ESCANDALTherese Fowler
(4/5)
Editora Novo Conceito
2013
381 páginas

Sinopse: Amelia Wilkes tem um pai rigoroso que não permite que ela namore, mas isso não a impede de viver um romance secreto com o cativante Anthony Winter. Desesperadamente apaixonados, os dois sonham uma vida juntos e planejam contar tudo sobre seu amor aos pais de Amelia… Mas só depois que ela completar dezoito anos — e for legalmente reconhecida como adulta. No entanto, a paixão do casal é exposta mais cedo do que o previsto… Eles são jovens, andam grudados aos seus celulares e postam todo tipo de informação — inclusive aquelas informações mais particulares, que só deveriam dizer respeito a eles mesmos — até que o pai de Amelia encontra fotos de Anthony, nu, no computador de sua filha. Poucas horas depois, Anthony é preso. Apesar dos protestos de Amelia, seu pai usa de todo o poder e influência entre os policiais, e entre os meios de comunicação, para transformar Anthony em um pervertido que caçava sua inocente filha. De mãos atadas, cabe aos dois apaixonados arriscar uma última saída, ousada e perigosa, e apagar a acusação de sexting que Anthony recebeu.

Opinião: Na capa do livro tem uma pequena observação:

Amor proibido, privacidade devassada e vidas em jogo: um Romeu e Julieta de nossos dias.

Claro que eu comecei a ler pensando nisso e qual a relação que a história teria com Romeu e Julieta e para minha surpresa tem muito mais coisas para comparar do que eu teria imaginado. Mas, por favor, antes de começar a ler, esqueça a história de Shakespeare e não fique procurando semelhanças e/ou diferenças, isso fará você perder o foco na leitura. Vá lendo com calma, sem se preocupar com isso. E, se vocês querem saber, tem sim várias semelhanças.
A história começa com o romance escondido entre Amelia e Anthony. Os dois são um casal de namorados adolescentes normais que têm sonhos de um futuro juntos e uma ambição profissional parecida. Tudo seria muito bom se os pais de Amelia não fossem tão protetores.

Amor à primeira vista. Amelia, aos 16 anos quando acontecera, uma caloura compenetrada do colegial, cuja experiência romântica com garotos era superficial e limitada, não acreditava que isso pudesse acontecer a alguém como ela.
P. 11

Amelia sabia que os pais (principalmente o pai) não aprovariam seu relacionamento com Anthony, nem seus sonhos futuros, então ela e Anthony namoravam escondidos. Em público eles eram apenas amigos, que estudavam juntos e faziam parte do grupo de teatro da escola, mas eles trocavam e-mails, SMS e telefonemas como qualquer outro casal de namorados.
Eles já tinham combinado de estudarem teatro na NYU e de morarem juntos quando saíssem da escola. Amelia completaria 18 anos em 7 meses e poderia sair de casa e fazer o que quisesse legalmente. Mas como todo casal de namorados eles tinham curiosidade (e vontade) em relação ao sexo e iniciaram a vida sexual antes que Amelia atingisse a maioridade.
O erro não foi eles terem transado, mas sim eles terem trocado fotos mais ousadas.
Um dia Amelia esqueceu seu computador em casa e justamente nesse dia, seu pai resolveu bisbilhotar as coisas da filha. O computador tinha senha, mas o pai testou algumas até encontrar a correta e entrar nos arquivos e e-mails de Amelia.
No meio dos e-mails ele encontrou um com fotos de Anthony nu.
Ele, acreditando que a filha era uma menina ingênua e casta, chamou a polícia e denunciou Anthony.
Então começa a triste sina do casal.

A expressão “filhinha do papai” inspirava-se em filhas como Amelia, que não tinham como saber que, pelo simples fato de crescer, eram obrigadas a partir o coração do pai. Se Amelia soubesse que um homem forte poderia ser frágil também, então teria tomado mais cuidado em protegê-lo.
P. 21

Anthony chega a ser preso e começa a responder a um processo criminal. O pai contrata um advogado e vai fundo na denúncia para manter imaculada a imagem de sua filha.
Mas como tudo o que vai volta, o promotor que estava cuidando do caso é um homem muito recatado, que leva a lei ao pé da letra e resolver investigar bem a fundo a história e descobre fotos de Amelia (também nua) nos equipamentos eletrônicos de Anthony. Dessa vez quem começa a responder a um processo criminal é a jovem e todos os movimentos que o pai faz para salvar a filhinha da desonra acaba piorando a situação.

– A verdade é que eu lhe pedi que as enviasse. Foi tudo culpa minha. Foi ideia minha. Ele não fez nada.
Os policiais olharam um para o outro como a dizer: Isso muda as coisas.
– Ela não quer dizer isso – disse o pai. – Ele a ameaçou, a intimidou. Alguma coisa. Eu conheço minha filha. Ela não faria isso, e ela não mentiria sobre fazer isso a menos que ele conseguisse intimidá-la.
P. 76

O pai da Amelia é um personagem tão marcante que eu senti ódio dele por praticamente todas as 381 páginas. Não digo em todas porque no final ele se redime, mesmo assim, foi uma das poucas vezes que eu senti ódio de um personagem. Geralmente eu não gosto e consigo engolir, mas com o Sr. Wilker foi impossível gostar. Eu tinha vontade de entrar nos livros e dar uns bons tabefes na cara dele para ver se o cara entendia o que ele estava fazendo.
Achei a história bem envolvente e o tema bem atual. Há aquele desespero em ler “só mais um capítulo” para saber se tudo acabará bem ou se o pai de Amelia em algum momento vai desistir das acusações. Sei que muitos casais tem esse costume de trocar mensagens e textos mais ousados e o livro mostra o que pode acontecer quando pessoas não autorizadas têm acesso ao conteúdo.
Claro que no Brasil a legislação é outra e dificilmente eles seriam presos, mas só ter a intimidade violada desse jeito é algo a se pensar (e muito) antes de sair registrando momentos de privacidade do casal.
O livro é dividido em atos, como se fosse uma peça de teatro e os capítulos não são muito longos (já disse que eu amo capítulos mais curtos?) e eles também começam na página da direita (já disse que eu amo capítulos que se inciam na página da direita?). O miolo é simples, mas eu gostei. Demarcando os capítulos há pequenas folhas em tons de cinza. Achei a fonte meio pequena, se for comparar com outros livros da editora, mas nada que prejudique a leitura.
Achei a capa com cara de romance de banca, nada contra, mas ela não me atraiu muito. O título é em alto relevo e tem brilho. Não gostei muito dela, se eu fosse julgar o livro pela capa, talvez eu nem chegaria a ler, pelo menos a sinopse e a história são bem envolventes.
O título em inglês é Exposure, o que eu achei que tem bem mais a ver com a história do que o título em português. Achei que a tradução do título levou o foco da história para Amelia e sua família, enquanto que a em inglês coloca o casal como vítima da exposição. Pelo menos foi o que eu achei ao ler. Sempre que tinha uma parte envolvendo o “escândalo” que mancharia a imagem da família Wilkers eu pensava que esse era o motivo do título. Enquanto que com o título original eu fazia essa relação em qualquer parte que colocava Anthony ou Amelia como vítimas do pai de Amelia.
Se eu fui meio confusa, por favor, leiam e tirem suas próprias conclusões e me falem o que acharam.