A_GAROTA_SEM_PASSADOMichael Kardos
(5/5)
Editora Arqueiro
2016
304 páginas

Arthur Goodale é um jornalista aposentado. Ele tem um blog que mantém atualizado para seus poucos leitores. Sua última postagem é sobre o caso Ramsey Miller (sua Moby Dick, como ele gosta de chamar).
Em 22 de setembro de 1991 Ramsey Miller deu uma festa em sua casa e convidou toda a vizinhança. Nesta mesma noite ele matou a esposa e a filha de 3 anos e desapareceu no mundo. Todos em Silver Bay conhecem esta história, isso que foi investigado pela polícia e foi isso o que saiu nos jornais, mas a verdade não foi bem assim.
A filha de Ramsey Miller conseguiu escapar e está viva, morando com os tios e escondida em uma cidade remota. Hoje ela usa o nome falso de Melanie Denison e faz de tudo para passar despercebida. Mesmo após 15 anos do fato ela continua vivendo como se o perigo sempre estivesse por perto. Ela nunca viajou, foi a uma festa, tirou uma foto ou teve internet em casa. Seus tios têm medo de que Ramsey Miller possa encontra-los.
Mas mesmo com tantas restrições, Melanie se envolve com Phillip, um jovem professor da escola local, e fica grávida dele. Com a notícia da gravidez ela decide de que não é mais o momento de viver escondida e vai atrás de seu pai. Ela volta a Silver Bay e começa a investigar sobre o paradeiro de seu pai.

– Certas pessoas simplesmente não prestam, e você não pode deixar que elas atrapalhem a sua vida.
P. 114

Adoro livros assim e quando li a sinopse de A garota sem passado soube de cara de que gostaria da leitura. Não consegui me concentrar tanto na leitura durante os primeiros capítulos, mas quando peguei o ritmo não consegui mais largar a leitura. Um livro muito viciante.
Apesar da sinopse ser de um thriller, acredito que a questão principal no livro não é a tensão e o suspense, mas sim o drama. Tanto a história de Melanie Denison (née Meg Miller) quanto de seu pai é muito triste e intensa e quanto mais conhecemos os personagens e seus medos mais compaixão e vontade de terminar a leitura temos.

– Estou dizendo que ele insistiu em caminhar sozinho, e ninguém é capaz de fazer isso. È muito fácil chamar o cara de monstro, de maluco. Mas ele não era nem uma coisa nem outra.
P. 179

O livro é dividido em três partes e em cada uma delas vamos nos aprofundando mais na história. Além desta divisão, há uma mescla com os acontecimentos de 1991 com os atuais (2006). Há uma mescla de perspectiva também, conforme a história vai evoluindo e novos personagens começam a fazer parte do 22 de setembro de 1991.
Achei que o autor poderia ter desenvolvido melhor algumas partes. Ficou um pouco vazia a justificativa para os atos do pai, dentro do contexto da história até podemos tentar compreender, mas acho que faltou mais coisas.
Este foi um dos poucos livros de suspense que eu consegui descobrir o mistério. Prefiro quando eu não descubro e me surpreendo no final, mas é bom ter o gostinho de “ahhh sabia! Não disse?”.
Gostei muito da capa. Uma das mais bonitas do ano, até agora. Gostei da combinação de cores da imagem e da fonte utilizada.
O miolo é simples, mas a fonte é legível e de um tamanho bom para a leitura, assim como as páginas amareladas.
Gostei da leitura e recomendo para quem gosta de suspense sem violência.