16
Feb

Janeiro

   Posted by: Poly   in Quimera

Nosso Reveillon foi tão bom que após nossa comemoração a casa do Theo passou a ser o ponto de encontro do pessoal nos fins de semana. Íamos para lá conversar, comer pizza, beber… Eu percebi que essas reuniões faziam bem para Anna, que apesar de não estar muito interessada em sair se animava com nossas conversas calorosas sobre coisa alguma.
E não apenas essas reuniões animaram nosso início de ano. Junto com o ano que se iniciava a casa dos pais de Anna também foi vendida e a estabilidade financeira deles na capital estava garantida. Tal evento animou um pouco Anna, mas a preocupação sobre a saúde de seu pai ainda permanecia, por isso nossos encontros quase que semanais estavam sendo importantes para a sanidade mental da Pequena.
Em uma de nossas reuniões presenciamos o término de um relacionamento. Lembro vagamente que estávamos sentados bebendo e conversando tranquilamente, quando o álcool começou a fazer efeito e deixou o Doug mais chato que de costume, e não sei bem porque que motivo começamos a falar sobre doenças e Doug começou a criar histórias sobre uma tia que teria o mesmo problema de saúde que o pai de Anna e que operou, mas morreu na semana seguinte devido a complicações cirúrgicas. E o mais incrível na história de Doug foi que a mulher, já no necrotério, ressuscitou e perguntou o que estava fazendo naquela sala fria.
Bem, a gente aturaria Douglas normalmente se ele não tivesse colocado em pauta o assunto que não deve ser abordado e se não estivesse bêbado. Mas as circunstancias não estavam favoráveis a ele naquele momento, então Jess começou a reclamar.
“Douglas, será que por pelo menos um minuto, você consegue fechar a boca para evitar de falar besteira?”
“O que eu fiz hein? Não fiz nada, nem falei nada demais.” E ele realmente não via nada demais no que falava.
“Doug, ninguém mais agüenta suas histórias, está todo mundo cansado das suas babaquices e todo mundo sabe que nada do que você fala é verdade.”
“Ninguém disse isso, pare de falar pelos outros Jess. Você deve estar com ciúmes de mim.”
Nesse momento já estávamos todos calados apenas vendo a discussão dos dois, sem nos intrometermos no meio.
“Ciúmes? De você? Na boa, Douglas, você precisaria de muito mais, além de inventar histórias para me fazer sentir ciúmes de você agora.”
“Você que fica inventando que eu sou mentiroso, só você acha isso! Quem é você para saber da minha vida?! E o que te dá o direito de me chamar de mentiroso na frente de todo mundo? Você não sabe da minha vida!”
“Ótimo!! Porque assim eu não tenho motivos para sair com você!”
“Ótimo digo eu! Não preciso ficar saindo com alguém como você, que me chama de mentiroso, sem eu dar motivo algum para isso.”
“Sem dar motivos? Por favor Douglas!! Ninguém é tão inocente para acreditar em tudo que você fala…”
“Eu dei motivos? Então eu falei alguma mentira? Alguém me acha mentiroso? Alguém?” Ele perguntou olhando para gente, mas ninguém respondeu, continuamos calados ouvindo a discussão.
“Viu só? Só você pensa isso de mim!! E pensar que eu estava fazendo caridade em te namorar…”
“Caridade?!?”
“Claro, Jessica! Ou você acha que alguém mais namoraria uma coisa como você? Só o besta mentiroso aqui que se sacrificaria para tanto…”
Aquilo doeu, porque, como já falei Jess não era o tipo normal de menina por quem os homens se interessariam fisicamente, mas isso não era algo que deveria ser dito, em nenhuma circunstância. O Doug tinha a vida inteira para falar a verdade e nunca falava, foi escolher o pior momento da vida dele para começar a não mentir e nesse momento eu tive que intervir.
“Bem, Doug, sem querer interromper a conversa, mas já interrompendo… Eu não vejo problema nenhum em namorar com a Jess, eu namoraria com ela.” E chutei o Theo por baixo da mesa para que ele me ajudasse também.
“É Doug, se eu não namorasse a Anna também não veria problema nenhum em sair com a Jess. Por que não?” ele falou meio tropeçado.
Mas acho que ela percebeu que nossa intromissão foi mais por piedade do que sinceridade e decidiu ir embora.
“Obrigada meninos, mas não preciso que tenham pena de mim.” E ela se levantou e saiu, antes que pudéssemos impedir.
Depois que ela saiu, Theo e eu tivemos uma conversa séria com Doug sobre suas histórias, mas sabíamos que não chegaria a lugar algum, pois aquilo era mais forte que ele.
Quanto à Jessica… eu sempre soube que ela precisava de alguém melhor que ele, apesar de tudo, eu sabia que ela ficaria bem.

