Deb Caletti
(4/5)
Editora Novo Conceito
2012
272 páginas

Sinopse: O relacionamento de Clara com Christian é intenso desde o começo e diferente de tudo o que ela já havia experimentado. No entanto, o que começa como um grande afeto rapidamente se transforma em obsessão, e já é muito tarde quando Clara percebe que as coisas foram longe demais e que Christian está disposto a fazer de tudo para ficar ao seu lado. Então, Clara parte da cidade e Christian fica para trás. Ninguém sabe onde ela está, mas, mesmo assim, Clara ainda luta para se livrar do medo. Ela sabe que Christian não vai permitir que ela suma tão facilmente. Não importa para onde ela vá, nunca será longe o bastante…

Opinião: O livro é em primeira pessoa e conta o ponto de vista de Clara. Os capítulos são intercalados, ora contando a situação real em que vive e ora contando como ela conheceu e começou a se relacionar com Christian.
Achei os primeiros capítulos um pouco confusos por conta disso, mas nada que atrapalhasse a leitura, já que eles são curtos.
A leitura é bem tranquila e flui perfeitamente bem, dá para ler tranquilamente numa tarde. Mas confesso que mais para o fim do livro eu fiquei meio apreensiva quanto ao final da trama. O comportamento de Christian começa a ficar tão assustador que fiquei com medo do que poderia acontecer.

– Por que você não me falou que ia à biblioteca? – ele me perguntou uma vez.
– Eu não sabia. Decidi na última hora.
– Você simplesmente decidiu enquanto passava por perto? A dez minutos do seu caminho?
– Isso não é racional, Christian. Não é uma equação matemática onde você pode achar um erro. Eu decidi e fui.
– Quando uma pessoa não fala o que planeja fazer, faz você imaginar que ela tem alguma coisa a esconder.
– Christian, escute. Você tem que parar com isso. Você vai destruir nossa relação. Todo esse ciúme, essa desconfiança, não fica bem em você. Não é algo atraente. Você está acabando com tudo. (p. 118)

Ele era esse namorado controlador e ciumento, que apesar de não ser violento, tinha o comportamento obsessivo por Claro e isso, obviamente, estava sufocando-a. Ela não sabia mais o que fazer para se libertar, posto que nesses casos, terminar o relacionamento não liberta a pessoa.
Christian ficou pior com o fim do namoro e Clara teve que ir com o pai para uma cidadezinha praiana chamada Bishop Rock a fim de se afastar do garoto.
O pai de Clara era um escritor de best-sellers famoso e tanto ele quanto Clara gostavam muito de ler. Me identifiquei muito com a paixão pela leitura, que li um trecho que eu poderia ter escrito:

Eu costumava tentar ler um livro que não estava me interessante, e, às vezes, quando me dava conta, já o tinha lido por inteiro, sempre esperando que algo diferente acontecesse no final. Talvez eu não entendesse por que me sentia assiim em relação a leitura de um livro. Parece que eu tinha obrigação com o livro, com as pessoas, não importa se eram reais ou de ficção. (p. 37)

Acho que essa identificação com Clara me prendeu ainda mais à leitura e ficar tão ansiosa quanto ao final da história. Gostei de ver como ela amadureceu ao longo da narrativa e conseguiu superar seu medo. Talvez, o mais importante foi que ela não desistiu das pessoas, apesar de tudo que passou com Christian.

De repente, bem ali, na praia com Finn Bishop, aprendi que o amor verdadeiro não é aquele que prende, sufoca, envolvendo os dois numa dança macabra. Não, ele deixa você livre para pisar em chão firme, e para o outro poder fazer o mesmo, com bastante espaço entre vocês dois. (p. 202)