SEIS_COISAS_IMPOSSIVEISFiona Wood
(5/5)
Editora Novo Conceito
2013
271 páginas

Sinopse: Dan Cereill levou um encontrão da vida: seu pai faliu, assumiu que é gay e separou-se de sua mãe, tudo de uma vez só. Enquanto isso, sua mãe recebeu de herança uma casa tombada pelo patrimônio histórico que cheira a xixi de cachorro, mas que não pode ser reformada… E, agora, Dan está vivendo em uma casa-relíquia que parece um chiqueiro, com uma mãe supertriste e sem conseguir falar com o pai — que ele ama muito. Suas únicas distrações são sua vizinha perfeita, Estelle, e uma lista de coisas impossíveis de fazer, como: 1. Beijar a garota. 2. Arrumar um emprego. 3. Dar uma animada na mãe. 4. Tentar não ser um nerd completo. 5. Falar com o pai quando ele liga. 6. Descobrir como ser bom e não sair abandonando os outros por aí… Mas impossível mesmo será: 1. Não torcer para que Dan supere seus problemas. 2. Não rir muito com os devaneios dele. 3. Não querer ter um cachorrinho como Howard. 4. Não desejar que a mãe de Dan encontre a felicidade. 5. Parar de ler este livro. 6. Não querer abraçar o livro depois de tê-lo terminado…

Opinião: Apesar do livro ter título de auto-ajuda e uma capa de auto-ajuda, ele não tem nada a ver com o gênero. É a história de um garoto teve uma grande reviravolta na vida e precisa aprender reaprender a viver.
Esse foi um dos livros mais fofos que eu li esse ano. Mesmo o protagonista sendo do sexo masculino e a narrativa ser em primeira pessoa, a história é bem fofinha e com certeza agradará bem o público feminino.
Quando recebi os lançamentos de outubro da Novo Conceito escolhi começar a ler esse livro por causa do número de páginas (sempre gosto de começar a ler pelo menor para adiantar os trabalhos) e não me arrependo nem um pouco.
Os capítulos são bem curtinhos. Alguns têm apenas uma páginas e outros duas ou três folhas. Adoro livros com capítulos curtos porque a leitura sempre avança mais rápido. Nessa história de ler “só mais um capítulo” eu acabo lendo mais da metade do livro em apenas uma sentada.
E a narrativa simples, objetiva e em primeira pessoa ajuda muito na fluidez da leitura. Até quem não gosta muito de ler ficaria simpático a essa soma de “ingredientes mágicos”.
Apesar da capa não ser tão chamativa, ela é fofa, como a história e os desenhos da capa também estão presentes no miolo, demarcando cada início de capítulo. O trabalho de diagramação da obra ficou perfeito. Tudo combinou muito bem e o resultado final do conjunto ficou perfeito.
O livro começa com Dan contando os dramas da sua vida. Sua mãe recebeu uma casa de herança de sua tia-avó, ao mesmo tempo em que seu pai faliu, assumiu que era gay e saiu de casa. Teria sido um golpe de sorte eles terem ganhado a casa justamente em um momento de crise, mas a casa estava velha, fria, com cheiro de xixi, cheia de objetos antigos e o pior de tudo: a casa foi tombada pelo Patrimônio Histórico, então Dan e sua mãe só têm o direito de uso da casa, não podem vender ou ficar com nada de dentro dela. Além da casa, eles também herdaram o cachorro da tia-avó, Howard, que está velho e precisa de cuidados especiais.

– Que saco você não poder ficar com nada disso. Você estaria feito.
É tipo viver cercado de muita água, água por toda a parte, e não beber nem uma gota – digo.
– Total – concorda ele.
P. 45

Por causa de todos esses acontecimentos, Dan é obrigado a mudar de escola e encarar uma nova realidade.
Claro que com todos esses problemas, Dan também arruma outro, ele se apaixona por sua vizinha, Estelle e, mesmo sem nunca ter trocado uma palavra com ela, ele tem como o primeiro item de sua lista beijar a garota.