16
Feb

Ano novo…

   Posted by: Poly   in Quimera

O Natal não foi muito animador e o ano que chegava também não trazia muitas esperanças positivas.
Pelo menos, as coisas andavam mais ou menos encaminhadas para Anna. O pai dela foi para a capital fazer o tratamento médico acompanhado da mãe e por mais que gostaríamos que eles ficassem lá por um curto período a realidade não era tão promissora, então o nos restava era esperar.
Anna ficou em Comtè De Bounevialle e continuou trabalhando. Os pais dela decidiram vender mesmo a casa e irem para Paris, o dinheiro da venda dava para eles ficarem o tempo necessário por lá e pagar as despesas médicas. O problema era esperar até a venda, mas como a cidade, apesar de pequena estava em constante crescimento aquilo seria só uma questão de tempo.
Como a venda da casa era certa e possivelmente próxima, Anna foi morar com Theo e com isso tudo eu acabei me reaproximando deles. Bom, depois do episódio do Halloween eu acabei me afastando um pouco deles, principalmente do Theo, mas com tudo isso acontecendo com a Anna eu precisava estar mais presente na vida dela e aos poucos fomos nos reaproximando. No fim, Theo estava pouco se importando para minhas atitudes idiotas, principalmente agora que eles estavam morando juntos, afinal de contas, ele quem ficou com a garota e ela agora tinha certeza de que queria ficar com ele.
No Natal eles já estavam morando juntos e foi a primeira celebração deles como casal morando na mesma casa e para o Ano Novo eu e Theo estivemos conversando e achamos que seria interessante fazermos uma pequena festa na casa deles, apenas com os amigos mais próximo para tentar distrair Anna dos pensamentos sobre Paris.
Como a festa seria um segredo – o plano era dele contar apenas que eu estaria passar a virada com eles – nós dividimos as tarefas para organizá-la e a parte de convidar o pessoal sobrou para mim.
Digamos que eu não peguei a melhor das tarefas, afinal de contas depois do Halloween não apenas meu relacionamento com Anna e Theo ficou abalado como o meu com meus antigos amigos. Mesmo ninguém tendo tocado no assunto depois daquele dia, minha imagem perante meus amigos não foi mais a mesma.
Mas apesar de todo meu receio para efetuar as ligações e fazer o convite, fui melhor aceito do que imaginei. O pessoal já sabia o que estava acontecendo com Anna, então quando falei do propósito da comemoração todos aceitaram prontamente, inclusive a Bianca.
Então no último dia do ano, um pouco depois das dez da noite aparecemos no apartamento do Theo, eu, Doug, Jess e Bianca, acompanhados de bastante champanhe e comida.
Anna se surpreendeu com nossa chegava e pelos olhinhos brilhantes dela, tenho certeza de que adorou a surpresa.
Celebração de praxe com os mesmos desejos e promessas de todo ano sendo feitos, só que agora era diferente, as coisas estavam mudando e a chegava de um novo ano trazia também todas as incertezas e receios de um futuro duvidoso. E isso podia ser notado olhando para Anna, que mesmo presente e brincando com a gente, eu notava que por diversas vezes seu pensamento estava longe.
Quando os dois ponteiros do relógio se encontraram anunciando a chegada de um novo ano nos abraçamos coletivamente ao som de vários gritos e desejos de um ótimo ano. Após o estouro de algumas champanhes e enquanto as pessoas comiam e conversavam, Anna me puxou para a varanda por alguns instantes.
“Obrigada, Liam.” Ela disse assim que saímos do alcance visual do pessoal.
“Agradeça seu namorado, tem dedo dele no meio.” Eu falei.
“Mas a idéia foi sua que eu sei.”
“Pode ser… mas o que interessa é se você gostou da surpresa.” Disse sorrindo.
Ela balançou a cabeça em sinal positivo e então disse:: “Sabe, você é e tem sido meu melhor amigos por tanto tempo e está sempre por perto para me ajudar, que eu nem sei o que seria da minha vida sem você. E por tudo isso…” Ela começou a chorar “… eu queria te agradecer… por sempre estar por perto.”
Eu a abracei forte e ficamos algum tempo abraçados naquela varanda fria, mas o carinho que tínhamos um pelo outro e nossa amizade nos mantinha aquecidos e o frio externo não chegava a incomodar. “Eu que te agradeço por me deixar participar da sua vida minha pequena. Você também é e sempre será minha melhor amiga” Falei retribuindo o carinho.
E ela me soltou e apoiou o corpo na varanda e ficou contemplando a vista da cidade fria, coberta por uma fina camada de neve, que estava começando a virar gelo liso e escorregadio. Depois de um breve silêncio ela se virou para mim e disse: “hoje eu fico feliz por você ter me dado um fora. Por causa daquilo, hoje eu tenho dois homens incríveis na minha vida.”
“Bom, há males que vem para o bem.”
“Eu só queria me apaixonar por ele da forma como eu fui apaixonada por você.”
Mas antes que eu pudesse responder alguma coisa Theo apareceu na varanda.
“Olha só! Acabamos de falar de você Theo, na verdade, Anna acabou de pronunciar seu nome.”
“É mesmo? O que?” E ele a abraçou por trás carinhosamente.
“Ahh só disse que estava feliz por ter vocês dois na minha vida…” ela respondeu timidamente.
“Fico contente em saber que estou em pé de concorrência com ilustríssimo William aqui.” Ele disse e beijou seus cabelos.
“São anos de convivência Theo, um dia, quem sabe você chega a meu status…” respondi e voltei para a sala, deixando os dois sozinhos na varanda.

