Ano novo…
O Natal não foi muito animador e o ano que chegava também não trazia muitas esperanças positivas.
Pelo menos, as coisas andavam mais ou menos encaminhadas para Anna. O pai dela foi para a capital fazer o tratamento médico acompanhado da mãe e por mais que gostaríamos que eles ficassem lá por um curto período a realidade não era tão promissora, então o nos restava era esperar.
Anna ficou em Comtè De Bounevialle e continuou trabalhando. Os pais dela decidiram vender mesmo a casa e irem para Paris, o dinheiro da venda dava para eles ficarem o tempo necessário por lá e pagar as despesas médicas. O problema era esperar até a venda, mas como a cidade, apesar de pequena estava em constante crescimento aquilo seria só uma questão de tempo.
Como a venda da casa era certa e possivelmente próxima, Anna foi morar com Theo e com isso tudo eu acabei me reaproximando deles. Bom, depois do episódio do Halloween eu acabei me afastando um pouco deles, principalmente do Theo, mas com tudo isso acontecendo com a Anna eu precisava estar mais presente na vida dela e aos poucos fomos nos reaproximando. No fim, Theo estava pouco se importando para minhas atitudes idiotas, principalmente agora que eles estavam morando juntos, afinal de contas, ele quem ficou com a garota e ela agora tinha certeza de que queria ficar com ele.
No Natal eles já estavam morando juntos e foi a primeira celebração deles como casal morando na mesma casa e para o Ano Novo eu e Theo estivemos conversando e achamos que seria interessante fazermos uma pequena festa na casa deles, apenas com os amigos mais próximo para tentar distrair Anna dos pensamentos sobre Paris.
Como a festa seria um segredo – o plano era dele contar apenas que eu estaria passar a virada com eles – nós dividimos as tarefas para organizá-la e a parte de convidar o pessoal sobrou para mim.
Digamos que eu não peguei a melhor das tarefas, afinal de contas depois do Halloween não apenas meu relacionamento com Anna e Theo ficou abalado como o meu com meus antigos amigos. Mesmo ninguém tendo tocado no assunto depois daquele dia, minha imagem perante meus amigos não foi mais a mesma.
Mas apesar de todo meu receio para efetuar as ligações e fazer o convite, fui melhor aceito do que imaginei. O pessoal já sabia o que estava acontecendo com Anna, então quando falei do propósito da comemoração todos aceitaram prontamente, inclusive a Bianca.
Então no último dia do ano, um pouco depois das dez da noite aparecemos no apartamento do Theo, eu, Doug, Jess e Bianca, acompanhados de bastante champanhe e comida.
Anna se surpreendeu com nossa chegava e pelos olhinhos brilhantes dela, tenho certeza de que adorou a surpresa.
Celebração de praxe com os mesmos desejos e promessas de todo ano sendo feitos, só que agora era diferente, as coisas estavam mudando e a chegava de um novo ano trazia também todas as incertezas e receios de um futuro duvidoso. E isso podia ser notado olhando para Anna, que mesmo presente e brincando com a gente, eu notava que por diversas vezes seu pensamento estava longe.
Quando os dois ponteiros do relógio se encontraram anunciando a chegada de um novo ano nos abraçamos coletivamente ao som de vários gritos e desejos de um ótimo ano. Após o estouro de algumas champanhes e enquanto as pessoas comiam e conversavam, Anna me puxou para a varanda por alguns instantes.
“Obrigada, Liam.” Ela disse assim que saímos do alcance visual do pessoal.
“Agradeça seu namorado, tem dedo dele no meio.” Eu falei.
“Mas a idéia foi sua que eu sei.”
“Pode ser… mas o que interessa é se você gostou da surpresa.” Disse sorrindo.
Ela balançou a cabeça em sinal positivo e então disse:: “Sabe, você é e tem sido meu melhor amigos por tanto tempo e está sempre por perto para me ajudar, que eu nem sei o que seria da minha vida sem você. E por tudo isso…” Ela começou a chorar “… eu queria te agradecer… por sempre estar por perto.”
Eu a abracei forte e ficamos algum tempo abraçados naquela varanda fria, mas o carinho que tínhamos um pelo outro e nossa amizade nos mantinha aquecidos e o frio externo não chegava a incomodar. “Eu que te agradeço por me deixar participar da sua vida minha pequena. Você também é e sempre será minha melhor amiga” Falei retribuindo o carinho.
E ela me soltou e apoiou o corpo na varanda e ficou contemplando a vista da cidade fria, coberta por uma fina camada de neve, que estava começando a virar gelo liso e escorregadio. Depois de um breve silêncio ela se virou para mim e disse: “hoje eu fico feliz por você ter me dado um fora. Por causa daquilo, hoje eu tenho dois homens incríveis na minha vida.”
“Bom, há males que vem para o bem.”
“Eu só queria me apaixonar por ele da forma como eu fui apaixonada por você.”
Mas antes que eu pudesse responder alguma coisa Theo apareceu na varanda.
“Olha só! Acabamos de falar de você Theo, na verdade, Anna acabou de pronunciar seu nome.”
“É mesmo? O que?” E ele a abraçou por trás carinhosamente.
“Ahh só disse que estava feliz por ter vocês dois na minha vida…” ela respondeu timidamente.
“Fico contente em saber que estou em pé de concorrência com ilustríssimo William aqui.” Ele disse e beijou seus cabelos.
“São anos de convivência Theo, um dia, quem sabe você chega a meu status…” respondi e voltei para a sala, deixando os dois sozinhos na varanda.