Eu era normal 3 gatos atrás

crazy-cat-lady
Todo mundo sabe que eu sou a “mamãe” do Cookie, do Brownie, da Pudim e do Muffin. E isso era perfeitamente normal aceitável.

Um gato: que fofo!
Dois gatos: é bom que um faz companhia ao outro
Três gatos: você tem TRÊS gatos?
Quatro gatos: quantos você disse mesmo?

Então em julho, dois dias depois da minha cirurgia, minha mãe encontra um gatinho branco perdido no meio da rua, torrando no sol de meio-dia e me conta a história. Saí correndo com uma caixa na mão (e com os olhos fechados), peguei o bicho e enfiei no banheiro da piscina.
Dei banho, água, comida e brinquedo. Procurei um dono para ele e o levei no veterinário. Quem não iria querer um gatinho branco de olhos azuis, filhotinho e mansinho? Ele ficou um mês no banheiro fazendo tratamento para sarna otodécica e eu não queria dar nome para ele nem por decreto (nunca dê um nome para algo que você não quer se apegar)! Mas minha mãe já foi dando o nome de Biju no bicho e me passando a responsabilidade de dar banho e remédios… acabou que o Biju ficou. Ainda faz tratamento para sarna, mas já está bem controlada e ele já dorme dentro de casa junto com os outros bichanos.
Biju
Se não bastasse o Biju, nem um mês depois que ele apareceu aqui em casa, eu encontro uma gatinha preta e branca no meu muro. Mansinha, novinha e linda. Enfiei dentro de uma caixa e levei no consultório veterinário (claro!). Também estava com um pouquinho de sarna e quando fui aplicar a medicação a bichinha me saiu correndo e pulando para o meio da rua (!!!!). Corri atrás da gata louca (que fugiu por um pequeno buraco no muro), dei o nome de Pipoca e a coloquei dentro do banheiro com o Biju. E comecei a procurar lar para DOIS gatos.
Eu já não queria um gato filhote, imagina se eu iria querer dois gatos filhotes e uma sendo fêmea? Mas nem em sonho! Só que ninguém queria a gata, ela foi ficando, fui medicando, tratando, cuidando… me apaixonei e estou com SEIS gatos dentro de casa.
Pipoca
Passei as férias de julho praticamente fazendo um estágio veterinário de tanto que eu dei medicamentos e levei felinos no consultório. Aprendi umas 10 técnicas diferentes de dar remédio, umas 5 para dar banho e mais uns 3 truques novos para fazer gatos obedecerem (risos).
Biju e Pipoca
Virei uma crazy cat lady, mas sou feliz porque eu não preciso assistir vídeos de gatinhos fofinhos na internet, eu tenho gatinhos fofinhos pela casa ronronando e me fazendo rir *aperta um felino*.
elmyraduff
Mas por favor, pelo amor de tudo o que é mais sagrado NÃO DEIXEM MAIS NENHUM GATO NO MEU PORTÃO!
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Por trás dessa lente também bate um coração

