Archive for December, 2009

30
Dec

2 sentimentos 1 coração

   Posted by: Poly    in Quimera

E dois dias depois ela pediu demissão. Fiquei sabendo pela Jess que ela tinha começado a trabalhar com o Theo. Não falei mais com nenhum dos dois, mas eu sabia que eles não estavam me evitando, eles estavam querendo um tempo, sem o William chato para se intrometer no meio da história.
Não sei por quanto tempo eu fiquei sem falar com eles, pois andei bastante ocupado no trabalho e com os estudos, sem ter tempo até para ver o tempo passar, mas acho que foi cerca de um ou dois meses.
Então em um dia normal de trabalho, Anna aparece lá para falar comigo.
“Liam!” Ele chamou e foi correndo a meu encontro e nos abraçamos.
“Ei Pequena! Há quanto tempo! Estava com saudades. Como vai?”
“Bem e você?”
“Estou bem também, tudo na mesma, para falar a verdade.”
“Bom…” ela fez um pausa e então anunciou sorrindo “Liam, eu tenho uma novidade e queria que você fosse o primeiro a saber.”
“Qual?” perguntei ansioso.
“Bem, outro dia estava conversando o pai do Theo sobre estudos e ele disse que me ajudaria a entrar em uma universidade e quando eu terminasse os estudos ele disse que me contrataria como advogada.” Ela disse animada.
“Poxa! Que legal Anna!” Apoiei.
“Sim, acabei de pegar os programas das universidades para eu dar uma olhada com calma.”
“Que bom, Anna, fico feliz por você. Você merece.”
“Obrigada Liam. E você? Como vão os estudos?”
“Estão rendendo.”
“Bom, agora não vá perder o prazo de inscrição que está chegando.” Ela orientou.
“Claro, você também, doutora Anna.”
“Estou de olho e Theo está me ajudando também.”
“E o que ele acha disso? De ter que ficar longe de você quando você for estudar em outra cidade?”
“Ahh… não vamos ficar longe, ele vai comigo.”
“Ah! Quem bom então.” A resposta dela me surpreendeu tanto que eu não consegui falar outra coisa. Era bom ver que eles estavam bem, mas ainda em algum lugar dentro de mim eu ainda não o tinha esquecido e por mais que eu tivesse certeza de que jamais eu terei algo com ele, aquilo me machucava de alguma forma.
“Sim.” Ela falou ainda sorridente. “Bem, preciso ir agora Liam, tenho que voltar ao trabalho, mas foi bom te ver.”
“Tudo bem, também gostei muito de te ver minha pequena, se cuida.”
Nos abraçamos e ela foi embora.
E depois que ela saiu fui tomado por um sentimento de felicidade e ao mesmo tempo de tristeza que me deixou pensativo pelo resto do dia. Estava feliz por todas as coisas boas que estavam acontecendo na vida da Anna, mas naquela parte do meu coração onde ainda vivia um amor platônico adormecido o que existia era um sentimento de inveja e ciúmes. Eu trocaria tudo que tinha para ser a Anna por um dia apenas e sei que valeria a pena.

30
Dec

“Você também merece ser feliz”

   Posted by: Poly    in Quimera

Não falei mais com Anna depois daquele dia. No trabalho eu passei a ir mais para sair mais cedo. Às vezes eu parava e ficava olhando-a trabalhar, mas quando ela percebia que eu a estava observando eu desviava o olhar.
Eu ainda estava chateado com o que aconteceu e não queria falar com ela, além disso, eu ainda tinha um pouco de dignidade dentro de mim que me impedia de procurá-la.
Até minha mãe estranhou nosso distanciamento e perguntou o que estava havendo, mas eu desconversei, não estava interessada em falar da Anna naquele momento.
Acho que umas duas semanas depois daquilo eu estava no meu quarto estudando, na mesinha em frente à cama, quando Anna entra no meu quarto.
“Por que você inventou aquilo?” ela perguntou diretamente, enquanto batia a porta atrás dela.
“Inventei o que?” reagi assustado.
“Que era gay. Por que você inventou isso?”
“Eu não inventei nada Anna”
“Não precisa mentir, eu sei que você falou aquilo para não me machucar ainda mais, mas não precisava. Você me magoou da mesma forma.” Ela afirmou olhando para o chão, pensativa.
“Anna, eu nunca quis, em momento algum te magoar, eu sinto muito, de verdade. Se eu pudesse, eu mudaria as coisas só para não te ver sofrendo.” Nesse momento eu me levantei, cheguei perto dela e segurei suas mãos.
“Eu sei que você não fez por mal, mas mesmo assim…” ela disse chorosa.
“Olha, vem cá. Sente-se aqui.” Disse segurando suas mãos e caminhando em direção à cama para sentarmos. “Precisamos conversar.”
Ela sentou, balançou a cabeça em sinal negativo e disse: “Eu só queria te entender.”
“Anna, eu gosto muito de você, eu te amo, mas nunca te amarei da forma como você espera…” Então ela começou a chorar silenciosamente.
“Eu não posso te amar desse jeito, Anna.”
“Mas por que?”
“Eu sou gay, Anna.”
“MENTIRA!!” Ela gritou e segurou minha camisa com ambas as mãos apertando com raiva “você sempre namorou com outras meninas…”
“Pequena…” eu falei, enquanto enxugava as lágrimas do rosto dela com a mão “olha pra mim, eu nunca menti pra você, por que você acha que eu mentiria agora?”
Ela me olhou nos olhos, ficou quieta por alguns instantes e me abraçou. “Mas por que Liam?”
“Eu nasci assim.” Respondi.
Ficamos um tempo abraçados em silêncio, mas pude sentir que ela ainda chorava. Então finalmente eu beijei sua cabeça e disse: “Olha, você tem um namorado muito legal, que te ama muito e não merece que você faça isso com ele.” Ainda em silêncio ela me soltou e balançou a cabeça em sinal positivo enquanto enxugava as lágrimas.
“Cuida bem dele, vocês merecem serem felizes.” Eu disse.
Ela então recostou a cabeça na parede, deu um suspiro e ficou olhando para o meu teto, enquanto eu continuei observando-a. Não sei por quanto tempo ficamos ali parados, imóveis, sem trocarmos qualquer tipo de palavra, mas o tempo naquele momento era o que menos importava.
Então ela se levantou, disse que precisava ir e saiu. Eu não tentei impedir, eu não falei mais nada, apenas a observei saindo e falar antes de fechar a porta: “Você também merece ser feliz, Liam.”

