Sabrina era uma jovem órfã de 14 anos, que morava com a mãe e o padrasto. Seu pai morreu em um serio acidente de carro quando ela tinha 8 anos.
Foi um choque enorme para ela e a mãe, mas assim que o período de luto passou, a mãe de Sabrina casou-se novamente com um comerciante do bairro, conhecido por todos devido a sua simpatia e amabilidade.
Mas dentro de casa a situação não era tão amável…

“Hoje dei outro intimato à minha mãe, ou ela se separa do Cláudio ou eu vou embora de casa.
Mas acho que ela não acredita nas minhas palavras, pois sempre me ignora.
Eu não aguento mais ver minha mãe sendo maltratada e humilhada. Ela merece um homem muito melhor, mas ela diz para eu não me meter, que é assunto dela. Só que eu não aguento ver minha mãe sofrendo e não poder fazer nada! Ele fala coisas que a colocam abaixo de lixo e se ela tenta rebater as agressões verbais ele diz que a gente só não está na rua por causa dele, que ele que nos sustenta. Mas eu sei que não é verdade. Minha mãe recebeu uma herança boa quando meu pai morreu. Eu também tenho dinheiro na poupança que ele deixou, acho que a gente conseguiria sobreviver sem o Cláudio. Eu poderia trabalhar também e ajudar em casa, mas minha mãe não quer saber dessa conversa, nem da minha opinião.”

“Fui internada hoje. Muitas dores fortes no estômago. Não foi a primeira vez que senti dores, mas eu tentava ignorar das outras vezes. Dessa vez eu não consegui e desmaiei. Fiz uma série de exames e não tenho nada. O médico acha que pode ser gastrite de cunho emocional. Ele me perguntou se tem algo me deixando nervosa. Eu disse que era problemas na escola, nunca vou contar o inferno que vivo em casa. Se minha mãe não fala nada, não serei eu a falar.”

“Ando tendo sonhos estranhos. Tudo está bem, então o Cláudio aparece e começa a gritar comigo porque eu mexi em uma panela na geladeira. Eu não aguento ficar calada e começo a discutir com ele. Ele vem me bater e eu o acerto com uma faca. Uma, duas… Dez…vinte… Quarenta vezes. Eu só consigo parar quando estou coberta de sangue e o Cláudio está caído inerte e morto no chão da cozinha. A sensação de liberdade que eu sinto no sonho é incrível, mas eu acordo me sentindo culpada. Contei para minha mãe dos sonhos e ela disse que eram apenas sonhos e que eu deveria orar quando acontecesse novamente. Só que acontece todo dia.”

“Fui ao médico novamente. Além do estômago, estou sentindo dores de cabeça, palpitação e muita ansiedade. Minha pressão está alta e minha glicose também. O médico disse que não é normal uma garota de 14 anos se sentir assim. Eu continuo tentando ignorar os sintomas, assim como minha mãe ignora o problema.”

“Fiz minhas malas e ameacei sair de casa de novo. Cláudio matou o Bobby, meu cachorro. Ele atropelou meu bichinho quando estava saindo para trabalhar. Bobby estava dormindo perto do portão e eu vi quando Cláudio acelerou de propósito. Ele tinha um sorriso malvado no rosto e sorriu ainda mais quando viu que o Bobby tinha morrido. Eu gritei com ele e o xinguei muito, mas ele disse com deboche que não viu o cachorro. Eu odeio o Cláudio mais que qualquer coisa!
Então eu fiz as malas e falei que ia embora, mas desisti porque não tenho coragem de deixar minha mãe sozinha com esse monstro.”

“Tive o mesmo sonho novamente. Eu estava na cozinha jantando e o Cláudio chegou. Ele tinha um sorriso debochado no rosto e começou a falar do Bobby e xingou meu falecido cachorro. Disse que um dia teria o prazer de fazer o mesmo comigo. Eu não aguentei e parti para cima dele. O ataquei com a faca e continuei atacando até ser interrompida por minha mãe.
Ela tentou me impedir, mas não tinha mais nada a ser feito. Cláudio estava morto, eu estava coberta de sangue e isso não era um sonho.”