Hey, pai!

Papai
Já não nos falamos há um tempo, né? Há exatamente 18 anos, 1 mês e 6 dias, mas olhando assim não parece tanto tempo. Desculpa por eu não ter te dado um pedaço de bife no almoço, eu sei que você sabe que não era proposital, que eu não queria mesmo te negar comida, assim como eu também sei que você não queria nada do meu prato, só estava mexendo comigo. Só sinto porque aquele “não” foi a última palavra minha que você ouviu. Dentre todas as coisas no universo que eu poderia te falar, saiu um “não”, mas quem poderia imaginar que seria assim, não é mesmo?
Tudo bem, já superei, mas precisava te dizer com todas as palavras o quanto eu senti por isso.
A vida não foi fácil desde então, mas estamos bem. Acho que você teria se cuidado mais e se preocupado mais com os negócios se soubesse que deixaria tantas coisas para mamãe resolver, mas você não sabia, não é mesmo? Só foi saber naquele 4 de julho.
No fim crescemos, amadurecemos e aprendemos muito juntas. Formamos uma boa equipe, você gostaria de ver a gente trabalhando.
Senti sua falta em todas notas máximas na escola que tirei, não recebi mais 10 reais por cada 10 que tirava. Senti sua falta nas formaturas da 4ª série, 8ª série e 3º ano (não tive festa nessas duas últimas, mas queria ver sua cara de orgulho ao final do ano).
Senti sua falta quando comecei e terminei o curso de inglês. Não tinha ninguém em casa para praticar comigo e conversar sobre a sua América. Adoraria ter feito planos com você de conhecer as Disney (World e Land) e Miami Beach.
Senti sua falta em todas as formaturas de curso de modelo, você teria odiado todas, mas a gente teria dançado valsa e teria sido especial.
Senti sua falta na formatura da faculdade, de tirar foto com você e o canudo e de dançar valsa com você no baile de formatura. Teria sido mágico, especial e muito emocionante.
Mas acho que senti muita mais sua falta naquele primeiro dia dos pais em que eu não sabia o que fazer com o cartão feito na escola. Os anos seguintes não aliviaram a saudade, mas aprendi o que fazer com os cartões e as comemorações nas escolas.
Sentirei sua falta na minha próxima formatura e, se eu casar, no dia do meu casamento. Tem situações na vida de uma garota que um pai faz falta, muita falta.
Não me tornei mais forte por sua ausência, nem tampouco mais fraca, as coisas teriam sido diferentes, mais fáceis, mas no fim eu seria a mesma.
Nossos quase 10 anos de convivência foram suficientes para aprender toda sua sabedoria, generosidade, paciência e sinceridade. Só preciso exercitar melhor seus ensinamentos.
Obrigada por tudo o que fez por mim diretamente nesses 10 anos e indiretamente nesses últimos 18.
Te amo para sempre.
Feliz dia dos pais.

Esse post foi um oferecimento Rotaroots, um grupo de blogueiros com propósito mais old school e voltado para conteúdo de qualidade. Conheça o grupo no Facebook e o site.

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Blogagem Coletiva: Eu sou blogueira!