Depois daquilo eu fui para casa, decidi dar um tempo para Anna. Eu também precisava de um tempo sozinho para pensar.
Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi tomar um banho, desses banhos demorados que lavam até a alma. Deixei a água caindo na minha cabeça e aliviando a tensão dos meus ombros e cheguei a única conclusão que poderia tirar naquele momento. Eu não sabia se aquele era o momento certo, mas eu precisava conversar com alguém e talvez eu devesse falar da minha opção sexual para Anna. Talvez assim ela entendesse a situação.
E poxa, eu gostava de conversar com ela e não estava gostando das últimas atitudes dela. Eu estava sendo eu e queria que continuássemos sendo nós, como éramos antigamente antes dela me atacar no meu quarto, mas do jeito que ela agia era difícil.
Então, talvez contando a ela as coisas pudessem se resolver. Eu iria fazer isso, não sabia quando, mas acho que deveria esperar ela menos voltar a falar comigo ou essa loucura toda sair da cabeça dela.
Nos dias seguintes à nossa última conversa Anna continuou distante e eu tentei não forçar a barra, indo atrás dela. Uma semana se passou e a gente ainda nessa situação, então eu resolvi ir à casa dela e conversar com ela e quem sabe contar a ela que eu era gay.
Cheguei à casa dela e já estava escurecendo, toque a campainha e fiquei esperando. Acho que fiquei em pé por uns 2 minutos ali olhando para a porta, quando escuto uma voz atrás de mim:
“O que você está fazendo aqui?” Era Theo, com um semblante nada amigável.
“Vim conversar com Anna.” Respondi.
“Você ainda não entendeu que ela não quer conversar com você?” ele falou ainda mais ríspido. Quem era aquele clone do Theo com personalidade distorcida?
“Sim, exatamente por isso que eu preciso falar com ela.” Falei ainda tentando manter a calma. Tudo bem, eu gostava dele, mas eu não sou idiota para ouvir grosseria de graça e já estava começando a perder a paciência com aquela idiotice toda.
“Olha cara, não é nada pessoal, mas você já está começando a ficar chato…” Ele começou a falar. Mas calma aí: chato eu? Opa! Acho que eu preciso de uma explicação muito boa agora. “Olha só, eu sei que você pode ter mudado de idéia, mas acho que agora está meio tarde, segue sua vida cara, a Anna está comigo agora.” Ele concluiu.
“Quantas vezes eu preciso falar que eu NÃO ESTOU AFIM DA ANNA?” falei alterando o tom de voz, o que não deve ter sido uma boa idéia, já que pouco tempo depois ela abriu a porta.
“Não é bem isso que está parecendo…”
“Acredite no que quiser, eu não me importo.” E dei de ombros
“Mas eu me importo. Eu não acredito em você e muito menos confio em você com minha namorada.” Ele disse ainda mais nervoso.
Nesse momento Anna abre a porta. “O que está acontecendo aqui?”
“Seu namoradinho idiota está com ciúmes.” Não consegui me segurar.
“Ele não é idiota e eu não admito que você fale assim comigo William.” Ela nunca, em hipótese alguma me chamava de William, seria melhor ter sido xingado do que isso.
“Bom, não é só você que tem o direito de sentir ciúmes da Anna.” Disse Theo.
“Certo. Vou tentar ser mais claro ainda e vocês me digam qual o parte do ‘eu não estou afim da Anna’ vocês não entenderam.” Estava cansado dessa palhaçada e nem me importava mais em magoar qualquer um deles.
“Você fala isso, mas suas atitudes não demonstram isso. Na verdade, nunca demonstraram…” Começou Theo. “Sempre que eu falava dela com você seu semblante mudava e você trocava de assunto. E ainda inventava que era ciúme de irmão. Olha cara, eu tenho duas irmãs e nunca fui assim com elas.”
“E você acha que se eu gostasse dela no dia que ela entrou no meu quarto e disse que estava apaixonada, eu ia falar que não queria nada com ela? Que tipo de louco você acha que eu sou?”
“Medo de compromisso, sei lá, eu não estou dentro da sua cabeça.”
“Se você estivesse dentro da minha cabeça eu não precisaria repetir um milhão de vezes que eu não quero nada com sua namorada ou qualquer coisa que vocês tenham”
“SERÁ QUE VOCÊ PODE PELO AMOR DE DEUS PARAR DE REPETIR QUE NÃO GOSTA DE MIM? Isso dói!” Gritou Anna.
“Anna!” falamos os dois ao mesmo tempo.
“CARAMBA WILLIAM! Você me deu o maior fora da minha vida e quando eu finalmente supero e estou bem com um cara legal você volta, age como se nada aconteceu, faz todas as coisas bacanas que me fizeram me apaixonar por você uma vez e depois pergunta se eu ainda gosto de você como se quisesse alguma coisa e depois repete dezenas de vezes que não gosta de mim. Você não pode ser menos canalha?” E ela desabou chorando, nos braços dele dessa vez.
“Cara, chega de perturbar e vai embora, por favor.” Disse Theo enquanto abraçava minha pequena do jeito que eu fazia todas vezes que ela chegava lá em casa chateada com algum problema e dessa vez eu era o problema.
“Anna…” tentei falar.
“VAI EMBORA WILLIAM!” ela gritou entre lágrimas.
“Eu só queria dizer…” tentei mais uma vez, já que nada mais me importava.
“Will, vai embora.” Disse Theo pela última vez.
“Que sou gay. Eu só queria dizer que sou gay.” E saí, sem nem esperar qualquer tipo de reação ou resposta deles.

