OS_ADORAVEISSarra Manning
(4/5)
Editora Novo Conceito
2013
384 páginas

Sinopse: Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida — na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria “Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award. Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai, o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” — Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar desde que ¬ ficaram pela primeira vez.

Opinião: Fiquei toda ansiosa para ler esse livro só porque a protagonista era blogueira e, bem, essa é minha vida desde os meus 15 anos. Então estava muito curiosa para saber como isso tudo seria abordado.
Jeane é uma blogueira inglesa de 17 anos e apesar de ser muito popular na internet, fora dela, na escola, ela é bem solitária.

Meus dedos voavam sobre as teclas, enquanto escrevia meu primeiro tuíte da noite. Então o enviei e, em dez segundos, alguém o respondeu.
E, desse modo, não estava mais sozinha.
P. 32

Estava vendo uma entrevista na Globo News esses dias falando sobre adolescentes que são solitários na vida real, mas que compensam isso na vida virtual, porque os seres humanos precisam se interagir e acho que isso se enquadra perfeitamente no perfil de Jeane e de vários adolescentes. E fiquei até feliz ao ver um profissional defendendo a interação virtual, porque geralmente psiquiatras e psicólogos criticam bastante esse comportamento.
Mas voltando à Jeane… ela tem esse estilo todo descolado. Só usa roupas de brechó (e bem coloridas), ela tem o cabelo cinza (no início do livro, mas depois o pinta para a cor de pêssego!) e não se importa com a opinião dos outros sobre sua personalidade.

Jeane Smith veio em minha direção com outra roupa de fazer os olhos doerem, vestindo coisas que não combinavam e meia-calça alaranjada. Por que alguém pensaria que é uma boa ideia criar e vender meias alaranjadas, e por que Jeane achou que seria uma boa ideia compra-las?
P. 83

Ela mora sozinha. Seus pais se divorciaram e após o divórcio a mãe foi cuidar de crianças no Peru, o pai vou cuidar de um bar na Espanha e ela ficou morando com a irmã mais velha. Mas a irmã mais velha ganhou uma bolsa de estudos de pediatria nos Estados Unidos e agora Jeane mora sozinha em um apartamento.
Ela tem dois vizinhos gays, que ela chama de “pais gays”. Eles aparecem na casa dela uma vez por semana e a obrigam limpar a casa e fazem comida de verdade, com legumes, para ela. No resto da semana, ela sobrevive a base de balas, café e junkie food.
A história começa quando Michael Lee desconfia que sua namorada Scarlett o está traindo com Barney, namorado de Jeane. Eles começam a conversar e a princípio não se suportam e discutem o tempo todo. Jeane termina com Barney e conversa com Scarlett e a convence de terminar com Michael e finalmente ser feliz com Barney. E a menina assim o faz.
Mas o que aproxima Michael e Jeane de vez foi o acidente de bicicleta que ele provoca nela acidentalmente. Jeane cai, machuca o tornozelo e Michael a leva para sua casa, para que seu pai que é médico a examine.
Michael passa a dar carona para Jeane e eles começam a se ver frenquentemente (e a discutir mais também). A princípio, eu achei que eles não tinham absolutamente nada em comum e que eles discutiam porque se odiavam mesmo, não porque existia algum tipo de tensão sexual entre eles. Mas então eles se beijam e começam um tipo de relacionamento secreto, que na verdade consiste em se beijarem escondidos várias vezes por semana, e eu começo a rever meu pensamento inicial.

Geralmente, quando tenho um ataque de tristeza, ele pode levar dias, até mesmo semanas, antes que desapareça, é por isso que tento evitar situações que possam me fazer ficar amuada. Mas, de alguma forma, Michael sempre conseguia fazer minha tristeza passar.
P. 227

Além da história ser diferente e divertida, eu amei o fato dela se passar em Londres. Geralmente, a maioria das histórias adolescentes se passam nos Estados Unidos e gostei muito de variar um pouco nesse sentido.
O livro é adolescente, tem uma linguagem bem jovial, há a presença marcante de termos virtuais e abreviações, mas não é bobinho e inocente como eu pensei que fosse.
Há inclusive cenas de sexo narradas. Não que isso fosse algo demais, nem as cenas são algo demais (nada muito além do que tem em filmes e novelas por aí), mas acho que vale a ressalva, pois nem todo mundo pode gostar de ler uma cena do tipo em um livro mais jovem.
Os capítulos são narrados alternadamente entre Jeane e Michael. Gostei bastante desse estilo, pois assim dava para saber perfeitamente o que cada um achava do outro.
A capa é linda e dá vontade de ler apenas por causa dela, mas felizmente a história também é boa.