oieee
Hoje eu quase perdi a hora. Maldito horário de verão me fazendo dormir demais! Até o Cookie, meu gato, perdeu a hora. Ele sempre acorda antes da minha mãe e hoje quando meu despertador tocou ele ainda estava dormindo. Mas deu tudo certo, consegui me arrumar e tomar café e não perdi meu ônibus!
candydoll9Eu sou do tempo em que falar que tinha um blog era se assumir completamente nerd, não nerd do tipo descolado que tem seriado na TV (ahhh queridos do TBBT), mas nerd que é visto como uncool e que todo mundo fica rindo e quer distância.
Criei meu primeiro blog em 2000 (sim, há 13 anos!!) e um blog não era nada além do que um diário virtual. Se era pessoal era blog, se era de assuntos variados, não era chamado de blog, mas site. Simples assim.
Blogueiros eram em sua grande maioria adolescentes que passavam a tarde inteira editando seus layouts no FrontPage e no Photoshop. Quem não tinha tantos conhecimentos de FP ou PS pegava seus layouts em layout shops e personalizava com Candy Dolls, blinkies, mini gifs e, claro, com sua fotinha na lateral.
A gente postava sobre nosso dia a dia, coisas que gostávamos, nossos sonhos, expectativas e selinhos que ganhávamos. Blogar significava compartilhar um pouquinho da nossa vida, conhecer novas pessoas e fazer amigos. Não tinha nada a ver com firmar parcerias e receber brindes (ou dinheiro) por isso. Aliás, era inimaginável que alguém pudesse ganhar dinheiro com blogs.
Naquela blogosfera era possível afirmar com certeza de que as informações mais sinceras que alguém poderia ter sobre algum produto ou serviço seria nos blogs. Os blogueiros pagavam pelos produtos que analisavam e davam sua opinião mais sincera. Se era bom eles indicavam e não esperavam receber nada em troca.
Então as empresas descobriram essa forma de divulgação e agora eu só procuro indicações de produtos em blogs de confiança e verifico se tem ou não a indicação de “publieditorial”.
Não tenho nada contra publiposts ou blogueiros que fazem ou vivem disso, só que era muito mais fácil blogar e ler posts naquela época.
A atmosfera era amigável, blogueiros se ajudavam, havia troca de comentários e informações e não tinha esse monte de regra e reclamações.
Blogar era apenas um hobby e acho que por isso era tão bom!
Não que os blogs de agora sejam piores, ou que os de antigamente fossem melhores. Só que era diferente e eu sinto falta de algumas coisas.
Felizmente, a Victoria e outros blogueiros roots (me incluo nessa) resolveram que estava na hora de matar a saudade e decidimos voltar com essas coisas boas. Vamos fazer mais postagens coletivas, escrever mais posts descompromissados e encher a blogosfera de nostalgia. Sem ganhar nada por isso, apenas pelo simples prazer de blogar e compartilhar baboseiras com vocês, leitores linduxos.

No momento…
 photo data.gif Data: 22.10.2013
 photo tempo.gif Tempo: Calooooor!! (28ºC)
 photo assistindo.gif Assistindo: Enrolados (filme)
 photo ouvindo.gif Ouvindo: Trilha sonora do filme
 photo comendo.gif Comendo: Barrinha Levittá Pé-de-Moleque
 photo bebendo.gif Bebendo: Água
 photo calcando.gif Calçando: Descalça
 photo vestindo.gif Vestindo: Camiseta do Francês e bermuda
 photo visitando.gif Visitando: Facebook
 photo pensando.gif Pensando: Vou programar esse post p/ amanhã mesmo?
 photo sentindo.gif Sentindo: Calor?
 photo jogando.gif Jogando: Candy Crush Saga (me pegaram no vício!)
 photo lendo.gif Lendo: O símbolo perdido – Dan Brown
 photo msn.gif Conversando: Ninguém (ou melhor, Leo não está online no Skype)

 photo blue.jpg
Primeira versão do “Aventuras da Poly”, criado em 2003

Nostálgicos:

VictoriaBabeeGuiBárbaraPattyThaisAmandaDebsRodrigoRenataLomaDuda MihLola

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Essa fase “vintage”