Parece que fico pensando em Estelle na maior parte do tempo. É como se alguém tivesse mudado as minhas configurações para “Estelle” sem a minha permissão, ou se ela tivesse se tornado a imagem de proteção de tela do meu cérebro. O desejo se misturou com um sentimento nobre (totalmente extraterrestre) de querer oferecer a Estelle só o melhor de mim. O que complica, porque não sei o que existe de melhor em mim. Mas precisa ser mais do que isso que está rolando agora.
P. 31

Dan é um adolescente que aprende a amadurecer rapidamente. Ele precisa ser forte por ele e pela mãe e também precisa cuidar deles e de Howard, arrumar algum dinheiro para que não morram de fome e sobreviver à escola.
Para meninos meio nerds e responsáveis sobreviver à escola é a tarefa mais complicada de todas, principalmente quando se desvencilhar desse estereótipo é impossível e Dan sabe muito bem o que é isso.

Acho que seria mais fácil tatuar loser na testa e acabar com isso de uma vez por todas.
P. 37

O único amigo de Dan é Fred. Eles se conhecem desde pequenos e quando Dan se muda de escola, ele passa o período escolar sozinho.
Em casa, a situação do garoto não é muito agradável. Ele vive brigando com a mãe, porque ela montou um negócio de bolos de casamento, só que além de fazer os bolos ela também dá conselhos matrimoniais, que fazem com que as clientes desistam do casamento e por isso não compram mais os bolos. Dan não aceita essa falta de maturidade da mãe e por isso, eles vivem em guerra.

E estou chorando de novo. Isso não pode ser saudável. Estou me afogando. Tudo parece tão implacável e impossível. É como tentar correr no solo sem nenhum atrito. Não posso depender de ninguém, não tem ninguém para resolver os problemas, ninguém para pagar a conta, ninguém para passar a bola. Estou sozinho aqui, sem dinheiro, sem soluções – e a minha mãe, com um negócio que não vai para frente e sua obsessão por Thom Yorke, certamente não precisa de mais notícias ruins.
P. 151

Dan é um menino bem metódico e tudo dele é em listas (de seis coisas). Além da lista das coisas impossíveis ele também cria listas de comidas favoritas, perguntas que ele faz, acontecimentos recentes, etc. É bem interessante e algumas delas são bem engraçadas. Achei que as listas deram um toque especial à característica de responsável do Dan. Quantos adolescentes são tão organizados a ponto de criar listas o tempo todo?
Apesar de todo drama, o livro é bem humorado e tem várias partes engraçadas. É uma história bem levinha e ótima para ser lida após leituras mais densas e de maior reflexão.
Conforme a trama avança, Dan vai fazendo amizades na escola. Principalmente, Lou, que é uma versão feminina de Fred e se torna a melhor amiga dele lá. E também Estelle e sua melhor amiga, Janie. Os quatro (e Fred) acabam formando um grupo bem bacana e se envolvem em situações bem inusitadas e típicas de adolescentes.
Dan também consegue um emprego remunerado no Café Phrenology e aos poucos as coisas vão chegando nos eixos.

De repente, eu não tenho tanta certeza de que estou desenvolvendo um entendimento mais maduro da situação do meu pai, e bate aquela ansiedade. Não estou pronto para vê-lo. Isso envolveria ter de falar com ele. Para acabar com essa conversa, digo que tudo bem ele ter ido embora, que estou bem. Mas não consigo. Estou ricocheteando como uma bolinha de fliperama, da ambivalência à incredualidade e então à raiva, e quicando perto da vergonha de novo. Justo quando eu achava que as coisas estavam evoluindo. Até parece que eu sei alguma coisa.
P. 197

Gosto muito de livros adolescentes para passar o tempo e esse foi um que me conquistou de verdade, mas o diferencial dele, foi o fato da história se passar na Austrália. Nunca tinha lido nenhum história que se passasse por lá e gostei bastante de ler algo assim. Apesar da ambientação da história ser na Austrália, não tem muita diferença entre esse e os livros que se passam em outros países, acho que no fim das contas, adolescentes são todos meio parecidos.
E sim, em relação à sinopse todos os seis itens impossíveis para o leitor são verdade.
Torci pelo Dan do princípio ao fim, ri bastante com os devaneios, quis ter um cachorrinho (não necessariamente como o Howard, porque ele já está velhinho, mas um com a personalidade dele sim), desejei muito que a mãe do Dan saísse da fossa, só consegui parar mesmo de ler esse livro quando ele terminou e o abracei no fim, porque eu gosto de abraçar livros bons quando eles acabam.
A autora, Fiona Woods, cresceu na Austrália. Formou-se em Artes e é uma conhecia roteirista de TV. Ela começou a escrever quando teve filhos e Seis Coisas Impossíveis é o seu primeiro livro.