miopia
Pode não parecer, mas eu uso óculos.
E claro que quem precisa usar óculos não acha isso nada divertido. A gente se acostuma, mas adoraríamos ter nascido com a visão 20/20. E não me venha falar que me entende se você tem menos de 3 graus de miopia, isso é um insulto para um míope.
E como toda boa míope que não gosta de usar óculos eu estou sempre de lentes de contato. Já passei com um problema com minha lente uma vez há uns anos, mas estava tudo bem com meu olho e minha lente.
Eu sou a melhor paciente do meu médico. Cuido direitinho das minhas lentes e as mantenho impecavelmente limpas, então não me preocupo em levar estojos de lentes ou óculos para onde eu vou, porque meus olhos estão sempre saudáveis.
Mas então meu olho começa a ressecar… Ar-condicionado! Claro que é esse maldito! Pingo algumas gotas de colírio e soro fisiológico, rezo para dar tudo certo, fecho os olhos e continuo sentada na van indo para faculdade.
Chego na faculdade, me arrumo para iniciar a aula prática e o olho continua seco, jogo mais 1 litro de soro fisiológico e fecho o olho direito (meu olho bom) durante a explicação do professor.
Tento anotar, fazer o olho produzir lágrima, fechar um olho, manter outro aberto, pensar, escrever, guardar minhas coisas, ir trabalhar em grupo, fazer três sanduíches, criar um conceito para um prato…
E o maldito olho ressecando e ficando vermelho e incomodando muito.
Eu comecei a surtar, não conseguia fechar o olho, nem abrir o olho e comecei a andar igual uma barata tonta dentro da cozinha (e tonta mesmo) tentando ser útil para alguma coisa, mas minha cabeça só gritava para eu arrancar o olho fora, abrir um buraco na terra e me enfiar lá dentro.
Comecei a sentir dor de cabeça, fiquei meio surda (míope quando não enxerga também não escuta) e completamente desorientada. Começaram a me perguntar o que eu tinha no olho e aí eu comecei a entrar em desespero: DÁ PRA VER QUE EU TENHO ALGO NO OLHO?
Joguei mais um litro de soro dentro do olho e continuei vagando sem destino pela cozinha. Me voluntariei para escrever a ficha técnica da produção da aula (ainda queria ser útil) e fiquei debruçada na mesa escrevendo, com a cabeça pendente para o lado direito e muita vontade de sair gritando feito louca.
Quando não aguentei mais o que eu fiz?
Isso mesmo! Tirei a lente e coloquei na boca.
Sabe a sensação de tirar o sapato apertado que fez mil bolhas no seu pé? Foi ainda melhor. E claro que a lente tinha que ir para boca. Onde eu ia achar um lugar úmido para colocar uma lente no prazo de 10s?
Só que o alívio chegou, mas a tontura não passou, nem a surdez, nem a vontade de sair correndo. Então eu continuava achando que ia enlouquecer por causa de um olho e agora estava com uma lente gelatinosa de silicone dentro da boca.
E para melhorar o que aconteceu? Isso mesmo! Meu grupo começou a apresentar um dos pratos e o professor começou a fazer perguntas que eu não sabia responder, porque minha cabeça estava muito louca em algum lugar do submundo ou não podia responder porque eu estava com uma lente oftalmológica dentro da boca!
Por muita sorte encontrei dois copos descartáveis. Coloquei soro em um, a lente dentro e cobri com o segundo copo. Teria que ser o suficiente para terminar a aula e chegar em casa.
Não sei mais o que aconteceu na aula, só lembro de coisas vagas e borrões (literalmente).
E vim embora caolha, surda, tonta, com dor de cabeça e com a mente treinando piruetas para as Olimpíadas. Por sorte do destino nenhum carro me atropelou enquanto eu atravessava a rua cega e mentalmente perturbada.
Drogas pra quê quando se é míope?
gato

PS: a primeira imagem é desse trabalho maravilhoso de conclusão de curso :D

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Faça teatro! (ode ao teatro)

Teatro
Faça teatro.
Isso não é uma sugestão, é um comando: Faça teatro!
Não importa se você não tem a pretensão de ser famoso ou se profissionalizar como ator, apenas faça.
Por que ter apenas uma vida, uma profissão e uma família se podemos ter varias vidas, varias profissões e varias famílias? Por que não experimentar sentimentos e situações alheios ao seu cotidiano?
Teatro é mais do que decorar umas falas, subir num palco ou atuar de frente para uma câmera.
Teatro é como uma volta à infância. Você vai brincar, vai imaginar cenários, objetos e situações e vai pagar mico (muito mico!). Todos vão achar que você acabou de sair do hospício, mas você nem vai ligar.
Você vai rir de doer a barriga e chorar de soluçar.
Você vai errar muito, vai aprender a aceitar seus erros, vai aprender a ouvir e vai aprender a lidar com as suas emoções.
Você vai fazer amigos, vocês terão piadas internas e irão rir e relembrar delas o tempo todo.
Você vai viver uma relação de amor e ódio com seus instrutores, professores e diretores.
Você vai repetir, repetir, repetir, repetir e depois que ficar bom vai repetir mais 10 vezes.
Você vai descontar toda sua raiva, frustração, tristeza e alegria no palco. E mesmo depois de xingar seu amigo ator até a décima quinta geração, ele vai te falar “Pô! Valeu! Você mandou muito bem na cena”. Às vezes você vai bater no seu amigo e ele vai gostar, às vezes você vai apanhar e vai gostar (e não é nenhuma relação sadomasoquista).
No teatro, na hora da improvisação, ninguém precisava saber que você tem problemas, os seus problemas serão problemas dos personagens que você vai criar. Você vai compartilhar suas mais profundas emoções e ninguém vai te julgar. Aliás, ninguém precisa saber que são as suas emoções. São emoções do personagem e ponto. O importante no teatro é o personagem, dê ao personagem sua carga emocional. Libere sua energia. Extravase e saia da aula com a alma lavada e a mente renovada.
Teatro é terapia de grupo. Você aprende a se conhecer melhor e aprende quais são os seus limites (e aprende a superá-los). E ainda se diverte.
Teatro é vida e se você quer viver isso tudo, faça teatro.
Teatro

Post em homenagem à todas as vidas que vivi (Miúxa, Pipa, Flávia Roberta, Fernanda Bárbara, etc) e viverei nos palcos e também ao pessoals animados da turma 9 da Oficina que enfrentaram todas as dificulidades ano passado ouvindo Kelly Key sábado de manhã (mais uma noite chegaaaaaa).

Teatro

Fotos das minhas últimas interpretações (workshop de criação coletiva e peça não tá fácil pra ninguém).

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