9
Feb

E começa a esfriar…

   Posted by: Poly   in Quimera

Pouco tempo antes do Natal, assim que o frio começou a bater na porta, as notícias ruins também chegaram..
“O que eu faço agora Liam?” Ela dizia chorando enquanto me abraçava. Eu sinceramente não sabia o que dizer, por mais que procurasse palavras, nada parecia o bastante para expressar o quanto eu queria que tudo ficasse bem.
“Calma minha Pequena, vai dar tudo certo.” Falei abraçando-a bem apertado e beijando sua testa.
“Eu quero acreditar que sim, Liam, mas eu não sei mais… parece que o chão está subindo sob meus pés.”
“Eu sei, Anna, mas no fim vai dar tudo certo, tente se acalmar.” Eu mesmo não estava tão calmo quanto parecia, mas pelo menos precisa demonstrar isso. “Seu namorado já sabe?” perguntei, tentando encontrar alguma solução.
Ela balançou a cabeça em sinal negativo e depois falou “Ele está viajando, não quero preocupá-lo.”
“É melhor mesmo, essas coisas não devem ser faladas por telefone.” Assenti.
Ficamos um tempo em silêncio e abraçados, e ela chorando sem parar.
“Por que isso agora comigo, Liam? Por que?” ela interrompeu o silêncio.
“Não sei, talvez alguém lá em cima quer testar sua força…” falei.
“Eu sou fraca, agora pode acabar com isso.”
“Vai acabar. Logo. E da melhor forma possível, você verá.” Tentei ser otimista.
“Eu sei, mas e se não for assim? O que será de mim? E da minha mãe?” Ela falou limpando as lágrimas com as mãos.
“Anna, não vai acontecer nada de errado com seu pai. Acredite!” Disse olhando diretamente para os olhos dela.
“Mas e se…”
“Shhhhh” fiz o sinal enquanto colocava o dedo nos lábios dela “Não vai, Anna.”
Ela me abraçou apertado e falou ao meu ouvido: “Obrigada por estar aqui por mim.”
Consolar a Anna era o mínimo que eu poderia fazer, afinal de contas ela sempre foi minha melhor amiga e, em um momento como esse, era minha obrigação ampará-la. O pai dela foi diagnosticado semana passada com uma doença séria no coração e ele precisa ir para capital fazer uma cirurgia. O problema é que eles não tem dinheiro suficiente para a cirurgia e provavelmente terão que vender a casa, porque a mãe dela precisará acompanhar o marido e não se sabe por quanto tempo eles ficarão por lá. Talvez Anna também vá e isso não é nada agradável. Eu sei que ela não quer ir, mas se não tiver outra solução, será esse o nosso destino.
“Eu queria ser médico nessas horas…” deixei escapar.
“Um dia você será e será o melhor deles.” Ela falou segurando minhas mãos e forçando um sorriso.

27
Jan

Halloween 2

   Posted by: Poly   in Quimera

Eu sei que eu não tomei a melhor das atitudes na noite anterior, mas o que mais eu poderia fazer? Eu acho que acabei piorando ainda mais as coisas, mas naquele momento eu não pensei muito antes de agir.
Bem, depois do beijo as coisas esquentaram um pouco, na verdade, esquentaram para valer.
Eu acabei no quarto com a Bianca e foi uma das experiências mais loucas que já tive com alguém. Em primeiro lugar, de certo modo, ela era minha amiga e eu nunca tinha beijado uma amiga – Anna não conta como beijo. Em segundo lugar, eu nunca tinha dado o primeiro beijo em alguém no meio de uma sala lotada com um monte de gente olhando para mim. E em terceiro lugar, bem, vejamos… a gente começou a se beijar na sala e no início eu ouvia o Doug falando qualquer besteira e algumas outras pessoas comentando sobre, dando gritinhos e coisas do tipo. Depois acho que se cansaram e nos deixaram em paz. Sim, se cansaram, porque eu acho que demoramos no beijo e depois daquilo ela não quis me soltar mais… nos soltávamos e ela começava a me beijar de novo. E começaram as mãos aqui e ali e acabamos indo para o quarto, andando abraçados, nos beijando e ela puxando a gola da minha camisa.
Então eu deitei na cama e ela subiu em cima de mim e ficamos nos beijando por algum tempo – provavelmente até o álcool do meu corpo evaporar – até eu perceber o tamanho da besteira e decidir parar com aquilo.
“Bia?” Eu chamei ainda deitado na cama, mas ela continuava me beijando e só gemeu quando eu falei. “Bianca?” Falei de novo, mas dessa vez segurei o rosto dela levemente.
“Que foi?” ela balbuciou.
“Eu acho que você bebeu um pouquinho demais…”
“Eu to bem! Me beija?” ela pediu já aproximando a boca da minha boca.
“Já te beijei demais por hoje, Loirinha…” disse afastando os cabelos do rosto dela.
“Qual o problema?”
“Não tem problema nenhum. Vamos! Já está ficando tarde.” E comecei a sentar na cama.
“Qual o problema comigo? Por que você não me quer?” Ela deitou na cama fazendo dengo e obviamente ainda estava bêbada.
“Você está bêbada e eu não costumo levar as meninas para cama no primeiro dia…” disse enquanto arrumava minhas roupas e comecei a calçar os sapatos.
“Tem sempre uma primeira vez” ela disse ainda deitada na cama, batendo a mão direita no colchão me convidando para deitar com ela.
“Prefiro esperar a segunda…” terminei de me calçar, me levantei e a chamei: “Então? Vamos embora? Eu te deixo em casa.”
“Obrigada, mas pode ir. Eu ainda posso dirigir meu carro, mas se mudar de idéia, vou continuar por aqui.”
Preferi não responder e saí do quarto, obviamente ela não estava normal e qualquer tipo de comentário seria irrelevante.
Passei pela sala e não vi nenhum dos meus amigos por lá, então resolvi ir embora sem falar com ninguém.
Quando chego no corredor perto da escada encontro Theo fumando e confesso que me assustei com a cena.
“Ei Theo! Não sabia que você fumava cara…” falei surpreso.
“Eu também não sabia um monte de coisas sobre você…” ele disse.
“Do que você está falando?” perguntei confuso.
“Você sabe muito bem.” Ele disse apagando o cigarro. “Fica se fingindo de gay para Anna, mas em um momento de fraqueza agarra a primeira que encontra e o pior, na frente dela. Eu sei que ela ainda gosta de você, eu finjo que não percebo, mas eu noto e cara, isso dói.”
Anna! Eu tinha me esquecido completamente dela e na hora que o Theo começou a falar aquelas coisas eu percebi o tamanho da minha burrice…
“Sabe, Will, eu nunca acreditei no seu papinho furado para Anna de que é gay, mas eu não me meto nisso porque sei que mesmo você sendo um canalha ela ainda gosta de você, ou gostava…”
“Calma aí Theo! Vamos conversar…”
“CONVERSAR???” Ele alterou o tom de voz “Eu não converso com quem machuca as pessoas que eu amo. E falando em machucar, é isso que vou fazer agora com você seu desgraçado!!”
Eu consegui desviar o primeiro golpe, mas fui atingido em cheio pelo segundo. Um soco no olho esquerdo, bem merecido.
Não revidei e também não respondi às grosserias, de uma forma ou de outra eu merecia aquilo tudo. Apenas me recuperei do golpe, dei as costas e saí, sem falar nada.

