WILLOWJulia Hoban
(3/5)
LeYa Brasil
2014
223 páginas (ePub)

Sinopse: Sete meses atrás, em uma noite chuvosa de março, os pais de Willow acabaram bebendo muito durante o jantar e pediram a ela que guiasse o carro até em casa. Por uma fatalidade, Willow perdeu o controle do veículo e seus pais morreram no acidente. Consumida pela culpa, Willow deixa para trás sua casa, amigos e escola e, enquanto tenta retomar a relação de afeto e companheirismo com o irmão mais velho, secretamente bloqueia a dor da perda cortando a si mesma. Mas quando Willow encontra Guy, um rapaz tão sensível e complexo quanto ela, mudanças intensas começam a acontecer, virando seu mundo de cabeça para baixo. Contado de modo cativante e doce, Willow é um romance inesquecível sobre a luta de uma jovem para lidar com a tragédia familiar e com o medo de se deixar viver uma linda história de amor e cumplicidade.

Opinião: Acho que em uma palavra eu descreveria o livro como intenso. Foi a primeira vez que eu li um livro em formato ePub. Já tinha lido no celular mas a utilização do aplicativo Bluefire foi a primeira vez. Prefiro livros de papel, mas ler antes de dormir, no iPoly foi bem vantajoso. Não precisava me preocupar com lâmpadas acesas, só apagar do aparelho e fechar os olhos. Bem prático.

O alívio é tão grande que ela sente seus joelhos enfraquecerem. Se Guy não estivesse segurando-a tão forte, ela cairia no chão.
P. 51

O livro conta a história de Willow, uma garota de 17 anos que perdeu ambos os pais em um trágico acidente de carro, mas o pior de tudo é que ela estava dirigindo o automóvel. Então ela se culpa por isso o tempo todo. Não sei o que eu faria na situação dela. Sentir não apenas o luto diariamente, mas também a culpa. E ficar imaginando o tempo todo se ela não tivesse dirigido naquela noite, talvez seus pais estivessem vivos.

Ela se sente de certo modo em um conflito: a forma como Guy tem cuidado dela a confunde. Ela está agradecida, mas…
P. 66

Mas o pior disso tudo é a forma que ela encontrou de aliviar seu sofrimento. Willow se corta. Ela anda sempre com lâminas ou outros objetos cortantes, além de todo aparato para cuidar dos seus ferimentos. A dor provocada pelo sangue saindo de seu corpo a ajuda lidar com os sentimentos confusos que habitam sua mente nos últimos tempos.

Ele mexe com os livros do mesmo modo gentil. Está claro que ele não gosta de destruição de nenhum tipo, de carne ou papel.
P. 68

Com a morte dos pais ela teve que ir morar com seu irmão David em outra cidade e frequentar outra escola. Ela preferiu não manter mais contato com seus antigos amigos porque acha que eles nunca poderiam entender a dor de ser órfã. Em sua nova vida, Willow frequenta uma nova escola, convive com novos alunos e trabalha na Biblioteca para ajudar com as despesas.

Tudo certo, um problema resolvido. Pena ela não poder cabular o resto de sua vida.
P. 128

Willow não se sente mal apenas por ela, mas também por David, ela mudou a vida do irmão por causa de um ato que ela acredita ter sido culpada.
Mas no meio de tantas coisas acontecendo, ela conhece Guy, um garoto sensível e carinhoso que tenta entender o que se passa com ela.

A única coisa que ela tem certeza é como se sente tranquila, melhor do que se sentia há dias ou semanas.
P. 139

Guy passa a ser uma espécie de cúmplice. Ele não conta a ninguém o que Willow faz, guarda segredo sobre todas as coisas que ela faz, mas com a condição dela deixar ele cuidar dela e ligar para ele sempre que ela sentir vontade de se cortar, ou efetivamente praticar o ato.
A aproximação de Guy a princípio deixa Willow confusa, mas com o tempo ela passa a confiar mais nele e percebe o tamanho da ajuda que está recebendo do seu único e verdadeiro amigo nessa nova vida.

Acredito que o mais me assusta agora é o pensamento de eu não seja capaz de protegê-la.
P. 148

Apesar de ser fino e ter poucas páginas, não é um livro tranquilo para se ler em uma tarde e se sentir bem com ele. Willow é um livro intenso que vai mexer com seus sentimentos. É impossível ler e não sentir nenhuma reação.
É um livro pesado e eu acho que o melhor é ler aos poucos, tentando entender o que acontece e se colocando no lugar de Willow.
A narrativa é em terceira pessoa, mas todas as coisas acontecem pela perspectiva de Willow, com pensamentos e ações sendo narradas.
Gostei da história e acho que dentro da proposta o livro tenta captar bem esse sentimento mutilador, mas como eu prefiro histórias mais leves e menos dramáticas não fui muito simpática com a história.
Ficava o tempo todo querendo gritar para as páginas (e demais personagens): “Como vocês podem ser tão idiotas que não percebem o quanto essa menina está sofrendo?!”
E é bem leviano o fim da história, na verdade, parece que a história não acaba porque não há uma conclusão para a ação dos personagens. Mas quem disse que temos alguma coisa conclusiva na vida?
Feitas essas considerações, acho que minhas 3 estrelinhas foram mais que merecidas, ou não?