A_LIVRARIA_24H_DE_MR_PENUMBRARobin Sloan
(5/5)
Editora Novo Conceito
2013
288 páginas

Sinopse: A recessão econômica obriga Clay Jannon, um web-designer desempregado, a aceitar trabalho em uma livraria 24 horas. A livraria do Mr. Penumbra — um homenzinho estranho com cara de gnomo. Tão singular quanto seu proprietário é a livraria onde só um pequeno grupo de clientes aparece. E sempre que aparece é para se enfurnar, junto do proprietário, nos cantos mais obscuros da loja, e apreciar um misterioso conjunto de livros a que Clay Jannon foi proibido de ler. Mas Jannon é curioso…

Opinião: O que falar de um livro que eu simplesmente a-m-e-i?! Achei a capa pouco convidativa para leitura. Não é um desses livros que fica gritando na estante “ME LEIA!”, mas apesar disso, a capa tem tudo a ver com a história, já que a narrativa se passa em uma pequena livraria de São Francisco.

Penumbra vende livros usados e todos estão num estado de conservação tão excelente que se passariam por novos Ele os compra durante o dia (só compra quem tem nome na vitrine) e deve ser um cliente difícil. Não parece dar muita atenção às listas de best-sellers. Seu acervo é eclético. Não há indício de padrão ou objetivo além de, imagino, seu próprio gosto pessoal. Então, não há adolescentes feiticeiros nem vampiros policiais aqui. É uma pena, pois é exatamente o tipo de loja que dá vontade de comprar um livro sobre um mago adolescente. É o tipo de loja que faz você querer ser um mago adolescente.
P. 19

Tudo começa quando Clay, um jovem desempregado, se depara com o anúncio de emprego na porta da pequena livraria do Mr. Penumbra, resolve entrar para verificar a vaga e então se torna o atendente do turno da noite.
A livraria não recebe muitas pessoas, geralmente os clientes são os mesmos e nenhum deles é um adolescente vestido de bruxo procurando o último lançamento da semana. Esses clientes antigos e fiéis vão à livraria em busca dos livros do arquivo Pré-Histórico, que é como são chamados os livros mais antigos que não estão no catálogo digitalizado.
Com o passar do tempo, Clay percebe um certo padrão na aquisição dos clientes e resolve consultar o livro de registros e descobre uma verdadeira irmandade por trás dos livros antigos.
Assim que li a sinopse achei que a história era toda sobre livros e papeis, mas tive uma enorme surpresa quando comecei a ler e me deparei com uma narrativa cheia de computadores, Google e arquivos digitais.
Clay conhece Kat Potente, uma jovem trabalhadora do Google e, para impressioná-la resolve buscar sua ajuda para escanear um antigo livro de registros e desvendar o mistério a respeito da loja. Clay não sabia o que estava fazendo, nem o que significava o que ele encontrou com a ajuda dos computadores do Google, mas assim que o Mr. Penumbra viu seu feito no computador, ficou tão impressionado que “sumiu” para dar início à segunda parte da história.

– Acho que amo os livros porque eles são silenciosos e eu posso levá-los ao parque. – Ela aperta os olhos. – Ele ficou me observando sem dizer uma palavra. Então eu falei: “Bem, na realidade eu adoro livros porque eles são os meus melhores amigos”. E ele sorriu. Ele tem um sorriso lindo. Aí ele foi, pegou aquela escada e subiu mais alto do que eu já o havia visto subir.
P. 110

O livro é cheio de mistério e suspense. A linguagem é bem clara e a narrativa é escrita em um tom bem divertido. Li em apenas “duas sentadas”, mas teria lido mais rápido se eu não tivesse fora de casa quando iniciei a leitura. O autor mistura muito bem duas coisas que eu gosto muito: livros e computadores. Ficou interessante falar de livros antigos, com mais de 500 anos e computadores de última geração. É uma mistura que eu nunca pensei que pudesse dar certo, mas deu – e muito!

Hoje em dia o telefone só traz más notícias. É só “a parcela deste mês do seu empréstimo para financiar sua universidade já venceu” e “seu tio Chris está no hospital”. Se é alguma coisa divertida ou excitante, como um convite para uma festa ou um projeto secreto em andamento, isso vem pela internet.
P. 218

Nunca poderia imaginar que uma pequena livraria e leitores com características peculiares pudessem esconder tanto mistério, inclusive uma sociedade secreta e um universo diferente de tudo que eu poderia imaginar.
Eu só não entendi direito o mistério que Clay desvendou, na verdade, eu não entendi como ele chegou àquelas conclusões, o caminho foi confuso e não foi possível eu ir descobrindo o mistério juntamente com ele. Achei que ficou faltando alguma coisa no meio para ligar todos os pontos, mas mesmo assim gostei muito da leitura.
Consegui ser teletransportada para todos os lugares descritos, sentia os cheiros, ouvia os sons, entendi as pessoas… e eu gosto muito quando um livro consegue me transmitir todas essas sensações.

Está por toda parte, à nossa volta. Vemos Gerritszoon todos os dias. Esteve aqui todo esse tempo, nos olhando na cara por 500 anos. Tudo isso, os romances, jornais, documentos novos, todos formam uma onda de portadores de sua mensagem secreta, oculta no colofão.
P. 276

Em relação ao design, já dei minha opinião sobre a capa, então esse é um exemplo de que nem sempre a capa é tudo num livro. Mesmo não sendo muito chamativa, colorida e convidativa, ela retrata bem a história. Pena que o conteúdo é muito maior que isso e eu gostaria que a vontade de ler começasse já pela capa.
O miolo é simples. O livro é muito bem organizado. Os capítulos não têm números, mas nomes. A história é dividida em quatro partes: A Livraria, A Biblioteca, A Torre e Epílogo, que constam no sumário.
Cada parte é separada com uma folha constando apenas o título.
Os capítulos se iniciam em uma nova página, mas nem sempre na página da direita. Prefiro quando os capítulos se iniciam na página da direita, mas ficou muito bem organizado dessa forma.
Há algumas notas de rodapé explicando alguns termos em inglês que não foram traduzidos, como Unbroken Spine ou o nome de uma marca de cerveja californiana.
Nâo encontrei nenhum erro de digitação ou tradução. Mas acho que talvez o título mais apropriado em português poderia ser “A livraria 24 horas do SENHOR Penumbra”. Achei “Mr.” (Mister) Penumbra americano demais, mas como a história se passa nos EUA, então tudo bem.
É um livro bem diferente do que estamos acostumados a ler e vale muito à pena incluí-lo na sua listinha de leitura. Já entrou na minha lista de favoritos do ano.