VERMELHO_COMO_SANGUESalla Simukka
(5/5)
Editora Novo Conceito
2014
240 páginas

Lumikki Andersson é uma jovem de 17 anos que mora sozinha e longe dos pais. Ela frequenta uma escola de artes de Tampere, na Finlândia e tenta se concentrar nos estudos. Seu objetivo na escola é não ser notada e ela é muito boa nisso.
Diariamente ela tem um ritual de ficar sozinha por uns instantes no laboratório de fotografia da escola. Em um dia de inverno típico ela entra no laboratório para sua sessão diária de meditação quando encontra uma enorme quantidade de notas de dinheiro manchadas e secando na câmara escura.
Ela sai da sala e tenta não pensar a respeito do dinheiro, nem do motivo pelo qual ele estaria pendurado no laboratório de fotografia da escola, mas obviamente a curiosidade não a deixará em paz.
Após a aula de matemática ela decide retornar à sala e verificar o dinheiro novamente, mas quando entra na sala descobre que não há mais nenhuma cédula pendurada.
Lumikki então começa a pensar em todos os passos que deu até entrar na sala e descobre que um colega estava envolvido no sumiço das notas.
Ela segue o garoto e, sem querer, acaba se envolvendo em uma investigação sobre corrupção e tráfico de drogas. Lumikki precisa utilizar de todas as suas habilidades em se esconder e das aulas de kickbox para se livrar de problemas.

A maneira mais fácil de não ter problemas na vida é se intrometer o mínimo possível.
P. 31

Quando o livro foi lançado vi todo mundo se mobilizando e numa enorme expectativa para a história da Branca de Neve (a tradução de Lumikki para o português é Branca de Neve) e por causa dessa grande expectativa muita gente se decepcionou. Acho que as pessoas esperavam um romance ou algo relacionado ao clássico.
Eu só li a sinopse, fiquei curiosa com o conteúdo, mas não criei grandes expectativas e… me surpreendi! O livro é bem fininho (tem apenas 240 páginas) e a história se passa tão rapidamente que dá para ser lido em uma tarde sem cansar. É cheio de mistério e suspense e quando a gente menos espera ele chega ao fim.
Como o primeiro livro de uma saga (serão três livros: Vermelho como o sangue, Branco como a neve e Preto como o ébano) eu gostei bastante, há muitas perguntas sem resposta que deverão ser respondidas nos próximos livros (eu espero, pelo amor de Deus!) e mesmo o mistério das notas ter sido resolvido no fim, ainda há muita coisa para ser desenrolada na história.
Gostei muito da personagem principal, Lumikki. Ela parece ser uma jovem normal, cria uma certa identidade com o leitor, mas ao mesmo tempo é misteriosa e tem um passado que ainda não foi revelado. A cada passo que Lumikki dava mais curiosa eu ficava a respeito da menina.

Quando ela estava sozinha, podia ser completamente ela mesma. Livre. Ninguém exigindo nada. Ninguém falando quando ela queria silêncio. Ninguém tocando nela quando ela não queria ser tocada.
P. 58

A narrativa é em terceira pessoa e isso criou uma distância ainda maior entre Lumikki e o leitor, mas no caso de livros de mistério acho que este estilo de narrativa é mais interessante.
A história começa no dia 28 de fevereiro de um ano bissexto e termina no dia 4 de março. O livro é bem dividido pelos dias e por capítulos. A organização cronológica é ótima. Eu gosto quando os autores fazem uso deste recurso, acho que a leitura flui melhor.
Amei a capa, os respingados em vermelho parecendo sangue, com a imagem em preto em branco ficaram ótimos, mas a diagramação interna ficou ainda melhor. O livro é muito bem dividido. Os dias ficam em uma página separada e acima de cada capítulo e data há um pingo (de sangue?). É um detalhe simples, mas que deixou o livro ainda mais belo.

Lembre-se de que, na verdade, não é você quem está aqui. É um personagem, não você. É outra pessoa quem caminha por estes aposentos com sapatos de salto alto brancos e com um vestido de noite vermelho. Nada disso pode tocá-la.
P. 182

Eu adorei a ideia do kit que a Novo Conceito enviou, bolinhas de isopor na caixa imitando neve e o marcados com uma face de espelho, mas na prática, não sei se todo mundo curtiu essa ideia… Minha caixa do kit veio aberta e as bolinhas de isopor estavam espalhadas na caixa do correio e grudadas por estática em todos os outros livros, por sorte eu não fui abrindo tudo muito afoita, caso contrário até hoje estaria tirando bolinhas de isopor de casa. Ainda bem que foi só um susto.