29
Dec

Confuso?!

   Posted by: Poly    in Quimera

O fato é que depois de voltado de Paris meu pai, de certo modo, estava mais confiante em mim e me chamou para trabalhar com ele no restaurante novamente. Se ele tinha esquecido de todo meu vexame como garçom, tudo bem, desde que eu não visse mais pratos e copos na minha frente. Eu comecei a fazer todos os trabalhos externos do restaurante: ir ao banco, fazer pagamento de contas e funcionários, levar documentos de um lado para outro, entre outras coisas. O lado positivo disso tudo era que como o restaurante era pequeno não havia muito trabalho para mim e eu poderia estudar o restante do tempo. Em pouco tempo eu criei uma rotina de entrar um pouco mais tarde e sair junto com a Anna, para que a gente pudesse ir conversando no caminho de volta.
Numa dessas voltas para casa, resolvi perguntar sobre ela e Theo…
“Ah, ele é legal, um pouco possessivo, mas é legal.”
“Você gosta dele?” Não sei por que eu resolvi perguntar, mas simplesmente saiu.
“Eu… eu não deveria falar dessas coisas com você” Ela respondeu não querendo tocar no assunto.
“Por quê?”
“Há três meses eu era apaixonada por você, é estranho falar sobre isso.” Nesse momento da conversa já estávamos em frente à casa dela e ela respondeu, me deu as costas e foi caminhando em direção da porta.
“Era?”
Ela parou em frente à porta, se virou para mim e disse: “Não se faça de tonto, Liam! Você sabe de tudo e NÃO ME CONFUNDA MAIS!”
Então ela se virou novamente, entrou em casa e bateu a porta, sem que eu pudesse responder qualquer coisa.
Fiquei ali parado por alguns instantes, depois resolvi ir para casa, não poderia fazer nada naquele momento.
No dia seguinte ela tentava se esquivar de mim no trabalho, mas eu fingi que nada tinha acontecido. Terminei meus afazeres e sentei na soleira, esperando ela sair. Ela passou por mim, sem nem falar comigo e eu resolvi levantar e ir atrás dela.
“ANNA! ESPERA!!”
Ela já tinha andando por mais ou menos 4 metros e resolveu parar e me dar atenção, ou sei lá o que.
“O que foi?”
“’O que foi’ digo eu. Será que você pode me dizer o que foi que eu te fiz?”
“Nada, Liam. Nada” ela respondeu secamente.
“Ótimo, então podemos continuar a rotina de te acompanhar até em casa…”
“Acho melhor não, Liam” Ela disse olhando para o chão.
“Mas por quê?” perguntei.
“Porque você quer me confundir!” Ela finalmente olhou para mim.
“Eu não quero te confundir, Anna.” Afirmei.
“Não??? Como não?! Primeiro você diz que não quer nada comigo, depois você fica morrendo de ciúmes porque eu estou saindo com o Theo, aí você some e quando eu acho que está tudo certo você volta, age como se nada tivesse acontecido e fica querendo que eu volte a gostar de você.”
“Eu não quero te confundir, nem que você volte a gostar de mim ou sei lá o que. Eu não posso ser seu amigo apenas?”
“Só quando você aprender a não me confundir.”
“E como eu faço isso? Me ensina?”
“Isso você terá que descobrir sozinho…” E deu as costas e saiu andando sozinha, sem olhar p/ trás.
“Anna, desculpa.” Eu sussurrei.

