsabilidade enorme, mas ainda assim elas tinham pensamentos coerentes com a idade. Porque apesar da vida forçar um amadurecimento precoce, o cérebro só termina de se desenvolver por volta dos 24 anos. Então é normal ver jovens com menos de 20 anos fazendo coisas de adolescentes uma vez ou outra, coisa que não acontece com a Piera.
Claro que podem existir jovens com tanta desenvoltura e atitude assim, mas para mim, essa da Piera não fez sentido. Alguma coisa na junção de todas as características dela me fizeram tira-la da realidade e deixa-la apenas no mundo da ficção.
Mesmo assim, o livro é fofo, romântico e tem um final lindo, digno de uma novela das nove ou de um conto de fadas.