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Há um ano recebemos uma noticia devastadora: Um vendedor muito simpático que sempre nos atendia na farmácia com um sorriso no rosto faleceu.
Eu e minha mãe ficamos chocadas, o cara era jovem, alegre e cheio de vida.
Morreu com falência múltipla de órgãos e problemas renais.
O pior: tínhamos visto o homem uns dias antes e ele aparentava estar bem.
Mas recebemos a notícia, ficamos tristes e, mesmo não podendo comparecer ao velório, mandamos os pêsames à família.
Passamos meses lembrando dele em nossas orações.
Um belo dia, quase um ano do falecimento do vendedor, estávamos no supermercado passando as compras no caixa e eu ouvi uma voz conhecida.
Reconheci a voz alegre e fiquei pensando quem estava falando. Não ligava o nome à pessoa, então olhei para trás e vi o defunto conversando com um homem. Sorri, cumprimentei, continuei passando as compras e sussurrei para minha mãe: “mãe, não foi ele que morreu?” Minha mãe olhou para trás, o reconheceu e me confirmou “ele mesmo”.
Segurei o riso. Olhamos para ele novamente e conversamos aliviadas por ele estar vivo.
E minha não satisfeita com a conclusão da sobrevivência do rapaz pergunta: “você não tinha morrido?”
“Não” – ele afirmou.
“Mas me falaram que o vendedor alegre da farmácia tinha morrido, achamos que era você”.
“Não, foi o Robson”
“Ah! Que bom! Rezei tanto pela sua alma.”
Eu parei de prestar atenção na conversa e me concentrei na minha crise de riso mental.