Diário de Viagem: Reino Unido – Londres 2

No dia seguinte ao show das Spice Girls em Bristol, voltei para Londres.

Eu iria voltar no ônibus das 11h, mas cheguei na rodoviária pouco antes das 10h e o motorista me deixou embarcar, já que tinha lugar no ônibus.

Hospedagem

Nessa segunda parte da hospedagem em Londres eu fiquei em outro hostel, desta vez no Palmers Lodge Swiss Cottage. Ele fica pertinho de duas estações: Swiss Cottage e Finchley Road. Bem fácil de ir e voltar de qualquer lugar da cidade, e razoavelmente perto do estádio de Wembley.

É um lugar tranquilo, tem uma escola perto, feira, condomínio residencial, posto de combustível, etc. essas coisas bem de bairro. A arquitetura do imóvel é linda, mas eu quis chorar porque fiquei com saudade da movimentação do Soho. E também porque fiquei bem puta com a staff que fez meu check-in e não me explicou onde seria meu quarto (ela disse que ficava “lá em cima” e eu perguntei se teria que subir escadas e ela confirmou. Mas o em cima dela era para a cama no beliche). Subi até o sótão e meu quarto era no porão. Me explicaram ZERO coisas sobre o funcionamento do hostel, só ganhei a chave mesmo e surrupiei um mapinha (podia pegar, mas ninguém me ofereceu) quando saí pra explorar a cidade.

Outro ponto negativo: calor infernal! Mesmo fazendo aproximadamente 12C à noite na cidade e a janelas do quarto ficavam abertas, mas mesmo assim estava um calor insuportável. Acordava suada todos os dias de manhã.

Mas tinha um café da manhã bem bom (croissant, queijo, pão de chocolate, Nutella, frutas, cereais, leite, iogurte e bebidas quentes variadas – eu só tomava chá mesmo). Também tinha uma área comum com máquina de lanchinhos e bebidas a £1 cada item (eu acho). E todas as vezes em que entrei no banheiro ele tinha sido acabado de ser limpo.

Perdida em Londres

Depois de ter feito check-in e deixado tudo certinho no hostel, eu peguei minha bolsa e fui turistar um pouco. Onde eu fui? Isso mesmo, fui ver a tia Betty no Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham. Estão vendo a bandeira? É o estandarte real. A Rainha estava no palácio.

Claro que eu desci no Green Park e não sabia em que direção andar, mas assim que me localizei foi maravilhoso. Foi a segunda vez que eu quis chorar naquela cidade.

A sensação foi de “uau! Eu tô mesmo em Londres!”

Meu plano era: Green Park, Palácio de Buckingham, St. James’s Park e Trafalgar Square (talvez, National Gallery). Mas eu me perdi dentro do St. James’s Park e saí bem longe de Trafalgar’s Square.

Monumento às mulheres da 2ªGM

Cheguei em Trafalgar’s Square e a praça estava fechada para uma apresentação de Romeu e Julieta e a National Gallery estava prestes a fechar, como ainda era cedo resolvi andar mais um pouco pela cidade.

Meu objetivo: Leicester Square. Onde eu cheguei: Southbank. (Era como se eu quisesse chegar no Oiapoque e chegasse ao Chuí.)

Fui parar em Southbank só procurando o metrô para voltar para o hostel. Atravessei a ponte de Waterloo e vi um lugar bonitinho e cheio de luzes e fui ver o que era. Tinha um festival acontecendo com várias atividades e comidinhas. Não tinha nada do meu interesse acontecendo, então eu voltei para o hostel porque o dia seguinte seria bem cheio.

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Livro: O farol e a tempestade

(5/5)
Romulo Felippe
Novo Conceito
304 páginas
2019

O farol e a tempestade é o terceiro livro do autor capixava Romulo Felippe e conta a história do autor best-seller Samuel Jones, que vive recluso na remota ilha de Farethon, no Atlântico Norte.

Sam perdeu a família em um acidente de carro e desde então passou a viver na ilha em companhia do gato Charles. Um dia, desesperançoso com a vida, ele decidiu que não viveria mais e pediu uma luz a Deus, antes de dar fim à sua vida. Foi então que uma bolo de fogo riscou os céus no meio de uma tempestade.

Uma aeronave cai no mar e sem hesitar Sam pega o barco e rema em direção ao local do acidente. Ele resgata a única sobrevivente do acidente, a fotógrafa nova-iorquina Anne Crawford.

Sem saber que Anne era tudo o que Sam pediu aos céus, ele a ajuda se recuperar do acidente e ela também o ajuda a voltar a ter fé na vida.

