Livro: O Cidadão de bem

O cidadão de bem
O Cidadão de Bem

O cidadão de bem
(5/5)
Maurício Gomyde
278 páginas
Editora Qualis
2020
E-book | Livro

Rafael é um jornalista e tem contrato com uma editora, prazo para entregar um livro chegando ao fim. Pai de duas filhas, mora sozinho e vive com as consequências de uma traição. Sua mulher, Luciana, seguiu a vida e já está namorando outro cara.

A filha adolescente, Marcela, não quer saber dele. Ela viu o que ele fez com a mãe e ainda não consegue tolerar o pai. A filha mais nova, Alice, de 7 anos não entende porque os pais não moram mais juntos. Sua melhor amiga da escola, Angie, diz família é quando o pai e a mãe moram juntos. Mas Alice tem um pai e uma mãe que a amam muito e acha que são família sim.

Angie é filha de Roberto, um médico renomado. Ele é casado com Laura, uma competente advogada e tem outro filho, Mateus, que inclusive é amigo de Marcela. Roberto acredita que tem a família perfeita aos olhos da sociedade. Tudo dentro dos conformes, família de acordo com a Constituição Federal e a Bíblia. Eles fazem as refeições juntos e agradecem à Deus pela comida na mesa. Ele acredita em meritocracia e acha que todo cidadão deve ter o direito de defender sua propriedade privada com uma arma de fogo.

Mas um tiro muda a vida dessas duas famílias para sempre.

A gentileza é a mais poderosa arma já inventada.

Capítulo 5

Que livro, amigos!

Descrevendo-o em uma palavra seria: atual! O Cidadão de Bem é um perfeito retrato da nossa sociedade com todas as discussões que vemos diariamente. Conseguimos nos identificar muito com os personagens e também conseguimos identificar alguém que a gente conhece neles.

Totalmente diferente de tudo o que Maurício já escreveu, mesmo assim, com a mesma qualidade de escrita. Capítulos curtos que te fazem devorar o livro para saber logo quem levou o tiro e quem atirou.

Eu tentei ler devagar e saborear melhor a história, pois era uma Leitura Coletiva para meu grupo de Leitura Virtual, mas não consegui e em menos de uma semana terminei. Não me arrependo de nada.

Do interior daquela redoma coberta com tinta a ódio diluída em hipocrisia, o pai nunca enxergaria que a força da humanidade estava justamente nas diferenças entre as pessoas.

Capítulo 24

Eu tive a sensação de que o livro foi um desabafo do autor, jogando na nossa cara toda a hipocrisia que vivemos. Porque a protagonista da história é ela, a hipocrisia. Nenhum personagem é totalmente bom ou mau, claro que tem alguns (Roberto) que a gente quer socar a cara, mas até os mais pacíficos mudam de tom quando a tragédia bate na porta.

Há muitas camadas na história e mesmo depois de terminar a leitura eu fiquei pensando nelas, são personagens complexos e reais. Tudo o que acontece é muito próximo, ou você se vê na história ou você vê alguém que você conhece nela, aí não tem como não se apegar.

Hoje eu percebi que aconselhar alguém a ser forte é um milhão de vezes mais fácil do que ser forte.

Capítulo 77

Após a leitura, tivemos um encontro pelo Meet para debater sobre a leitura e tivemos a participação do Maurício e ele foi contando detalhes da história e de como cada personagem contribuiu para que acontecesse o tiro e na hora eu só quis pegar meu livro e ler tudo de novo. Foi sensacional!

– Você descobre que o mundo vai de mal a pior quando memes passaram a nocautear livros. E tudo no primeiro assalto, muito antes do gongo, largando o livro estirado ensanguentado no meio do ringue, pra delírio da massa.

Capítulo 56

É atual, é histórico! Leiam!

Eu sei que eu mando todo mundo ler fantasia para fugir do mundo atual e da realidade que está assustadora, mas eu prometo que dessa vez vale a pena a leitura e a reflexão.

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Livro: Trono de Vidro

Trono de Vidro
Trono de Vidro

(4/5)
Sarah J Maas
Galera Record
2013
392 páginas
E-book | Livro

Trono de Vidro é o primeiro livro da série Trono de Vidro e também o primeiro livro da autora Sarah J Maas. Eu nunca tive interesse em ler essa série porque são muitos livros (8 no total), mas eu vi que ia ter Leitura Coletiva dele lá no Coletivo da Retipatia no Instagram e resolvi dar uma chance.

Como é o primeiro livro da autora eu já não estava com as expectativas muito altas, pois sei que a escrita é aprimorada na prática, mas fui surpreendida positivamente.

O livro conta a história de Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan. Aos 18 anos ela está presa em Endovier cumprindo sua pena quando recebe a proposta de representar o príncipe em uma competição com outros assassinos e criminosos habilidosos do reino. Caso vença, ela será a campeã do Rei e deverá servi-lo por alguns anos, mas após isso estará livre para viver como bem entender.