4
Jan

Halloween

   Posted by: Poly   in Quimera

Meus amigos decidiram comemorar a festa pagã no apartamento do Theo. Como não tinha outra atração na cidade, praticamente todos os jovens conhecidos estavam presentes. A noite foi bem animada, com todos fantasiados para a ocasião.
Eu não gostava de festas à fantasia e não tinha a menor criatividade para me fantasiar, então, peguei qualquer roupa e me sujei de corante para alimentos para parecer que estava ensangüentado e fui assim mesmo, sem maiores produções.
Ao chegar no apartamento fui recepcionado por Theo, o vampiro. Theo estava elegantemente vestido e impecável como um vampiro, até os caninos pontilhados ele usava. A segunda pessoa que vi naquela noite foi Bianca, que estava literalmente vestida para matar. A fantasia dela de noiva assassina estava bem convincente, com respingos de sangue no vestido branco e na arma, escondida estrategicamente dentro do buque.
Meus outros amigos também estavam com fantasias divertidas: Doug estava de caveira – que combinou muito bem com ele –, Anna estava incrivelmente transformada vestida de bruxa – uma versão mais sexy das bruxas – e Jess… bem, Jess tentou se fantasiar de zumbi, mas ela teve algum tipo de alergia por causa da maquiagem e precisou retirá-la, o que fez com que metade da fantasia perdesse a graça.
Bom, eu já tinha bebido um pouco, dançado um pouco e me divertido um pouco, quando estava conversando com o pessoal e o Doug me solta: “Agora só falta o Will ficar com a Bianca que os casais ficam completos.”
Mais uma vez ele tinha que insisti nesse assunto que eu sabia que não chegaria a nenhum lugar.
Em resposta, Theo falou: “Will? Mas ele não é gay?” e deu uma risadinha.
Eu não acreditava que ele estava falando aquilo, daquela forma, naquela situação e na frente da metade da cidade. Acho que Anna também não gostou do comentário, pois notei seu semblante ficar sério naquele momento.
“Will? Viado? Conta outra!” Falou Doug rindo.
Eu não estava gostando daquela conversa, então, eu dei de ombros e fui procurar algo para beber. Ainda ouvi enquanto saía Doug me gritando: “Você é viado Will??” mas nem perdi meu tempo respondendo.
Fui até o outro lado da sala, que não era tão grande assim, mas com a quantidade de pessoas no local, a passagem ficava complicada, então enchi o copo de sangria e enquanto dava meu primeiro gole escuto alguém falando:
“Parece que te acertei em cheio, mas você ainda sobreviveu.” Era Bianca comentando sobre nossas fantasias. Era a primeira vez na noite que conversávamos.
“Eu sou bom em fugas.” Respondi.
“Acho que notei você acabando de fazer isso.”
“Doug e álcool é uma combinação perigosa…” respondi rindo.
Conversei um pouco com Bianca e não sei se era o efeito do álcool, mas depois de um tempo eu estava até suportando-a bem.
“Você não acha estranho?” ela perguntou após um tempo de conversa.
“O que?”
“Anna e Theo juntos em tão pouco tempo.” Ela começou.
“Talvez.” Respondi com cautela.
“Olha, eu sei que você é amigo da Anna, mas eu acho estranho. Ela nunca demonstrou qualquer tipo de interesse por ele e então do nada eles começam a namorar?! Claro que o fato dele já ser independente deve ter pesado na escolha.” E conseguiu estragar toda nova concepção que eu estava formulando sobre ela.
“Você nunca parou para pensar que talvez as pessoas possam ter mesmo sentimentos umas pelas outras e não pelos bens materiais?” Alfinetei e já ia saindo quando chega Theo e fala baixo próximo ao meu ouvido:
“Só porque eu disse que você é gay, você veio dar em cima da Bianca?”
Eu não estava dando em cima da Bianca e não era um comentário infeliz dele que faria com que eu fizesse aquilo, mas pela segunda vez naquela noite ele estava me provocando e eu comecei a me segurar naquele momento para não fazer nenhuma besteira e apenas respondi: “Quem é gay?”
E saí em direção ao banheiro. Saindo do recinto me encontro com Anna.
“Liam! Tudo bem com você?” ela perguntou preocupada.
“Tudo sim, por quê?” perguntei desconfiado.
“Ahh… nada não. Deixa.”
“O que foi Anna?” Eu perguntei já nervoso.
“Bom, o Doug anda espalhando o boato de que você é gay. Mas não se preocupe, ninguém acredita nele mesmo.” Ela disse tentando me tranqüilizar.
Ótimo! Tudo que eu precisava era metade da cidade especulando sobre a minha sexualidade. Então eu desisti de ir ao banheiro e fui falar com Doug.
“Doug!” O puxei de uma conversa “O que você anda espalhando sobre mim por aí?”
“Eu?! Eu não espalho nada…” tentou se defender.
“Bom, não foi isso que eu ouvi por aí.” Falei.
Nesse momento chega Bianca e entra no meio da conversa.
“Will, eu sou feia?”
“Não.” respondi.
“Estou gorda?”
“Não.”
“Estou fedendo?”
“Não.”
“Então por que diabos você não me beija logo?”
Aquilo me pegou de surpresa, porque eu nunca imaginei que ela tivesse qualquer tipo de interesse por mim. Estava claro que ela estava um pouco alta por causa da bebida, mas mesmo assim eu nunca pensei que ela fosse do tipo que fizesse esse tipo de pergunta na frente de várias pessoas. Então eu fiquei sem ação e enquanto todas essas questões rondavam minha cabeça eu fiquei mudo e estático.
“É Will, por que você não a beija?” Provocou Theo com o mesmo riso sem vergonha do início da noite.
Com ou sem efeito de todo álcool que eu tinha bebido naquela noite, parei de pensar e mandei todos se explodirem de uma vez só com um único gesto: eu a beijei ali mesmo, na frente de todos e sem falar nada.