29
Dec

Reencontros

   Posted by: Poly    in Quimera

A segunda pessoa com quem me encontrei após meu retorno para casa foi Jess, que demonstrou estar um pouco chateada porque meus planos iniciais não deram tão certo assim. Ela acreditava que de certo modo a responsabilidade era dela, mas não era, eu fui porque eu quis e se as coisas não saíram exatamente como imaginadas, não um culpado nisso.
Depois de uns dias que eu cheguei o pessoal resolveu se encontrar na pizzaria para eu contar as novidades e aventuras de Paris. Nos reunimos no lugar de sempre, no horário de costume.
Eu imaginava que ninguém chegaria no horário, então tentei me atrasar um pouco e quando cheguei todos já estavam presentes.
As primeiras pessoas que vi ao sair do carro foram Anna e Theo, eles estavam na porta do estabelecimento, provavelmente me esperando. Anna vestia um vestido preto e branco de saia rodada e por cima um casaco preto, combinando. Os cabelos estavam soltos, sendo balançados pelo vente leve que soprava naquela noite. A seu lado, estava Theo, vestindo a calça jeans e a camiseta de costume, mas a cor da camiseta – um azul da cor do céu – realçava ainda mais seus olhos e ao vê-lo, ali daquele jeito, me fez lembrar de todos os sentimentos que eu tinha conseguido guardar durante minha estadia em Paris e aquilo me fez sentir novamente o frio na nuca, que descia por toda minha coluna e as malditas borboletas na barriga.
Bom, pelo menos por um instante, pois quando meus olhos conseguiram ver a cena como um todo, as borboletas foram espantadas e só me restou o frio. Theo estava com o braço ao redor de Anna e, carinhosamente pousava a mão sobre seus ombros e ela, delicadamente, acariciava seus dedos.
Então, tomei o último fôlego e caminhei em direção a eles.
“Liam!!! Até que enfim!” Exclamou Anna ao me ver e saiu correndo em minha direção, um pouco desconsertada por eu ter presenciado a cena dos dois juntos.
“Desculpe o atraso.” Disse sem procurar me justificar, enquanto a abraçava.
“Ei, Will!” Cumprimentou Theo alegremente, enquanto me estendia a mão. “Como vai cara?” Ele me perguntou enquanto apertava minha mão com vigor e me dava um tapinha no ombro.
“Acho que agora estou bem.” Respondi olhando nos olhos dele que brilhavam de satisfação como nunca. Eu sabia perfeitamente o motivo, por mais que eu ainda não fosse informado oficialmente da novidade. Ele estava assim por causa da Anna e por mais que ela fosse minha melhor amiga, naquele momento eu a invejei. Quem dera eu, fazer alguém ter o mesmo brilho nos olhos, quem dera se esse alguém fosse… Bem, deixa pra lá.
“Vamos entrar, o pessoal já está aí dentro.” Interrompeu Anna, praticamente nos empurrando para dentro.
Tivemos uma noite divertida, selecionei minhas melhores histórias de Paris, que não eram muitas, mas mesmo assim foram suficientes para divertir meus amigos e ouvi as novidades da cidade, que eram em menor quantidade que minhas histórias e bem menos interessantes. Bom, quero dizer, nem todas as novidades eram interessantes, mas algumas… Finalmente me apresentaram ao casal Anna e Theo – o que fez Anna corar e mudar rapidamente de assunto – e descobri que Jess tinha caído na lábia de Doug. Por algum motivo – provavelmente tédio – o cupido resolveu atirar umas flechas pela cidade e uma delas atingiu Jess sem querer. Não que eu tivesse algo contra o relacionamento dos meus amigos, mas a Jess é tão inteligente para se envolver com alguém cujo maior passatempo é inventar histórias. Pelo menos, uma coisa foi boa nessa história, notei que Doug conversava bem menos. Talvez Jess tenha feito algum trato com ele do tipo: “só saio com você se você falar menos e parar de inventar histórias.” Quem sabe…
Então isso significava que as únicas pessoas solteiras do grupo era eu e Bianca. E até rolou comentários – uma das poucas vezes que o Doug abriu a boca – sem graça, de que eu deveria sair com ela.
Bem, mesmo se minha condição fosse outra, era muito pouco provável que eu saísse com ela: primeiro porque minha condição financeira não era muito boa e ela não iria se interessar por mim e segundo porque tem horas que ela chega a ser tão fútil que eu não sei o que conversar com ela.
Mas eu não ia falar isso, então apenas respondi que ela não iria se interessar por alguém tão feio quanto eu e o assunto se deu por encerrado.