– Todos carregamos cicatrizes, Dorian. As minhas são apenas mais visíveis que as da maioria.

Como passar os dias em Endovier é uma verdadeira sentença de morte, Celaena topa sem pestanejar. O príncipe e o capitão da guarda farão de tudo para protegê-la, mas há coisas que fogem ao alcance deles.

Há anos a magia foi banida de Adarlan, mesmo assim, símbolos de rituais antigos começam a aparecer ao mesmo tempo que competidores surgem mortos antes das provas, de maneira terrível.

Algo maligno habita o castelo e a assassina começa a procurar o que a está ameaçando. No meio dessas buscas e da competição ela encontra a amizade e o amor.

Porque há pessoas que precisam tanto ser salvas por você quanto você precisava ser salva.

O livro é bom, mas senti falta de uma apresentação do universo, como a Sarah faz nos outros livros. É uma história muito boa e entendi porque teve tantos livros e continuação porque há bastante pano para manga.

Eu demorei um pouco para me conectar com a história, diferente dos outros livros da Sarah que já caio de cabeça mergulhando no enredo. Mas acho que isso aconteceu porque estou acostumada a ler os livros mais recentes dela, então tudo bem.

As páginas finais são de tirar o fôlego, eu pisquei e terminei o livro porque eu precisava saber o que acontecia e quem estava matando os competidores.

Tem magia, tem amizade, tem romance (bem de leve) e tem bastante ação. Ando recomendando fantasia para todo mundo ler e conseguir sobreviver a essa pandemia, então se jogue em todos os livros da Sarah J Maas e não se arrependa.

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Livro: A Corte de Espinhos e Rosas (ACOTAR)

A Corte de Espinhos e Rosas (ou série ACOTAR, como é conhecida) é uma série escrita por Sara J. Maas. Já foram lançados três livros na série principal e um spin-off que fará a ponte com mais 3 livros que darão sequencia à história.

Em Corte de Espinhos e Rosas conhecemos a vida de Feyre, uma jovem humana que teve que assumir sozinha o sustento de sua família. Vivem com ela em um pequeno chalé suas duas irmãs mais velhas e seu pai, que está ‘doente’porém realmente não se esforça para ajudar em nada.

O mundo onde se passa a Corte de Espinhos e Rosas é um mundo divido. 500 anos antes, uma guerra terrível entre feéricos (seres místicos semelhantes aos elfos em aparência) e humanos quase levou à extinção de ambas as raças. Desde então, eles vivem separados por uma muralha mágica e invisível. Um tratado garante que ninguém passe para o outro lado da muralha, assegurando a paz.

Mas um dia, enquanto caçava, Feyre acaba matando um feérico. E na mesma noite, uma fera bestial aparece em sua porta cobrando a dívida. Sem escolha, Feyre é arrastada para o outro lado da muralha. Lá ela lutará para sobreviver, se adaptar e compreender um mundo mágico do qual ela não sabia absolutamente nada.

Uma releitura de um clássico

Primeiramente, o leitor deve terem mente que ACOTAR é uma releitura da A Bela e a Fera. Feyre, é uma protagonista forte, um pouco mesquinha e devido à seu passado, tem grande dificuldade em aceitar ajuda. Ela não gosta de deixar a mostra seus pontos fracos, porque durante muito tempo a fraqueza representava não ter o que comer naquela noite.

Já seu par romântico, Tamlin, a mantém cativa em sua mansão como pagamento por ter tirado a vida de um feérico. No entanto, ao mesmo tempo que a prende, ele a cerca com todo tipo de conforto. Seria ele um herói ou vilão? E afinal de contas, por que ele a trata tão bem?

Para alguns leitores o começo pode parecer lento, mas eu garanto, vale a pena ler até o final. Muitas das coisas que não fazem sentido encontram uma explicação conforme a narrativa avança e ficam poucas pontas soltas para o volume seguinte.

Nem tudo são flores

Ouro ponto positivo foi o cuidado em problematizar relacionamentos abusivos e deixar claro que amor é diferente de sentimento de posse. Isso foi melhor desenvolvido na sequencia da série e me deixou feliz, pois é comum vermos nesse gênero a romantização de atitudes violentas como se fosse “fofo”.

Minha única ressalva fica por conta dos gatilhos: violência e relacionamentos abusivos são os principais.

“- (…) não se case com Tomas Mandray. O pai dele bate na mulher, e nenhum dos filhos faz nada para impedir. – Os olhos de Nestha se arregalaram, mas acrescentei – Hematomas são mais difíceis de esconder do que a pobreza”

Para os interessados, a boa notícia é que as capas brasileiras são muito mais bonitas que as gringas e pra quem, assim como eu, gosta de ler no kindle, os ebooks estão em promoção. =]

Fica minha recomendação de leitura para todos aqueles que estão à procura de um universo mítico interessante cheio de plot twists inesperados.

#polypopfaz13 Esse post faz parte de uma série de posts em colaboração com outros amigos blogueiros

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