30
Dec

2 sentimentos 1 coração

   Posted by: Poly   in Quimera

E dois dias depois ela pediu demissão. Fiquei sabendo pela Jess que ela tinha começado a trabalhar com o Theo. Não falei mais com nenhum dos dois, mas eu sabia que eles não estavam me evitando, eles estavam querendo um tempo, sem o William chato para se intrometer no meio da história.
Não sei por quanto tempo eu fiquei sem falar com eles, pois andei bastante ocupado no trabalho e com os estudos, sem ter tempo até para ver o tempo passar, mas acho que foi cerca de um ou dois meses.
Então em um dia normal de trabalho, Anna aparece lá para falar comigo.
“Liam!” Ele chamou e foi correndo a meu encontro e nos abraçamos.
“Ei Pequena! Há quanto tempo! Estava com saudades. Como vai?”
“Bem e você?”
“Estou bem também, tudo na mesma, para falar a verdade.”
“Bom…” ela fez um pausa e então anunciou sorrindo “Liam, eu tenho uma novidade e queria que você fosse o primeiro a saber.”
“Qual?” perguntei ansioso.
“Bem, outro dia estava conversando o pai do Theo sobre estudos e ele disse que me ajudaria a entrar em uma universidade e quando eu terminasse os estudos ele disse que me contrataria como advogada.” Ela disse animada.
“Poxa! Que legal Anna!” Apoiei.
“Sim, acabei de pegar os programas das universidades para eu dar uma olhada com calma.”
“Que bom, Anna, fico feliz por você. Você merece.”
“Obrigada Liam. E você? Como vão os estudos?”
“Estão rendendo.”
“Bom, agora não vá perder o prazo de inscrição que está chegando.” Ela orientou.
“Claro, você também, doutora Anna.”
“Estou de olho e Theo está me ajudando também.”
“E o que ele acha disso? De ter que ficar longe de você quando você for estudar em outra cidade?”
“Ahh… não vamos ficar longe, ele vai comigo.”
“Ah! Quem bom então.” A resposta dela me surpreendeu tanto que eu não consegui falar outra coisa. Era bom ver que eles estavam bem, mas ainda em algum lugar dentro de mim eu ainda não o tinha esquecido e por mais que eu tivesse certeza de que jamais eu terei algo com ele, aquilo me machucava de alguma forma.
“Sim.” Ela falou ainda sorridente. “Bem, preciso ir agora Liam, tenho que voltar ao trabalho, mas foi bom te ver.”
“Tudo bem, também gostei muito de te ver minha pequena, se cuida.”
Nos abraçamos e ela foi embora.
E depois que ela saiu fui tomado por um sentimento de felicidade e ao mesmo tempo de tristeza que me deixou pensativo pelo resto do dia. Estava feliz por todas as coisas boas que estavam acontecendo na vida da Anna, mas naquela parte do meu coração onde ainda vivia um amor platônico adormecido o que existia era um sentimento de inveja e ciúmes. Eu trocaria tudo que tinha para ser a Anna por um dia apenas e sei que valeria a pena.