28
Dec

O retorno a Comtè De Bounevialle

   Posted by: Poly    in Quimera

Após quase três meses em Paris resolvi voltar a Comté De Bounevialle. Paris foi bom, expandi meus horizontes, conheci novas pessoas, mas precisava voltar, a saudade falava mais alto e se eu ficasse mais um tempo longe acho que perderia a sanidade.
Consegui o emprego, mas aquilo não era o que eu queria para minha vida, trabalhava demais, ganhava demais, sofria pressão psicológica por parte dos superiores e a concorrência naquele lugar era fora do normal. Estava trabalhando como auxiliar de escritório, nome bonito para empurrar um carrinho com correspondências e café para os superiores – ou seja, quase todo mundo. Sem contar que nada que eu fazia estava certo. Era demais para mim, acho que aquele serviço seria demais para qualquer ser humano, mas pelo menos eu tinha um grande nome no meu currículo e isso já era importante para minha vida profissional.
Também aprendi muito morando sozinho. Bem, não totalmente sozinho, acabei dividindo um apartamento com um colega de trabalho e eu finalmente aprimorei minhas habilidade culinárias. Aprendi a fazer cinco tipos diferentes de macarrão e meus sanduiches ficaram mais elaborados. Meu colega de casa até gostava do que eu cozinhava. Também aprendi a lavar minha própria roupa e a me virar sozinho.
Eu acho que aquelas foram grandes conquistas para mim, mas nada daquilo era importante se eu não tinha com quem compartilhar as alegrias e dificuldades. Então, pedi demissão no emprego, fiz minhas malas e parti de volta para casa. O tempo que fiquei em Paris foi bom para eu organizar as idéias e entender melhor as coisas. Eu consegui não apenas compreender as coisas como também aceitá-las.
Cheguei em casa tarde da noite, com chuva. Não quis que meus pais me buscassem na estação. Eu achei que eles reagiram bem à minha decisão, bom, depois de todo discurso do meu pai para eu procurar emprego, após voltar para casa ele me recebeu muito bem. Na verdade, ele até ficou impressionado quando eu contei do meu trabalho e achou melhor eu ter voltado. Simplesmente impressionante. Já minha mãe, bem minha mãe se comportou como mãe.
Não avisei para ninguém que estava voltando, apenas voltei, quis fazer uma surpresa e não queria que ninguém me fizesse mudar de idéia.
Então no dia seguinte não foi de me admirar a surpresa que houve quando abri a porta pela manhã:
“Liam???? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!! Você aqui!!!” Gritou histericamente Anna ao pular nos meus braços sorridente.
“Eiii minha pequena!!! Que saudades!!!” Respondi abraçando-a carinhosamente.
“E como você está? E Paris? E o emprego? Por que você fugiu sem me avisar? E a vida? E tudo?” Ela perguntou falando rapidamente que quase não entendia o que ela queria dizer.
“Ahhh… longa história que preciso te contar com calma, mas o que importa é que voltei.” Respondi.
“Voltou? Como assim?”
“Voltei, saí do emprego.”
“Ahh… sinto muito Liam…” disse ela preocupada colocando a mão em meu ombro.
“Tudo bem, eu pedi demissão…” Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas o som do “Ahhh” nem chegou a sair, então eu me dei conta de que ainda estávamos parados na porta e a convidei para entrar.
“Bem, Liam, eu não posso demorar, sua mãe está?”
“Não, ela saiu, mas já deve estar voltando. Entre, eu te faço um chá.”
“Eu não posso de… chá?? Você faz chá?”
“Sem você pra me levar comida eu aprendi a me virar”
“Percebi. Se é assim, eu tomo o seu chá e você me fala o que te trouxe de volta” ela disse entrando em casa e caminhando em direção à cozinha.
Fiz o chá enquanto conversávamos, falei brevemente sobre o emprego e Paris, mas sem dar muitos detalhes. Tomamos o chá, conversamos mais um pouco e nada da minha mãe voltar. Então, como ela estava com pressa, foi embora sem falar com ela.
“Liam, a conversa está boa, mas eu preciso ir. Avisa sua mãe que eu vou chegar mais tarde no trabalho hoje.”
“Certo.”
“E mais tarde eu volto pra gente continuar a conversa, quero que você me conte mais sobre Paris.”
Eu a acompanhei até a porta, nos despedimos com um abraço e ela saiu, deu uns três passou, olhou para trás e disse:
“É bom que você esteja de volta, Liam.”
E era mesmo.

