Como instalar uma antena externa ao estilo Girl Power

Sou do tipo de pessoa que pensa: se alguém já fez eu também posso fazer, se ninguém fez eu posso ser a primeira a fazer. Partindo deste princípio se eu começo um projeto não vou desistir tão fácil assim.
Então precisávamos comprar e instalar uma antena externa. Há anos nossa antena externa caiu e só usávamos a interna. Nas últimas semanas nossa antena interna não estava pegando nada e assistir TV aberta era por meio de live streaming no computador conectado na TV.
A solução era simples: comprar uma antena externa. A parte complicada: encontrar alguém que fizesse a instalação.
Neste mundo globalizado e conectado comecei a pesquisar sobre antenas e acabei descobrindo como se instalava uma. Não era difícil, então resolvi tentar.
Compramos a antena, os cabos, os conectores, os parafusos e lá fui eu para a varanda tentar montar.
Comecei marcando na parede onde eu iria furar. Coisa linda, marcada com lápis e certinha. Fiz o primeiro furo, coloquei a bucha(?) e fui feliz da vida fazer o segundo furo e pléimA broca da furadeira caiu no chão! Achei que o concreto fosse muito duro, marquei para furar em outro canto e pléim de novo. Fiz isso em todas as direções possíveis para posicionar o segundo furo e nada de dar certo.
Fiquei murchinha , triste e desanimada. Minha mãe chegou e mandou eu guardar as ferramentas que ela chamaria um marido de aluguel para fazer o serviço. Me senti criança quando a mãe tira o brinquedo.
Concordei e fui guardando as ferramentas desanimada. Então eu tive a brilhante ideia de ler o manual de instruções da furadeira (porque obviamente eu não fazia a menor ideia de como usar uma furadeira). Li, reli, entendi que eu estava fazendo tudo totalmente da forma errada, engatei as peças novamente, coloquei a broca no lugar, acertei os botões e… consegui fazer o segundo furo!!!
Fiz o furo, coloquei a bucha no lugar e na hora de colocar o parafuso não tinha força suficiente para apertar e precisava de um alicate. E claro que nosso alicate desapareceria justamente neste momento. Sem problemas, moro ao lado de um material de construção e fui lá comprar um alicate novo.
– Moço, você tem alicate?
– Alicate universal?
– Não sei. Ele tem dentinhos?

O vendedor teve que parar por uns 15 segundos para pensar antes de me responder. Sim, era o alicate de dentinhos!
Voltei para a casa feliz da vida com o alicate novo e fui apertar os parafusos. Detonei com o esmalte de duas unhas, mas prendi o suporte e coloquei a antena. Ficou lindo e certinho no lugar.
Depois cortei os fios, espetei todos os meus dedos colocando os conectores, desci com os cabos, instalei nos televisores e agora minha mãe pode ver à novela em alta resolução.
Deu trabalho, quebrei a cabeça, mas ver que consegui fazer um serviço de homem, valeu à pena DEMAIS!

PS: todos os dedos estão no lugar, nenhuma unha foi quebrada e o esmalte foi reparado posteriormente.
we-can-do-it

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Hey, pai!