30
Dec

“Você também merece ser feliz”

   Posted by: Poly   in Quimera

Não falei mais com Anna depois daquele dia. No trabalho eu passei a ir mais para sair mais cedo. Às vezes eu parava e ficava olhando-a trabalhar, mas quando ela percebia que eu a estava observando eu desviava o olhar.
Eu ainda estava chateado com o que aconteceu e não queria falar com ela, além disso, eu ainda tinha um pouco de dignidade dentro de mim que me impedia de procurá-la.
Até minha mãe estranhou nosso distanciamento e perguntou o que estava havendo, mas eu desconversei, não estava interessada em falar da Anna naquele momento.
Acho que umas duas semanas depois daquilo eu estava no meu quarto estudando, na mesinha em frente à cama, quando Anna entra no meu quarto.
“Por que você inventou aquilo?” ela perguntou diretamente, enquanto batia a porta atrás dela.
“Inventei o que?” reagi assustado.
“Que era gay. Por que você inventou isso?”
“Eu não inventei nada Anna”
“Não precisa mentir, eu sei que você falou aquilo para não me machucar ainda mais, mas não precisava. Você me magoou da mesma forma.” Ela afirmou olhando para o chão, pensativa.
“Anna, eu nunca quis, em momento algum te magoar, eu sinto muito, de verdade. Se eu pudesse, eu mudaria as coisas só para não te ver sofrendo.” Nesse momento eu me levantei, cheguei perto dela e segurei suas mãos.
“Eu sei que você não fez por mal, mas mesmo assim…” ela disse chorosa.
“Olha, vem cá. Sente-se aqui.” Disse segurando suas mãos e caminhando em direção à cama para sentarmos. “Precisamos conversar.”
Ela sentou, balançou a cabeça em sinal negativo e disse: “Eu só queria te entender.”
“Anna, eu gosto muito de você, eu te amo, mas nunca te amarei da forma como você espera…” Então ela começou a chorar silenciosamente.
“Eu não posso te amar desse jeito, Anna.”
“Mas por que?”
“Eu sou gay, Anna.”
“MENTIRA!!” Ela gritou e segurou minha camisa com ambas as mãos apertando com raiva “você sempre namorou com outras meninas…”
“Pequena…” eu falei, enquanto enxugava as lágrimas do rosto dela com a mão “olha pra mim, eu nunca menti pra você, por que você acha que eu mentiria agora?”
Ela me olhou nos olhos, ficou quieta por alguns instantes e me abraçou. “Mas por que Liam?”
“Eu nasci assim.” Respondi.
Ficamos um tempo abraçados em silêncio, mas pude sentir que ela ainda chorava. Então finalmente eu beijei sua cabeça e disse: “Olha, você tem um namorado muito legal, que te ama muito e não merece que você faça isso com ele.” Ainda em silêncio ela me soltou e balançou a cabeça em sinal positivo enquanto enxugava as lágrimas.
“Cuida bem dele, vocês merecem serem felizes.” Eu disse.
Ela então recostou a cabeça na parede, deu um suspiro e ficou olhando para o meu teto, enquanto eu continuei observando-a. Não sei por quanto tempo ficamos ali parados, imóveis, sem trocarmos qualquer tipo de palavra, mas o tempo naquele momento era o que menos importava.
Então ela se levantou, disse que precisava ir e saiu. Eu não tentei impedir, eu não falei mais nada, apenas a observei saindo e falar antes de fechar a porta: “Você também merece ser feliz, Liam.”

