DIARIO_DA_COZINHEIRACarla Pernambuco
(5/5)
Editora LeYa
2014
224 páginas

Sinopse: Quer você queira ou não, toda viagem é um passeio gastronômico. Você pode evitar todos os museus e se recusar a visitar as atrações turísticas, mas necessariamente vai fazer três refeições por dia fora de casa. Sorte de quem não desperdiça suas viagens entre pizzarias e fast-foods. Porque é na comida que um lugar se revela por inteiro. A chave para entender uma cultura é fazer uma incursão à sua mesa. Em suas viagens, Carla Pernambuco não se limita a experimentar a comida: ela aprende e faz as receitas antes de embarcar de volta para casa. Todos aqueles ingredientes fotogênicos e temperos perfumados que visitamos nos mercados (na esperança de um reencontro mais tarde, no almoço ou no jantar) acabam em sua panela. Se toda viagem é uma viagem gastronômica, então esse “Diário da Cozinheira” é o mais saboroso guia de viagem que você pode encontrar. Prepare-se para dar uma bela volta ao mundo. Boa viagem. E bom apetite!

Opinião: Esse não é um livro de receitas, é um livro completo, com receitas, fotos e histórias por trás dos lugares onde alguns dos quitutes receitados no livros são degustados.
Carla Pernambuco é a dona e Chef do restaurante Carlota, de São Paulo, mas para mim ela sempre será a mãe da Julia.
Conheci a Julia Pernambuco no Flickr, em um grupo de bonequeiros, a gente sempre trocava comentários. Eu sabia que o sobrenome dela era Pernambuco e que a mãe dela a proprietária do Carlota, mas daí ligar o nome à pessoa, demorou um pouco. Mas quando eu comecei a ler e percebi que a Carla Pernambuco era a mesma Carla do Carlota e mãe da Julia eu comecei a gritar com as páginas: “É a mãe da Julia!” Totalmente idiota e meus gatos devem ter rido da minha reação, mas foi exatamente assim que eu iniciei a leitura.

Meu hotel se localizava numa antiga casa de detenção do século XIX, com o prédio do restaurado e adaptado, com todos os confortos e tecnologias. No quarto, um prato de figos frescos dava as boas-vindas. Sentia-me a favorita do sultão.
P. 16-17

O livro tem cara de diário de viagem, só que com o foco na gastronomia. Há um pouco de história dos lugares visitados, contando um pouco como surgiram alguns pratos, ou sobre a cultura do lugar e, claro, relatos pessoais da Carla.
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Outro lugar sensacional é o Instituto de Culinária de Istambul (Istanbul Culinary Institute). O espaço reúne uma escola e um restaurante. Os chefs profissionais (professores) supervisionam a cozinha, comandada pelos estudantes. Combinação perfeita: sabores deliciosos e pratos corretos.
P. 21

Carla “passeia” por Turquia, Inglaterra, Espanha, Normandia, França, Rússia, Holanda, Rio de Janeiro, Argentina, Pelotas, Pernambuco, Porto Alegre, Paraty, Uruguai, Caribe, Peru, Portugal e Nova York.
Não há uma ordem cronológica de fatos, apenas uma narrativa de como eles aconteceram.
O nome dos capítulos, que remetem às cidades citadas também são bem inusitados, Inglaterra, por exemplo é “Chutney de tomates”.

E convenhamos, durante muito tempo a Inglaterra era taxada como um lugar em que “se come mal”. Vamos então celebrar, porque tudo mudou.
P. 30

Nâo testei nenhuma das receitas do livro, mas me pareceram bem fáceis de executar. O Chutney de tomates mesmo, para preparar basta ferver os ingredientes e processar. Simples, fácil e gostoso.
Acho que em breve testarei algumas dessas receitas (e quem sabe não poste aqui as fotos do resultado dessa aventura?).
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Por mais animada e divertida que fosse a nossa turma ali, em alguns momentos batia silêncio, momentos de contemplação.
Lembrei de A Festa de Babette, as pessoas extasiadas pelos sabores.
P. 54

Como estudante de gastronomia e futura gastrônoma eu saí igual uma louca marcando as citações interessantes, mas eu gostei de tantas citações e tantas partes que foi uma tarefa difícil selecionar apenas algumas partes.

Um monte de memórias, coisas agradáveis, outras desagradáveis, que faziam parte desse composto acumulado ao longo de meus animados 50 anos de vida.
P. 60

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O livro é fininho, mas lindo, como todo livro de gastronomia (por que os livros de gastronomia são os mais bonitos?). Cheio de ilustrações e fotos. Um trabalho belíssimo por parte da produção de arte.
Só não há fotos das receitas, senti falta, mas achei que elas não eram essenciais. É um diário de viagens, não apenas um livro de receitas.

O jeito era me virar. Se é uma cozinha, sou a cozinheira-chefe; se é um filme, sou a atriz principal – e vamos à luta, que não serão tolerados erros de nenhum tipo.
P. 71

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A Carla conta as histórias dos lugares por onde passou como se fosse uma conversa em um café (eu ia falar bar, mas eu nunca tive uma conversa divertida dessas em um bar, apenas em cafés). Sabe aquela amiga contando detalhes da última viagem adorável que fez? Me senti assim.

Para mim, toda viagem é trabalho, todo trabalhe é prazer, tudo envolve pesquisa – observar, aprender, fotografar, registrar, provar, analisar e, quem sabe incorporar.
P. 73

Eu acho que minha opinião sobre o livro será um pouco maculada por causa do meu gosto por cozinha, fotografia e viagens, mas o que eu posso fazer se o livro me representou?
Só posso prometer que mesmo se você não for fã de cozinha, nem gostar de livros de receitas, tenho certeza que gostará de ver as fotografias, porque eu não conheço ninguém que não goste de ver fotos interessantes.

A vida dos chefes é bacana, embora exija dedicação intensa: abdicar finais de semana, noitadas, feriados, trabalhar intensamento enquanto os outros se divertem.
P. 156

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