vintage
Dizem que ser adolescente é difícil. Nosso corpo está em constante mudança, os hormônios estão loucos, não entendemos as preocupações dos nossos pais e eles não entendem nosso desejo de nos tornarmos independentes. Necessitamos de mais horas de sono, mas nosso cérebro quer permanecer ligado o tempo todo (principalmente nas redes sociais até tarde da noite) e no dia seguinte precisamos acordar cedo para ir para escola.
Os pais, os professores, os parentes, todos ficam perguntando que faculdade vamos fazer e há aquela cobrança toda para o vestibular.
Então essa fase passa e o monstro do vestibular acaba se tornando um gatinho manhoso de tão inofensivo. Não estou menosprezando essa fase, mas quando passa percebemos que não é o fim do mundo não saber que curso escolher ou que não é porque seu melhor amigo passou na faculdade que você vai ficar para trás.
O fim do mundo começa quando a faculdade termina.
Durante a adolescência somos menores de idade para sair, dirigir, beber e nem todo mundo tem seu próprio dinheiro. Mas isso muda durante a faculdade. Temos mais liberdade para sair, tiramos a carteira de motorista, encontros da faculdade são regados à bebidas alcoólicas e quando conseguimos estagiar temos uma merreca garantida na carteira todo mês.
Temos férias duas vezes por ano, nossa responsabilidade aumenta um pouco, mas não tanta. Surtamos a cada 6 meses com as provas finais, mas depois podemos dormir até tarde por pelo menos 30 dias, que é quando as aulas recomeçam.
Ninguém te cobra nada, a não ser o convite de formatura e tudo parece ir muito bem, apesar de reclamarmos que as provas nunca acabam, que os trabalhos são gigantes e que as noites de sono são curtas. Até que um dia, depois de 4 ou 5 anos, isso tudo acaba.
E agora?
Agora, meus caros, é que começa o problema. Conseguir emprego, trabalhar, pagar as próprias contas… em tese seria assim, contudo a realidade é bem diferente…
Mas eu quero trabalhar em uma empresa privada ou prestar um concurso público? Será que eu fiz a escolha certa quando optei por essa faculdade? Minha amiga já está trabalhando em uma grande empresa e ganhando muito bem e eu continuo desempregada. Aquele colega burro da turma passou em um concurso super difícil e eu nem em concurso de nível médio passo. Meu amigo ficou noivo e eu não pego nem gripe. Uma colega de turma se casou e vai passar a lua de mel em Cancun. Outra colega está fazendo intercâmbio no Canadá. Será que eu deveria fazer uma especialização no exterior? Minha amiga está terminando o mestrado. Eu deveria fazer mestrado também? Um conhecido acabou de terminar a segunda faculdade? Será que eu escolhi a profissão certa? Será que eu gosto mesmo do que eu faço? Será que vou gostar disso daqui a 30 anos ou vou me acomodar para sempre nesse emprego medíocre? O primeiro filho do meu amigo nasceu. Aquela colega da outra turma voltou grávida da lua de mel. Encontrei com um amigo de infância no supermercado, ele tem o próprio negócio, é casado e a esposa está grávida. Será que eu deveria me casar? Será que eu deveria ter filhos? Se eu não tiver filhos agora, será que eu não ficarei muito velha para isso? Por que eu ainda não encontrei minha cara metade? Até tenho dinheiro para sair todo final de semana, mas não tenho mais ânimo para isso, como eu conseguia fazer isso na faculdade? Afinal, por que quando eu saio não encontro mais ninguém da época da faculdade nessas baladas? Não aguento mais morar com meus pais, mas as despesas da casa são tão caras. Meu melhor amigo comprou um apartamento no bairro nobre, eu compro um carro agora ou junto dinheiro para dar entrada no meu apartamento?
Se não bastasse todas essas perguntas que temos constantemente ainda somos obrigados a responder: “Já formou? Está trabalhando? Em que? Já casou? E os filhos?” todas as vezes que encontramos com alguém que não vemos há algum tempo ou alguma tia chata. Nessas horas dá uma saudade de quando a única pergunta era: “vai fazer faculdade de quê?”.
Nós, os vintage, ainda somos precipitados, não temos paciência de esperar a hora certa, ficamos comparando nossa vida com a dos conhecidos, adoraríamos voltar aos 17 anos – com nossa mãe brigando com a gente de manhã para irmos para a escola – e morremos de medo de chegar aos 30.
Por favor, tente nos compreender, estamos apenas começando a andar com nossas próprias pernas.

*No mundo da moda o termo vintage é usado para uma peça que possua os seguintes requisitos: pelo menos 20 anos de antiguidade, ser testemunha de um estilo próprio ou de um estilista, não haver sofrido nenhuma transformação (releitura), e ainda representar um instante da moda e estar em perfeito estado. Mas comecei a usar o vocábulo entre os meus amigos para me referir aos jovens entre 20 e 30 anos.

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