Depois daquilo eu fui para casa, decidi dar um tempo para Anna. Eu também precisava de um tempo sozinho para pensar.
Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi tomar um banho, desses banhos demorados que lavam até a alma. Deixei a água caindo na minha cabeça e aliviando a tensão dos meus ombros e cheguei a única conclusão que poderia tirar naquele momento. Eu não sabia se aquele era o momento certo, mas eu precisava conversar com alguém e talvez eu devesse falar da minha opção sexual para Anna. Talvez assim ela entendesse a situação.
E poxa, eu gostava de conversar com ela e não estava gostando das últimas atitudes dela. Eu estava sendo eu e queria que continuássemos sendo nós, como éramos antigamente antes dela me atacar no meu quarto, mas do jeito que ela agia era difícil.
Então, talvez contando a ela as coisas pudessem se resolver. Eu iria fazer isso, não sabia quando, mas acho que deveria esperar ela menos voltar a falar comigo ou essa loucura toda sair da cabeça dela.
Nos dias seguintes à nossa última conversa Anna continuou distante e eu tentei não forçar a barra, indo atrás dela. Uma semana se passou e a gente ainda nessa situação, então eu resolvi ir à casa dela e conversar com ela e quem sabe contar a ela que eu era gay.
Cheguei à casa dela e já estava escurecendo, toque a campainha e fiquei esperando. Acho que fiquei em pé por uns 2 minutos ali olhando para a porta, quando escuto uma voz atrás de mim:
“O que você está fazendo aqui?” Era Theo, com um semblante nada amigável.
“Vim conversar com Anna.” Respondi.
“Você ainda não entendeu que ela não quer conversar com você?” ele falou ainda mais ríspido. Quem era aquele clone do Theo com personalidade distorcida?
“Sim, exatamente por isso que eu preciso falar com ela.” Falei ainda tentando manter a calma. Tudo bem, eu gostava dele, mas eu não sou idiota para ouvir grosseria de graça e já estava começando a perder a paciência com aquela idiotice toda.
“Olha cara, não é nada pessoal, mas você já está começando a ficar chato…” Ele começou a falar. Mas calma aí: chato eu? Opa! Acho que eu preciso de uma explicação muito boa agora. “Olha só, eu sei que você pode ter mudado de idéia, mas acho que agora está meio tarde, segue sua vida cara, a Anna está comigo agora.” Ele concluiu.
“Quantas vezes eu preciso falar que eu NÃO ESTOU AFIM DA ANNA?” falei alterando o tom de voz, o que não deve ter sido uma boa idéia, já que pouco tempo depois ela abriu a porta.
“Não é bem isso que está parecendo…”
“Acredite no que quiser, eu não me importo.” E dei de ombros
“Mas eu me importo. Eu não acredito em você e muito menos confio em você com minha namorada.” Ele disse ainda mais nervoso.
Nesse momento Anna abre a porta. “O que está acontecendo aqui?”
“Seu namoradinho idiota está com ciúmes.” Não consegui me segurar.
“Ele não é idiota e eu não admito que você fale assim comigo William.” Ela nunca, em hipótese alguma me chamava de William, seria melhor ter sido xingado do que isso.
“Bom, não é só você que tem o direito de sentir ciúmes da Anna.” Disse Theo.
“Certo. Vou tentar ser mais claro ainda e vocês me digam qual o parte do ‘eu não estou afim da Anna’ vocês não entenderam.” Estava cansado dessa palhaçada e nem me importava mais em magoar qualquer um deles.
“Você fala isso, mas suas atitudes não demonstram isso. Na verdade, nunca demonstraram…” Começou Theo. “Sempre que eu falava dela com você seu semblante mudava e você trocava de assunto. E ainda inventava que era ciúme de irmão. Olha cara, eu tenho duas irmãs e nunca fui assim com elas.”
“E você acha que se eu gostasse dela no dia que ela entrou no meu quarto e disse que estava apaixonada, eu ia falar que não queria nada com ela? Que tipo de louco você acha que eu sou?”
“Medo de compromisso, sei lá, eu não estou dentro da sua cabeça.”
“Se você estivesse dentro da minha cabeça eu não precisaria repetir um milhão de vezes que eu não quero nada com sua namorada ou qualquer coisa que vocês tenham”
“SERÁ QUE VOCÊ PODE PELO AMOR DE DEUS PARAR DE REPETIR QUE NÃO GOSTA DE MIM? Isso dói!” Gritou Anna.
“Anna!” falamos os dois ao mesmo tempo.
“CARAMBA WILLIAM! Você me deu o maior fora da minha vida e quando eu finalmente supero e estou bem com um cara legal você volta, age como se nada aconteceu, faz todas as coisas bacanas que me fizeram me apaixonar por você uma vez e depois pergunta se eu ainda gosto de você como se quisesse alguma coisa e depois repete dezenas de vezes que não gosta de mim. Você não pode ser menos canalha?” E ela desabou chorando, nos braços dele dessa vez.
“Cara, chega de perturbar e vai embora, por favor.” Disse Theo enquanto abraçava minha pequena do jeito que eu fazia todas vezes que ela chegava lá em casa chateada com algum problema e dessa vez eu era o problema.
“Anna…” tentei falar.
“VAI EMBORA WILLIAM!” ela gritou entre lágrimas.
“Eu só queria dizer…” tentei mais uma vez, já que nada mais me importava.
“Will, vai embora.” Disse Theo pela última vez.
“Que sou gay. Eu só queria dizer que sou gay.” E saí, sem nem esperar qualquer tipo de reação ou resposta deles.

29
Dec

Confuso?!

   Posted by: Poly   in Quimera

O fato é que depois de voltado de Paris meu pai, de certo modo, estava mais confiante em mim e me chamou para trabalhar com ele no restaurante novamente. Se ele tinha esquecido de todo meu vexame como garçom, tudo bem, desde que eu não visse mais pratos e copos na minha frente. Eu comecei a fazer todos os trabalhos externos do restaurante: ir ao banco, fazer pagamento de contas e funcionários, levar documentos de um lado para outro, entre outras coisas. O lado positivo disso tudo era que como o restaurante era pequeno não havia muito trabalho para mim e eu poderia estudar o restante do tempo. Em pouco tempo eu criei uma rotina de entrar um pouco mais tarde e sair junto com a Anna, para que a gente pudesse ir conversando no caminho de volta.
Numa dessas voltas para casa, resolvi perguntar sobre ela e Theo…
“Ah, ele é legal, um pouco possessivo, mas é legal.”
“Você gosta dele?” Não sei por que eu resolvi perguntar, mas simplesmente saiu.
“Eu… eu não deveria falar dessas coisas com você” Ela respondeu não querendo tocar no assunto.
“Por quê?”
“Há três meses eu era apaixonada por você, é estranho falar sobre isso.” Nesse momento da conversa já estávamos em frente à casa dela e ela respondeu, me deu as costas e foi caminhando em direção da porta.
“Era?”
Ela parou em frente à porta, se virou para mim e disse: “Não se faça de tonto, Liam! Você sabe de tudo e NÃO ME CONFUNDA MAIS!”
Então ela se virou novamente, entrou em casa e bateu a porta, sem que eu pudesse responder qualquer coisa.
Fiquei ali parado por alguns instantes, depois resolvi ir para casa, não poderia fazer nada naquele momento.
No dia seguinte ela tentava se esquivar de mim no trabalho, mas eu fingi que nada tinha acontecido. Terminei meus afazeres e sentei na soleira, esperando ela sair. Ela passou por mim, sem nem falar comigo e eu resolvi levantar e ir atrás dela.
“ANNA! ESPERA!!”
Ela já tinha andando por mais ou menos 4 metros e resolveu parar e me dar atenção, ou sei lá o que.
“O que foi?”
“’O que foi’ digo eu. Será que você pode me dizer o que foi que eu te fiz?”
“Nada, Liam. Nada” ela respondeu secamente.
“Ótimo, então podemos continuar a rotina de te acompanhar até em casa…”
“Acho melhor não, Liam” Ela disse olhando para o chão.
“Mas por quê?” perguntei.
“Porque você quer me confundir!” Ela finalmente olhou para mim.
“Eu não quero te confundir, Anna.” Afirmei.
“Não??? Como não?! Primeiro você diz que não quer nada comigo, depois você fica morrendo de ciúmes porque eu estou saindo com o Theo, aí você some e quando eu acho que está tudo certo você volta, age como se nada tivesse acontecido e fica querendo que eu volte a gostar de você.”
“Eu não quero te confundir, nem que você volte a gostar de mim ou sei lá o que. Eu não posso ser seu amigo apenas?”
“Só quando você aprender a não me confundir.”
“E como eu faço isso? Me ensina?”
“Isso você terá que descobrir sozinho…” E deu as costas e saiu andando sozinha, sem olhar p/ trás.
“Anna, desculpa.” Eu sussurrei.

