MUNDO_SEM_FIMKen Follett
(5/5)
Editora Arqueiro
2015
1.136 páginas

Mundo sem fim conta a história da cidade de Kingsbridge, a segunda maior cidade da Inglaterra no século XIV. Neste local próspero quatro crianças entre 8 e 11 anos presenciam a morte de dois homens. Caris, Gwenda, Ralph e Merthin crescem com esse segredo e passam por diversas situações durante a vida.
Gwenda vem de uma família humilde e por diversas vezes se viu obrigada pelo seu pai a praticar delitos para sustentar a família. O pai gostava do “trabalho” dela por causa de sua esperteza. Seu irmão, Philemon, era quem praticava os atos, mas depois que cresceu a tarefa passou para Gwenda. Ele apesar de inescrupuloso aspira se tornar monge.
Caris é filha do regedor da guilda da cidade e uma moça muito inteligente e quando fica mais velha trabalha como ajudante do pai.
Ralph e Merthin são irmãos. Ralph é metido à valentão e bastante cruel. Merthin é o oposto do irmão, sensível, aprendiz de carpinteiro e apaixonado por Caris.
O livro mostra a vida desses quatro personagens principais ao longo da vida. Vemos eles crescendo, se tornando
adultos e vivendo todas as fases da vida na Inglaterra medieval.

– A humanidade é falível, por isso não devemos confiar em nosso próprio raciocínio. Não podemos esperar compreender o mundo. Tudo o que podemos fazer é nos espantar com a criação de Deus. O verdadeiro conhecimento só vem por meio da revelação. Não devemos questionar a sabedoria recebida.
P. 112

Todo mundo fala muito bem do autor Ken Follett e eu morria de curiosidade em conhecer a narrativa do autor. Decidi solicitar esta obra para resenhar depois de descobrir que eu não precisaria ler Pilares da Terra antes de Mundo Sem Fim.
Amei! Apesar do livro ter mais de 1000 páginas a leitura é tranquila. O livro em formato de box, dividido em dois volumes para facilitar na hora de ler e carregar por aí. A ideia é ótima, já deixei de ler vários livros com mais de 600 páginas por causa da dificuldade em levar o livro para cima e para baixo.
A narrativa é em terceira pessoa, mas Ken Follett nos insere completamente na história. Conhecemos tão bem os personagens que em alguns momentos achava que estava lendo uma obra em primeira pessoa.
O livro mostra muitas situações históricas que ocorreram na Idade Média, como a Guerra dos 100 anos, o sistema feudal, a influência da Igreja na sociedade, a Peste Negra, os métodos precários de exercer a medicina e a arquitetura.
Temos contato com tudo isso ao mesmo tempo que vemos a evolução dos personagens.

E as histórias antigas estão certas: quando você faz um pacto com o demônio, acaba pagando mais do que pensava.
P. 239

Caris se torna uma moça independente e determinada e apesar de amar Merthin não tem certeza se quer passar o resto da vida ao lado como esposa.
Merthin possui ideias inovadoras que podem melhorar a estrutura das construções e busca apoio de seu mestre, mas ele, assim como a maior parte das pessoas, possui a mente fechada para mudança. Merthin ama Caris e está disposto a passar por tudo e esperar o que for preciso para ficar com ela.
Gwenda ama Wulfric, um filho de camponeses com terras. Mas Wulfric é apaixonado e quer se casar com Annet. O amor de Gwenda por Wulfric consegue ultrapassar adversidades e ela usa de toda sua esperteza para ajuda-lo e também para ter uma melhor do que teve na infância.
Ralph se torna um cavaleiro e sua personalidade com resquícios de crueldade se fortalece cada vez mais.
Em grande parte dos capítulos os quatro personagens não se envolvem. Cada um possui seus problemas e cuida da sua vida. Os encontros entre eles são bem ocasionais, com exceção de Caris e Merthin que vivem um romance.
Há uma presença muito forte da política e da religião. O livro acaba se tornando uma crítica ao fanatismo religioso.
Diversos fatos reais da história medieval foram tratados no livro e a leitura se tornou uma verdadeira aula de história (mas de um ponto de vista muito mais interessante dos que os dos livros didáticos). Fiquei impressionada com a parte do esfolamento em vida. Os detalhes foram tão precisos que eu quase passei mal.
Minha leitura foi acompanhada de uma trilha sonora medieval (obrigada Spotify) e isso me inseriu ainda mais na história (serve de dica para quem quiser se aventurar nesta leitura).
Apesar de eu ter reclamado diversas vezes do livro não ter fim (quanto mais eu lia, mais página aparecia) eu gostei muito dele. Há romance, aventura, ação, violência, sexo, pedofilia, morte… Eu só queria chegar logo no ponto final e saber o que acontecia com todos os personagens (minha curiosidade não tem limites).
Achei o fim bem parecido com uma novela. Sabe o último capítulo das novelas quando todas as contas são acertadas? Acontece mais ou menos assim. Li poucos livros com este tipo de desfecho e gostei de sair da rotina.