Ursula K. Le Guin
(4/5)
Editora Arqueiro
2016
176 páginas

O menino Ged se tornará o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos e será conhecido como Gavião. Em O Feiticeiro de Terramar começamos a acompanhar a transformação deste menino em uma lenda.
Na primeira parte da história conhecemos Ged, que fica órfão de mãe e ainda bem jovem descobre que possui poderes. Ele foi enviado para uma escola de magos para aprender a controlar seus impulsos e poderes e assim se tornar um grande mago, mas Ged é impaciente.
Ele é bom, ele sabe que é bom, mas não tem controle sobre seus poderes e não tem paciência para aprender. Ele acha que pode simplesmente confiar em seus instintos e ser o maior dos magos, sem precisar de treinamento.
Em Terramar, os magos são importantes, eles são profissionais reconhecidos e são contratados para proteger a população. A concepção de mago no livro é diferente da que vemos em outras histórias e eu adorei isso.
Assim que chega na escola, Ged encontra um rival (Jaspe) que o desafia. É uma rivalidade adolescente meio besta que se dá sem motivo. Ged é desafiado a libertar um grande mal e ele faz isso. Só que em Terramar só se tem controle das coisas que conhecemos o nome. E ninguém sabe o nome do monstro que Ged libertou.

Ele explicou como, se você realmente quiser transformar uma coisa em outra, ela deve ser renomeada pelo tempo que o feitiço durar, e explicou como isso afeta o nome e a natureza das coisas que cercam a que foi transformada.
P. 58

Na segunda parte vemos Ged lidando com as consequências de seus atos e aprendendo a conviver com elas. Além da aventura e caça ao monstro o que vemos nesta parte da história é o crescimento pessoal do personagem, é ele lidando com seus sentimentos e seus medos.
À primeira vista pode parecer um livro YA comum, com uma história até meio boba, mas percebemos que a narrativa é muito mais profunda.
Apesar de ser um livro fino (apenas 175 páginas) e a narrativa da Ursula ser bem objetiva não é um livro para ser lido em uma tarde.
Algumas passagens merecem ser lidas, relidas e pensadas antes de se passar para o próximo ponto. A aventura interna e o autoconhecimento do personagem é a questão principal. Ele lidando e controlando os monstros internos é mais importante do que a aventura dele percorrendo as ilhas atrás do monstro.

[…]Pense nisto: toda palavra, todo ato de nossa arte, é falada e é feita para o bem ou para o mal. Antes de você falar ou fazer, tem que saber o preço a pagar!
P. 31

Confesso que eu me decepcionei um pouco com o livro. Não esperava que ele fosse tão fininho e que poucas páginas me prendessem por tanto tempo. Achei que seria uma leitura mais rápida, mas eu li arrastando muito. Foi difícil conseguir terminar a leitura.
Talvez por ser um livro mais voltado para questões internas eu não esteja em um clima bom. Acho que estou preferindo livros que eu não tenha que refletir muito a respeito da história.
Não é um livro ruim ou uma leitura desagradável, só não era o livro certo para mim neste momento.