29
Dec

Reencontros

   Posted by: Poly   in Quimera

A segunda pessoa com quem me encontrei após meu retorno para casa foi Jess, que demonstrou estar um pouco chateada porque meus planos iniciais não deram tão certo assim. Ela acreditava que de certo modo a responsabilidade era dela, mas não era, eu fui porque eu quis e se as coisas não saíram exatamente como imaginadas, não um culpado nisso.
Depois de uns dias que eu cheguei o pessoal resolveu se encontrar na pizzaria para eu contar as novidades e aventuras de Paris. Nos reunimos no lugar de sempre, no horário de costume.
Eu imaginava que ninguém chegaria no horário, então tentei me atrasar um pouco e quando cheguei todos já estavam presentes.
As primeiras pessoas que vi ao sair do carro foram Anna e Theo, eles estavam na porta do estabelecimento, provavelmente me esperando. Anna vestia um vestido preto e branco de saia rodada e por cima um casaco preto, combinando. Os cabelos estavam soltos, sendo balançados pelo vente leve que soprava naquela noite. A seu lado, estava Theo, vestindo a calça jeans e a camiseta de costume, mas a cor da camiseta – um azul da cor do céu – realçava ainda mais seus olhos e ao vê-lo, ali daquele jeito, me fez lembrar de todos os sentimentos que eu tinha conseguido guardar durante minha estadia em Paris e aquilo me fez sentir novamente o frio na nuca, que descia por toda minha coluna e as malditas borboletas na barriga.
Bom, pelo menos por um instante, pois quando meus olhos conseguiram ver a cena como um todo, as borboletas foram espantadas e só me restou o frio. Theo estava com o braço ao redor de Anna e, carinhosamente pousava a mão sobre seus ombros e ela, delicadamente, acariciava seus dedos.
Então, tomei o último fôlego e caminhei em direção a eles.
“Liam!!! Até que enfim!” Exclamou Anna ao me ver e saiu correndo em minha direção, um pouco desconsertada por eu ter presenciado a cena dos dois juntos.
“Desculpe o atraso.” Disse sem procurar me justificar, enquanto a abraçava.
“Ei, Will!” Cumprimentou Theo alegremente, enquanto me estendia a mão. “Como vai cara?” Ele me perguntou enquanto apertava minha mão com vigor e me dava um tapinha no ombro.
“Acho que agora estou bem.” Respondi olhando nos olhos dele que brilhavam de satisfação como nunca. Eu sabia perfeitamente o motivo, por mais que eu ainda não fosse informado oficialmente da novidade. Ele estava assim por causa da Anna e por mais que ela fosse minha melhor amiga, naquele momento eu a invejei. Quem dera eu, fazer alguém ter o mesmo brilho nos olhos, quem dera se esse alguém fosse… Bem, deixa pra lá.
“Vamos entrar, o pessoal já está aí dentro.” Interrompeu Anna, praticamente nos empurrando para dentro.
Tivemos uma noite divertida, selecionei minhas melhores histórias de Paris, que não eram muitas, mas mesmo assim foram suficientes para divertir meus amigos e ouvi as novidades da cidade, que eram em menor quantidade que minhas histórias e bem menos interessantes. Bom, quero dizer, nem todas as novidades eram interessantes, mas algumas… Finalmente me apresentaram ao casal Anna e Theo – o que fez Anna corar e mudar rapidamente de assunto – e descobri que Jess tinha caído na lábia de Doug. Por algum motivo – provavelmente tédio – o cupido resolveu atirar umas flechas pela cidade e uma delas atingiu Jess sem querer. Não que eu tivesse algo contra o relacionamento dos meus amigos, mas a Jess é tão inteligente para se envolver com alguém cujo maior passatempo é inventar histórias. Pelo menos, uma coisa foi boa nessa história, notei que Doug conversava bem menos. Talvez Jess tenha feito algum trato com ele do tipo: “só saio com você se você falar menos e parar de inventar histórias.” Quem sabe…
Então isso significava que as únicas pessoas solteiras do grupo era eu e Bianca. E até rolou comentários – uma das poucas vezes que o Doug abriu a boca – sem graça, de que eu deveria sair com ela.
Bem, mesmo se minha condição fosse outra, era muito pouco provável que eu saísse com ela: primeiro porque minha condição financeira não era muito boa e ela não iria se interessar por mim e segundo porque tem horas que ela chega a ser tão fútil que eu não sei o que conversar com ela.
Mas eu não ia falar isso, então apenas respondi que ela não iria se interessar por alguém tão feio quanto eu e o assunto se deu por encerrado.

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