UM_PASSO_EM_FALSOHarlan Coben
(5/5)
Editora Arqueiro
2014
271 páginas

Sinopse: Ainda jovem, Myron Bolitar contou com a ajuda do treinador Horace Slaughter para começar a jogar basquete. O relacionamento dos dois era como o de pai e filho, mas com o tempo eles perderam contato e Myron abandonou o esporte.
Dez anos depois de ver Horace pela última vez, Myron conhece Brenda, filha do antigo amigo e uma bela estrela do basquete. Trabalhando como agente de atletas, ele poderá fechar um contrato valioso com a jogadora se descobrir o paradeiro de Horace, que sumiu repentinamente após agredi-la. Desde então, Brenda começou a receber ameaças por telefone e a ser seguida. Myron não acredita na culpa do amigo e resiste a ser guarda-costas da moça, mas acaba cedendo.
Determinada a não fazer papel de donzela indefesa, Brenda provoca uma atração irresistível em Myron, que vive um relacionamento amoroso debilitado. Porém, existe entre eles um abismo de corrupção e mentiras, além de segredos pelos quais muitos arriscariam a vida.
Mesmo contra o bom senso, Myron segue investigando o caso. Disposto a conquistar o coração de Brenda, ele está ciente de que um passo em falso pode acabar matando os dois.

Opinião: Estava com uma baita ressaca literária, cansada e desmotivada para iniciar minhas leituras de 2015, então peguei um livro do Harlan Coben, porque eu tinha quase certeza de que não iria me decepcionar e me incentivaria a ler mais e mais. E eu não poderia estar mais certa.
Forcei o início da leitura porque eu estava esgotada mesmo (cansada de tanto limpar e organizar a casa), mas poucas páginas depois já estava tão viciada no livro que eu nem me lembrava mais do motivo pelo qual eu estava hesitando tanto para iniciar minhas leituras.

Havia um grande sentimento de inocência, faz de conta, juventude, paixão estonteante. Mas também havia a beleza da universidade: estudantes discutindo temas relativos à vida e à morte num ambiente isolado como a Disney.
P. 31

Myron Bolitar está de volta para solucionar mais um (possível) crime. Seu antigo treinador Horace Slaughter está desaparecido e ele foi procurado por dois motivos: o primeiro, encontrar Horace e o segundo, cuidar para que a integridade de Brenda, filha de Horace, fosse mantida.
Além de investigador, Myron também é agente de atletas e em seu primeiro contato com Brenda ele se passa por isso mesmo, mas como ele não é bom com mentiras, logo ele conta a verdade para Brenda sobre seu papel. Brenda inicialmente não fica feliz por ter um “guarda-costas”. Ela é uma bela jogadora de basquete e estudante de medicina. Ela também é bem feminista e acha a atitude protetora de Myron bastante sexista e resiste um pouco, mas como Myron é um velho amigo de seu pai, ela acaba cedendo.
Myron então começa a investigar o desaparecimento de Horace e começa a perceber ligações entre o treinador e uma família de políticos poderosos.

Era tudo muito agradável, o que não era o mesmo que feliz. Uau, profundo. Quem sabe da próxima vez Myron conclua que dinheiro não traz felicidade?
P. 89

Quando Horace desapareceu Brenda começou a receber ligações ameaçadoras e em uma delas a pessoa do outro lado da linha pede para que ela encontre sua mãe. A mãe de Brenda desapareceu há 20 anos. Ela sacou todo o dinheiro de Horace e desapareceu no mundo, deixando para trás o marido e a única filha, com então 5 anos.
Brenda não se recorda da mãe e não faz a menor ideia de como encontra-la. Myron deste modo fica com a missão de encontrar o pai e a mãe da moça.
Quando Myron começa a investigar o desaparecimento da mãe de Brenda ele começa a descobrir segredos de uma família de poderosos políticos. E também percebe que Horace também chegou a essas pessoas antes de desaparecer.
Os fatos estão todos desconexos e há grandes falhas nas conclusões das investigações. O livro nos instiga a seguir uma linha de pensamento e tentar analisar apenas o que está escrito, mas para desvendar o mistério é necessário ler nas entrelinhas.

Os pais a haviam abandonado, ela não tinha irmãs nem irmãos. Como uma pessoa se sente numa situação dessas?
P. 124

Confesso que fiquei realmente chocada com o final. Precisei reler umas 2 ou 3 vezes para ter certeza de que aquilo tinha realmente acontecido. Nunca chegaria àquelas conclusões sozinha (pois é, sou uma péssima investigadora).
Deu para perceber que a estória é ótima e envolvente, né? Eu não conseguia parar de ler e praticamente fiquei uma madrugada acordada só lendo “mais um capítulo” (nunca é mais um, é sempre mais 2 ou 3 – ou o livro todo).

De vez em quando você simplesmente dá sorte.
P. 140

Além de toda parte policial cheia de ação, suspense e investigação há também uma parte de romance. Não é o forte do Harlan Coben falar sobre romance, mas Myron Bolitar é um cara sensível e romântico. Myron está morando com sua namorada, Jessica, mas ela se mantém distante e não é isso que ele quer em um relacionamento. Ele quer uma mulher ao seu lado, casamento, filhos, uma casa com cerca branca na frente e um cachorro correndo no quintal. Ela ainda não está pronta para isso e essa situação estremece a relação entre eles. Por outro lado, ele fica cada vez mais próximo de Brenda, que além de ser uma negra belíssima também corresponde às suas expectativas românticas.

Não havia ameaça em seu tom de voz, apenas o timbre bombástico e doloroso da inevitabilidade.
P. 160

O livro é narrado em terceira pessoa, o que é ótimo em livros policiais pois assim temos uma visão geral da situação e não apenas do personagem que conta a história. E possui a mesma linguagem simples e objetiva do Sr. Coben.
Myron Bolitar continua sagaz e cheio de humor irônico. Não tem como não gostar da personalidade sarcástica e bem humorada de Bolitar, ele é apaixonante.
A capa do livro tem tudo a ver com a história. O basquete tem toda relação do mundo com o livro e ficou bem legal a foto da capa. O miolo é simples, com um capítulo após o outro, sem a minha “frescura” de capítulos começando na página da direita. Mas sabe que em livros tão emocionantes assim acho que é melhor o capítulo ser depois do outro independentemente da página em que começa. A leitura vai mais rápido quando a gente não precisa virar a página para continuar na ação. Eu nunca tinha me ligado neste detalhe até este livro (desculpa, gente, às vezes fico tão ligada neste meu TOC que nem vejo a praticidade da coisa).
Se vale à pena ler? MAS É CLARO! E ainda entra na lista de favoritos do ano (e o ano só está começando…). Harlan Coben nunca decepciona :)