e fazer tudo o que eu queria fazer.

Agora só falta você, Rita Lee

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Então respirei fundo, não pensei muito, chutei o balde e abracei com força o Plano B, que hoje eu acho que sempre foi Plano A, mas eu vivia ignorando-o.
Há 10 anos eu tinha minha vida toda planejada. Duas coisas me deram certeza do meu plano: ter passado no vestibular antes mesmo de ter concluído o Ensino Médio e uma palestra maravilhosa com uma advogada que foi minha professora na faculdade.
Desde nova eu queria fazer Direito e a palestra da Gilsilene Passon me fez ter certeza daquilo. Ela falava das profissões relacionadas ao Direito com tanto amor e paixão que eu nem precisei assistir a nenhuma outra palestra de nenhum outro curso para eu saber o que eu queria fazer.
Assim, eu prestei vestibular, passei e comecei a estudar.
Odiei Filosofia, Sociologia, Ciências Políticas e Economia. Aturei bem as aulas de Introdução ao Estudo do Direito. E, por incrível que pareça, gostei de Direito Civil. Mas já tinha estudado 2 anos inteiros, achava um tormento todas as matérias não relacionadas diretamente ao Direito e não tinha a menor noção se gostaria das matérias do meu curso. Como eu faria para saber se eu gostava ou não do curso? Vamos estagiar!
Entrei em um escritório de advocacia, antes mesmo de concluir o 5º período e qualquer pessoa com 2 neurônios podia fazer meu serviço. Mas isso não era relevante, aliás, nada do que aprendi ou fiz no estágio foi mais importante do que aquela reunião com o dono do escritório.
Uma advogada tinha perdido um prazo (e não foi culpa dos estagiários) e o chefe não gostou nem um pouco disso, então ele chamou todo mundo na sala de reunião para falar sobre a profissão de advogado. Foi a segunda pessoa que me falou da profissão com paixão. Ele tinha um amor pela advocacia que saía pelos poros da pele e estava estampado no rosto e no brilho do olhar. Aquilo me encantou e me fez perceber que eu não me sentia assim em relação à advocacia, nem em relação a qualquer área do Direito.
Já tinha concluído mais da metade do curso e não ia largar o final, então terminei, formei e continuei batendo na mesma tecla. Oras, se eu já tinha me formado nada mais natural do que continuar estudando para concursos e aproveitar que o conhecimento ainda estava fresco na cabeça. E passei um ano estudando, dois anos estudando… e eu não sabia se era mais frustrante estar estacionada no mesmo lugar ou estar fazendo uma coisa que eu não gostava.
Nesses momentos eu pensava em todo mundo que amava a profissão e tinha brilho nos olhos quando falava sobre ser advogado, juiz ou promotor e eu morria de inveja, porque eu nunca nutri esse tipo de sentimento por qualquer profissão do ramo.
E passei a pensar melhor em algumas coisas, como na época em que eu comecei a fazer mini tortinhas, ou quando eu combinei de montar um Café com uma amiga da minha mãe e eu não tinha nem 16 anos na época!
Ok, que eu fiz um desenho de um júri quando eu tinha 8 ou 9 anos, mas eu penso em comida umas 23h por dia (na 1h que falta eu estou efetivamente comendo). E se eu gosto de cozinhar e planejar pratos acho que esse pode ser um grande passo para eu também ter brilho nos olhos quando eu falar da minha profissão.
Aí eu prestei vestibular e passei!
vest2lugar
Se não bastasse passar, ainda fiquei em 2º lugar do curso. Depois de ficar 9 anos sem ver nada de matéria de escola foi uma grande surpresa.
Agora que venha 2014, faculdade nova e muitas fotos de comida no Instragram!