Os blogs morreram e ninguém me avisou

Por todo canto nas redes sociais, vejo muita gente dizendo que os blogs acabaram e bla bla bla. A verdade é que os blogs (aquele negócio em que a pessoa pega um domínio gratuito/pago e escolhe um template) estão mais vivos do que as pessoas pensam. O que acontece é que eles já não têm o mesmo impacto publicitário como nos primórdios da internet. 

Quem ainda segue a vibe pessoal, tipo “meu querido diário”, sente que quase ninguém se importa com os blogs. As redes sociais têm um pouco de culpa nisso, já que se tornou mais prático postar uma foto no Instagram/Facebook acompanhado de um textão. O público/seguidores já estão todos ali, prontinho pra ler o que você quer compartilhar e comentar com dois ou três emojis. Na blogosfera, você tem que capinar lote, divulgar seu link por todo canto e fazer com que os outros se interessem pelo seu conteúdo. É um trabalho bastante cansativo!

Podemos pegar o Snapchat como exemplo de que as redes sociais dominadas pelo menino Mark Zuckerberg estão deixando os concorrentes doidos. Não tem nada de  muito novo nas ferramentas disponibilizadas, apenas uma cópia melhorada que parece fazer uma lavagem cerebral nos usuários. 

A equipe do Feyce, Insta e Zap já entendeu que o internauta se importa com números e urgência, e vai aderir a rede que mais ajudar a ter views, likes e afins. Logo, qual a lógica em criar um blog pra falar sobre filmes e séries, quando você pode postar uma imagem no Instagram, usando milhares de tags pra alavancar o conteúdo postado e entregar instantaneamente? 

No mundo da blogosfera a coisa funciona de outra forma. É mais zen, cool, vintage. É no seu tempo, no seu dia, no seu horário, quando aparece tempo e vontade. Os seus (poucos) leitores vão entender, por exemplo, se você estiver atolado de trabalho e não entregar tal postagem. Eles compreendem que aquele job que paga o seu aluguel, água, energia é importante e tem que ser prioridade por questão de sobrevivência. Mas não ouse fazer isso no Instagram. Três dias sem post por lá já quer dizer, de automático, que aquele leitor/seguidor vai procurar quem está à frente de você.

Em uma comparação um pouco polêmica: quem acompanha blogs é paciente com o blogueiro, já quem curte instagrammers quer tudo pra ontem e o próprio algoritmo te obriga a produzir conteúdo 24h por dia, te tornando um escravo. 

Entre blogar e “instagramar”, eu ainda prefiro escrever pra duas ou três pessoas que tiraram um tempo da sua vida pra ir no meu blog do que quem já tá ali com o celular na mão e só clicou em cima da foto, sem me dar a confirmação de que leu algo que escrevi.

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