Papai
Já não nos falamos há um tempo, né? Há exatamente 18 anos, 1 mês e 6 dias, mas olhando assim não parece tanto tempo. Desculpa por eu não ter te dado um pedaço de bife no almoço, eu sei que você sabe que não era proposital, que eu não queria mesmo te negar comida, assim como eu também sei que você não queria nada do meu prato, só estava mexendo comigo. Só sinto porque aquele “não” foi a última palavra minha que você ouviu. Dentre todas as coisas no universo que eu poderia te falar, saiu um “não”, mas quem poderia imaginar que seria assim, não é mesmo?
Tudo bem, já superei, mas precisava te dizer com todas as palavras o quanto eu senti por isso.
A vida não foi fácil desde então, mas estamos bem. Acho que você teria se cuidado mais e se preocupado mais com os negócios se soubesse que deixaria tantas coisas para mamãe resolver, mas você não sabia, não é mesmo? Só foi saber naquele 4 de julho.
No fim crescemos, amadurecemos e aprendemos muito juntas. Formamos uma boa equipe, você gostaria de ver a gente trabalhando.
Senti sua falta em todas notas máximas na escola que tirei, não recebi mais 10 reais por cada 10 que tirava. Senti sua falta nas formaturas da 4ª série, 8ª série e 3º ano (não tive festa nessas duas últimas, mas queria ver sua cara de orgulho ao final do ano).
Senti sua falta quando comecei e terminei o curso de inglês. Não tinha ninguém em casa para praticar comigo e conversar sobre a sua América. Adoraria ter feito planos com você de conhecer as Disney (World e Land) e Miami Beach.
Senti sua falta em todas as formaturas de curso de modelo, você teria odiado todas, mas a gente teria dançado valsa e teria sido especial.
Senti sua falta na formatura da faculdade, de tirar foto com você e o canudo e de dançar valsa com você no baile de formatura. Teria sido mágico, especial e muito emocionante.
Mas acho que senti muita mais sua falta naquele primeiro dia dos pais em que eu não sabia o que fazer com o cartão feito na escola. Os anos seguintes não aliviaram a saudade, mas aprendi o que fazer com os cartões e as comemorações nas escolas.
Sentirei sua falta na minha próxima formatura e, se eu casar, no dia do meu casamento. Tem situações na vida de uma garota que um pai faz falta, muita falta.
Não me tornei mais forte por sua ausência, nem tampouco mais fraca, as coisas teriam sido diferentes, mais fáceis, mas no fim eu seria a mesma.
Nossos quase 10 anos de convivência foram suficientes para aprender toda sua sabedoria, generosidade, paciência e sinceridade. Só preciso exercitar melhor seus ensinamentos.
Obrigada por tudo o que fez por mim diretamente nesses 10 anos e indiretamente nesses últimos 18.
Te amo para sempre.
Feliz dia dos pais.

Esse post foi um oferecimento Rotaroots, um grupo de blogueiros com propósito mais old school e voltado para conteúdo de qualidade. Conheça o grupo no Facebook e o site.

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A capacidade de estragar a vida dos outros

wine
Há alguns anos combinei com uns amigos deles passarem a virada do ano aqui em casa. Eu faria uns salgadinhos, eles trariam as bebidas, iríamos na praia ver a queima de fogos e depois passaríamos o resto da noite comendo e bebendo.
Por volta de meia-noite e meia chegou um amigo de minha mãe trazendo a mãe dele, irmãs, cunhados e sobrinhos. Não estávamos esperando, mas como era conhecido de longa data e minha mãe tinha feito janta (contra minha vontade), não ligamos de recebê-los. Poucos minutos depois que eles chegaram, uma conhecida desse amigo veio bater no portão. O que custava receber mais um? Planejamento de réveillon para 10 pessoas, aparecem 20 e vem um penetra? Ok, deixa o penetra entrar…
Essa moça, que a gente conhecia de vista (e olhe lá!) chegou com uma taça de vinho tinto, conversou por cinco minutos com o amigo, nos cumprimentou e foi embora.
Quando ela saiu todas as nossas taças estavam sujas e a toalha branquinha da minha mãe estava com uma enorme mancha de vinho. Depois desse dia nunca mais vimos a moça, mas a toalha deu um bom trabalho para limpar.
Esse acontecimento, em especial, me deixou uma dúvida sobre a convivência humana: “por que existem pessoas que possuem a capacidade de entrar na nossa vida, bagunçar tudo, deixar a sujeira para trás e depois desaparecer sem explicação?”
Tudo bem que é melhor que elas sumam mesmo, mas eu gostaria muito de saber o motivo delas apareceram e fazerem a merda. Acho que talvez eu ficaria mais esperta da próxima vez se tivesse respostas.

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