Por conta da tempestade, Sam fica sem comunicação com o continente e não pode avisar ninguém de sua hóspede.

Enquanto vivem como Emmeline  e Richard (quem assistiu ao filme A Lagoa Azul mais de 5 vezes na sessão da tarde?), o pai e o ex-marido de Anne procuram por qualquer vestígio do avião.

Desde o começo o livro é cheio de reviravoltas, o que torna a leitura muito dinâmica. Há o acidente de avião e logo depois vamos descobrindo juntamente com os personagens quem são Sam e Anne.

Inevitavelmente eles se apaixonam e a gente se apaixona junto. O casal tem bastante química e os dois possuem tragédias em suas bagagens de vida. A torcida para que os dois consigam ficar juntos e juntar todos os pedacinhos quebrados é enorme e a cada passo no caminho da felicidade faz a gente ficar com o coração quentinho durante a leitura.

Mas eu disse que tem muitas reviravoltas, então a cada capítulo tudo pode ser diferente.

O livro é escrito em terceira pessoa e os capítulos são curtinhos. Além da linguagem clara e da história envolvente. Apesar de algumas partes mais pesadas, pois trata de trauma vividos no passado dos personagens, é uma leitura tranquila.

Em alguns momentos lágrimas são inevitáveis, mas eu garanto que valem à pena serem derramadas.

A diagramação é bem feita. Fonte e espaçamentos bons para a leitura. E o livro é cheio de belíssimas ilustrações.

A capa também é linda e por diversas vezes me peguei admirando o farol.

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Livro: O Som de um Coração Vazio

(5/5)
Graciela Mayrink
Editora Bambolê
2018
224 páginas

O Som de um Coração Vazio traz a história de um astro do rock que sofre de TOC e que descobre uma fã dele deprimida enquanto navega por um fórum na internet.

Gabriel Moura é um jovem cantor de rock que está no auge de sua carreira. Tudo seria perfeito em sua vida se não fosse sua doença silenciosa. Ele tem TOC e luta diariamente contra a doença. No momento seu problema maior é o irmão que fica o tempo pegando no seu pé e vigiando para que ele não cometa nenhuma loucura. No limite do possível Gabriel está bem, ele só prefere ficar quieto no quarto compondo ao invés de interagir com o restante da banda.

Mas então ele resolve entrar em um fórum para depressivos e encontra um nome de usuário bem curioso: carol_do_moura. Quando viu o nome a curiosidade não o deixou em paz e ele precisou conversar com aquela pessoa. Ele criou uma identidade falsa, disse que era uma menina que morava no Amapá e começou a conversar com a Carol para saber se ela era fã do Gabriel Moura (e sim, ela era).

Carol é uma estudante de arquitetura que desenvolveu depressão após o vazamento de uma foto sua pelo seu ex. Carol possui uma irmã gêmea que se preocupa muito com ela, mas a futura arquiteta prefere passar seus dias no quarto ouvindo músicas do Gabriel Moura e desabafando no fórum sobre depressão. No seu quarto é o lugar onde ela mais se sente segura.

Pelo fórum, Carol e Gabriel começam a conversar e criam uma forte conexão. Ela não faz a menor ideia de que está conversando com o seu maior ídolo, mas Gabriel já está apaixonado e começa a criar situações para encontra-la pessoalmente.

Assim que eu li a sinopse do livro e senti o clima mais pesado do contexto achei que não teria como a Graciela seguir na sua linha leve e fofa da escrita, mas sim, ela conseguiu. Toda a delicadeza da escrita da Graciela estão presentes do início ao fim da história.

Tanto o assunto da doença mental quanto o do vazamento de foto íntima são bem delicados, mas a autora abordou muito bem os dois temas. Ela soube dosar muito bem para não deixar a história nem superficial demais e nem com o clima muito pesado.

O livro foi tão lindo e leve que eu devorei em poucos dias.

Achei importante a discussão de que depressão não é frescura (entenderam agora pais da Carol?) e como é importante o tratamento e a terapia.

A história do romance Carol e Gabriel é muito fofa, dessas que aquecem o coração e fazem a gente querer guardar o casal com carinho dentro de um potinho.

Achei linda a capa e a diagramação combinou muito com a história. Só senti falta de uma playlist com músicas para a gente ouvir durante a leitura, mas fora isso, o trabalho foi todo sensacional.

Indico totalmente a leitura, principalmente agora em Setembro, mês de prevenção ao suicídio.

Leiam, conscientizem-se e conversem sobre a saúde mental. Quanto mais falarmos sobre depressão, menos preconceito teremos com a doença e mais vidas poderão ser salvas.

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