27
Dec

Paris

   Posted by: Poly    in Quimera

“Pai estou indo para Paris”. Foram com essas palavras que cumprimentei meu pai naquela noite. E então tudo mudou. Na verdade as coisas ainda eram as mesmas, mas a idéia de mudança e renovação me deixavam mais esperançoso.
Meu pai leu o anúncio e ficou bastante satisfeito com “minha” idéia de ir para a capital tentar uma vaga de emprego em uma empresa importante, eu percebi que ele também estava orgulhoso de mim e isso me deixava contente. Eu não precisei do dinheiro dele para comprar a passagem, pois eu ainda tinha umas economias guardadas, que dariam para eu ficar em Paris no período da seleção. O dinheiro estava contando e eu não poderia esbanjar ou gastar com coisas que não fossem extremamente necessárias, mas eu estava gostando da idéia.
Meu pai me acompanhou até a estação no dia da viagem e quando nos despedimos ele me deu mais um pouco de dinheiro, que coloquei no bolso, sem contar. “Guarde para emergências.” Advertiu meu pai.
“Obrigado pai, obrigado por tudo até agora.” Eu falei antes de finalmente embarcar.
Apenas depois que o trem partiu que eu fui conferir o dinheiro que ele me deu e aquela era a maior quantia de dinheiro que eu já recebi alguma vez na vida. Era o dobro das minhas economias e eu tive vontade de chorar por perceber que, na verdade, tudo que meu pai tinha feito por mim era para o meu próprio bem, eu não tinha feito nada e meu pai já estava orgulhoso de mim. Ao mesmo tempo em que me senti inútil também senti vontade de fazer tudo que eu pudesse para retribuir tudo que ele tinha me feito de bom.
Eu não tive tempo de despedir dos meus amigos antes de viajar para Paris, eu liguei para Jess contando da minha decisão e tentei ligar para Anna também, mas ela não pode me atender nenhuma das vezes. Em todo caso, meus amigos saberiam de uma forma ou de outra, pois sei que meus pais não me deixariam ir sem comentar nada com os amigos e conhecidos.
A chegada na capital não foi das melhores. Me perdi no caminho para o hotel e por pouco não perco meu quarto. O hotel não era dos melhores, mas estava lotado, a maioria dos hóspedes também buscava uma vaga de emprego na mesma empresa que eu, o que me deixou um pouco apreensivo.
Meu quarto era horrível: a pintura era velha e as paredes estavam manchadas de mofo, o colchão da cama era de molas que faziam barulho quando eu me mexia e eu posso jurar que vi um rato passando pela janela à noite.
Apesar disso eu ainda continuava animado com Paris mal podia esperar pelo dia da seleção do emprego. Tinha certeza de que minha vida mudaria em Paris e aquele era o começo, não era o melhor, mas poderia melhorar.

27
Dec

Válvula de escape

   Posted by: Poly    in Quimera

Faltando menos de uma semana para o término do mês eu ainda não tinha procurado nada e meus estudos não estavam rendendo tanto quanto ultimamente. Tentei manter minha rotina desde toda aquela reviravolta, mas não conseguia. Larguei de vez a academia. Além de não ter coragem de falar com o Theo eu parei de me preocupar com minha aparência, isso era o menos importante na minha vida. Também passei a ver a Anna com menos freqüência e minha desculpa era sempre que precisava estudar. Só não parei de falar com a Jess, que acabou se tornando minha única e melhor amiga. Ela sabia da história com meu pai e parecia estar preocupada com isso, pois a cada dois dias ela me mostrava ofertas de emprego ou tinha alguma idéia genial de como fazer meu pai desistir dessa idéia. Mas nada me parecia muito atrativo, até que na última semana do mês Jess aparece na minha cama às 7 da manhã de uma segunda-feira.
“Will! Will!! Acorda!!” ela chamava enquanto me sacudia.
“Ma…mas o que??” balbuciei ainda sonolento. “JESS!! O que você está fazendo aqui?” Pulei puxando o lençol quando me dei conta da situação: Jéssica sentada na beirada da minha cama, enquanto eu dormia apenas de cueca – por sorte meu quadril estava coberto pelo lençol.
“Vim te trazer ISSO!!!” Disse ela toda animada enquanto sacudia um pedaço de papel na minha frente.
“Você não podia ter ligado? Que horas são? Como você entrou aqui?” atirei as frases tão rápido, quanto a velocidade com que terminei de me enrolar no lençol.
“Bom dia, bem, são exatamente 7 horas e 3 minutos da manhã, sua mãe me mandou entrar e te acordar e eu não poderia te contar isso por telefone.” Ela respondeu tranquilamente.
“Ahh… certo. Mas que diabos é isso?” Perguntei estendendo a mão esquerda, enquanto esfregava os olhos com a mão direita.
“Bom, isso se chama solução para os seus problemas. Uma empresa de Paris está contratando novos funcionários. Não se preocupe, há várias vagas e algumas delas nem precisa ter experiência em nada. Mesmo que você não consiga, acho que será bom para você mostrar para seu pai que você é responsável e que não quer passar o resto da vida dependendo dele.”
“Hmmm” exclamei enquanto passava o olho pelo papel, que na verdade era uma página do jornal do dia. “Poxa, Jess. Obrigado mesmo. Vou dar uma olhada com calma assim que eu terminar de acordar.”
“Ahh Will! Desculpa mesmo, vir aqui essa hora…” ela respondeu tímida e com as bochechas coradas de vergonha. “mas eu tinha que te mostrar isso…” continuou enquanto colocava as mãos no rosto tentando disfarçar o rubor.
“Tudo bem, Jess, fico feliz por você ter se preocupado, digo, estar se preocupando comigo. Obrigado.” Tentei confortá-la.
“Não foi nada” Respondeu levantando e caminhando em direção à porta. “Vou te deixar em paz agora, qualquer coisa me ligue. Mas ande logo, pois as seleções começam no fim da semana. Tchau.” E saiu correndo, sem que eu pudesse responder.
Depois que ela saiu, fiquei olhando para aquele anúncio por um bom tempo. Talvez Paris fosse a válvula de escape que eu estava precisando. Talvez…

