DEZ_COISAS_QUE_APRENDI_SOBRESarah Butler
(4/5)
2015
Editora Novo Conceito
254 páginas

Daniel e Alice não se conhecem. Ele anda pelas ruas de Londres recolhendo objetos com cores que simbolizam um nome e tem mania de fazer listas de coisas que gostaria de falar para sua filha, que ele nunca conheceu.
Alice está voltando para casa para ver o pai que está morrendo. Apesar de ser londrina ela sente-se mais feliz viajando pelo mundo, longe de Londres, uma cidade que guarda muitas recordações de sua mãe já falecida.
Alice e Daniel parecem ter em comum apenas o hábito de fazer listas, mas há mais coisas que os fazem parecidos.
Apesar de viver distante, ver o pai partir não é fácil para Alice. Além da dor do luto ela ainda precisa aprender a lidar com suas feridas do passado e com o relacionamento conturbado que tem com suas irmãs Tilly e Cee.
Cee é a mais controladora, casada e mãe de três filhos, ela quer sempre dar a palavra final. Tilly se dá melhor com Alice, talvez por se relacionar com um homem casado ela possa entender o comportamento impulsivo de Alice. O pai a achava parecida demais com a mãe e de certo modo isso o incomodava.
Alice possui um espírito livre, prefere o ar-livre e não gosta de ficar presa em um lugar apenas. Me pareceu que esse comportamento de “fugir” do mundo está relacionado com o fim do seu último relacionamento amoroso, mas pode ter sido apenas o estopim para tudo.
Daniel é sem-teto e vive andando pelas ruas de Londres procurando por sua filha. Ele cata recolhe objetos pela rua com cores que equivalem ao nome de sua filha que nunca conheceu. Ele passa por abrigos e conhece outras pessoas como ele e compartilha seus dramas, mas nunca fica no mesmo lugar. Seu espírito também é livre e ele prefere dormir sob o luar.
Apesar de serem bem diferentes, Alice vem de uma família de classe abastada e Daniel não tem nem dinheiro para um café, eles nutrem o mesmo desejo de serem amados e encontrarem um lugar para acalmar o coração.

Este é o único momento e lugar que temos para fazer as mudanças que precisamos fazer em nossa vida.
P. 40

Dez coisas que aprendi sobre o amor é um livro narrado em primeira pessoa, e as histórias são intercaladas, ora temos contato com a vida de Daniel, ora com a de Alice. Cada capítulo começa com uma lista de um dos personagens.
Ao longo da história vamos conhecendo melhor essas duas pessoas, vemos seus sentimentos e desejos mais profundos, assim podemos fazer uma relação maior entre os dois.
Li o livro rapidamente na angústia de saber se eles se encontravam em algum ponto e o que eles guardavam em comum, além dos motivos já citados, mas para minha surpresa, o livro não tem fim.
Minha decepção com o desfecho da história foi enorme, mas analisando melhor o livro percebi que ele é como a vida. Nem sempre há um desfecho para uma história e nem sempre as coisas seguem um enredo certo, com início, meio e fim bem definidos. A vida possui um ritmo próprio, nem toda história tem um fim, muitas vezes cada um segue o seu rumo e deixa a história em aberto.

A primeira impressão é a mais importante, disse meu pai mais de uma vez. É difícil desfazer uma primeira impressão.
P. 103

Não é um livro de autoajuda, mas ensina muitas coisas ao leitor, não apenas dez coisas sobre o amor, mas várias coisas sobre o amor, a vida e os relacionamentos interpessoais.
É preciso entender as sublinhas para compreender melhor o texto. É um desses livros que você ama ou odeia, não há meio-termo.
Achei bem inteligente a narrativa da autora, nunca tinha lido nada dela, mas gostei muito da proposta.
Confesso que eu fico no time dos que odiaram o livro, talvez pelo (não) desfecho frustrante, mas é um bom livro.
Ah sim, não é spoiler contar que o livro não tem fim, há muita coisa acontecendo nessas 286 páginas e só lendo para entender minha indignação. Não é uma história óbvia, então podem ler despreocupados em relação a isso.
Uma coisa que eu gostei muito foi a ideia de fazer listas. Amo listas! Acho que vou levar algumas ideias das listas de Alice e Daniel para a vida, é uma coisa bem divertida a se fazer.

O amor é dourado. Nunca a encontrei, mas que outra palavra há, exceto o amor?
P. 128

Adorei a capa! Ela me seduziu muito para iniciar a leitura. A contracapa e a sinopse pouco dizem sobre a história em si e eu gostei de ser surpreendida.
O miolo é simples, com pequenos detalhes singelos que fizeram a diferença. Gostei muito. A fonte utilizada nas listas de Alice e Daniel são diferentes, o que ajuda na melhor identificação dos personagens.