26
Dec

E quando tudo está ruim…

   Posted by: Poly    in Quimera

E quanto tudo está ruim, tudo tende a piorar… depois de uma noite inteira sem conseguir dormir direito, de ter acordado de madrugada e passado boa parte do resto da madrugada e da manhã pensando em toda desgraça que tinha tornado minha vida eu ainda tinha esperança de que nada mais poderia dar errado, mas estava enganado.
O resto do meu dia continuou ruim, mas no fim do dia as coisas começaram a piorar mais.
Só saí do quarto à noite para jantar com meus pais na cozinha e se não fosse por minha mãe comentando sobre o dia de trabalho com meu pai – e acho que nem ele estava prestando tanta atenção assim – estaríamos em silêncio absoluto. Até aí tudo bem, mas então, meu pai resolveu quebrar a monotonia e perguntar justamente sobre minha vida.
“William, já tem um tempo desde que você saiu de férias do restaurante…” ele começou.
“Sim?” perguntei interrompendo-o.
“Bom, não acha que está na hora de voltar? Ou sei lá, procurar outro emprego… na sua idade eu tinha dois empregos e me saía muito bem nos dois.” Ele terminou se orgulhando de ter trabalhado muito quando era jovem.
“Querido, você se esqueceu que nosso William está estudando p/ ir p/ universidade? Ele quer ser doutor…” falou minha mãe, sem eu nem precisar responder.
“Beatrice, se eu tive dois empregos, ele também pode estudar e trabalhar, sem problemas! Um homem de verdade não pode levar essa vida ociosa!” retrucou meu pai.
Eu não tive ação para responder qualquer coisa a meu pai, então simplesmente concordei com o que ele disse, fazendo um sinal positivo com a cabeça, mesmo não tendo a menor noção do que faria e muito menos tinha vontade de trabalhar naquele momento.
Acredito que meu pai não estava gostando da minha idéia de ficar estudando em casa o dia inteiro, acho que para ele era apenas uma desculpa para eu não fazer nada útil e não ter um emprego e assim, viver tranquilamente à custa dele.
Acho que minha mãe ainda ficou discutindo com ele antes de dormir sobre isso, pois pude ouvir os dois conversando no quarto, mas não lembro ao certo o que eles falaram.
Mas no dia seguinte, durante o café da manhã – meu pai nunca toma café da manhã em casa, então isso não significava um sinal, eu pressenti – meu pai retornou ao assunto do emprego.
“William, você pensou na conversa que tivemos ontem?” ele perguntou seco.
“Sim, bem ainda não sei o que fazer, mas eu penso em algo.” Menti em partes. Eu não tinha pensado em nada, não iria pensar e nem queria pensar, mas eu não ia falar isso para meu pai.
“Ótimo! Porque esse mês foi o último que eu dei dinheiro.” Ele disse no mesmo tom de voz anterior. Eu fiquei decepcionado, não esperava tal frieza do meu pai, mas eu não fiquei com raiva, não fiquei chateado, apenas decepcionado.
Em todo caso, minha vida já estava ruim o suficiente, que eu não me importava mais se ela piorasse…
Eu tomei um gole de café e finalmente respondi, antes de sair da mesa: “Tudo bem, eu arrumo algo até mês que vem.”
Não estava nada bem, mas do jeito que as coisas caminhavam ficar sem dinheiro era o de menos.

26
Dec

Eu sou…

   Posted by: Poly    in Quimera

Como se não bastassem os últimos problemas e minhas confusões mentais eu ainda tinha outro problema ainda maior e ainda mais complicado do que a questão da paixão. E eu só fui descobrir isso quando percebi que tudo que eu sentia era de fato esse sentimento estranho.
Eu acho que desconfiava que pudesse estar sentindo isso há algum tempo, mas sempre ignorei meus pensamentos e procurei pensar em outras coisas, mas depois da noite anterior as coisas começaram a ficar ainda mais confusas e eu só queria entender o que estava acontecendo comigo e acho que talvez essa pudesse ser a única resposta para tudo que estava acontecendo.
Como eu perdi o sono à noite depois de todos os acontecimentos eu fiquei pensando em tudo que aconteceu na minha vida no quesito amor e percebi que eu sempre fui um fracasso. Eu nunca tive uma namorada e nunca me interessei de verdade por ninguém. Lembro de uma vez quando eu era mais novo e durante uma festinha da escola teve uma brincadeira na qual eu deveria entrar dentro de uma sala escura com uma menina e por cinco minutos inteiros eu poderia fazer o que quisesse com ela. Eu não queria fazer nada com ela, mas eu fiquei com pena da menina porque ela parecia ansiosa pelo beijo ou sei lá o que era queria comigo. Bom, entramos na sala escura eu não conseguia ver nada, mas sentia ela bem perto de mim e ficamos parados um de frente para o outro, em silencio por um tempo, acho que foram apenas alguns segundos, mas creio que para ela demorou uma eternidade. Então, ela me perguntou: “você não vai me beijar?” e eu não tive outra escolha a não ser beijá-la. Nos beijamos, quero dizer, nossos lábios se tocaram, mas apenas os lábios, nenhuma outra parte dos nossos corpos se tocaram, nem mesmo nossas línguas. Era o meu primeiro beijo, eu estava um pouco nervoso, mas o beijo só foi desse jeito porque eu não sentia nada pela menina, nenhum tipo de atração física, nenhum tipo de carinho. Depois eu soube que ela gostava de mim, nada sério, apenas paixonite de pré-adolescente, mas depois desse beijo fracassado ela desencantou completamente. E ela não foi a única. Saí com algumas meninas depois disso – modéstia parte, todas muito bonitas -, mas eu não conseguia manter um relacionamento por mais de duas semanas. Nunca gostei de verdade das meninas com quem saí, na verdade, nunca senti atração física por nenhuma delas. Gostava de passear, andar de mãos dadas e abraçar, quando o assunto era sexo eu não fazia questão. Além disso, eu sempre fui um cara romântico e para mim, sexo deveria ser com amor, como eu não as amava achava a relação falsa, como se eu estivesse fingindo algo que não era para elas e por isso resolvia terminar com tudo.
Eu nunca tinha me apaixonado antes, mas sabia que o que estava sentindo não poderia ser outra coisa, nada poderia ser mais estranho. Na verdade, poderia sim e era isso que estava me acontecendo.
Bem, eu sempre me achei normal. Eu sempre vi o mundo de uma forma romântica e sempre vi a beleza das coisas e das pessoas. E achava isso normal. Eu sempre admirei a beleza humana, independentemente do sexo, da idade, da raça e da nacionalidade e sempre considerei isso uma qualidade, até agora.
Mas analisando minha vida de uma forma mais atenta, acho que todos os sinais possíveis estavam presentes e eu nunca fui capaz de perceber até descobrir que toda confusão na minha cabeça. Então, mais para o fim da minha adolescência eu passei a reparar mais nos homens do que nas mulheres, mas achei que era por causa da academia. Eu via os homens com braços perfeitos e musculosos e aquele abdômen definido e admirava os contornos. Não que eu ficasse pensando em ir para cama com algum deles, mas eu gostava de ver e achava que eu ficava assim porque na verdade eu queria ser como eles, que eu queria ter todos aqueles músculos, só que acho que não era bem assim.
E eu percebi que eu reparava em uma pessoa em especial. No começo eu só a admirava, não apenas a beleza, mas também o caráter e a forma como ela era responsável, mas então eu comecei a sentir umas coisas estranhas… Eu achava que era porque ele era meu amigo, mas agora eu sei que não era só isso.
Eu comecei a desconfiar disso quando Anna começou a sair com o Theo e percebi que meu ciúme estava desproporcional, mas não quis pensar muito sobre isso. Só que, depois de tudo que aconteceu não consigo pensar em outra coisa e colocando as idéias em ordem a única resposta para isso é que eu… Bem, eu sou homossexual.
O que eu sou ou o que eu sinto não serve para facilitar minha vida, muito pelo contrário, pois assim, nem nos estudos eu sou capaz de me concentrar mais.
Ainda assim, a vida continua…

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