Monthly Archives:December 2015

  • Livro: Dez coisas que aprendi sobre o amor

    DEZ_COISAS_QUE_APRENDI_SOBRESarah Butler
    (4/5)
    2015
    Editora Novo Conceito
    254 páginas

    Daniel e Alice não se conhecem. Ele anda pelas ruas de Londres recolhendo objetos com cores que simbolizam um nome e tem mania de fazer listas de coisas que gostaria de falar para sua filha, que ele nunca conheceu.
    Alice está voltando para casa para ver o pai que está morrendo. Apesar de ser londrina ela sente-se mais feliz viajando pelo mundo, longe de Londres, uma cidade que guarda muitas recordações de sua mãe já falecida.
    Alice e Daniel parecem ter em comum apenas o hábito de fazer listas, mas há mais coisas que os fazem parecidos.
    Apesar de viver distante, ver o pai partir não é fácil para Alice. Além da dor do luto ela ainda precisa aprender a lidar com suas feridas do passado e com o relacionamento conturbado que tem com suas irmãs Tilly e Cee.
    Cee é a mais controladora, casada e mãe de três filhos, ela quer sempre dar a palavra final. Tilly se dá melhor com Alice, talvez por se relacionar com um homem casado ela possa entender o comportamento impulsivo de Alice. O pai a achava parecida demais com a mãe e de certo modo isso o incomodava.
    Alice possui um espírito livre, prefere o ar-livre e não gosta de ficar presa em um lugar apenas. Me pareceu que esse comportamento de “fugir” do mundo está relacionado com o fim do seu último relacionamento amoroso, mas pode ter sido apenas o estopim para tudo.
    Daniel é sem-teto e vive andando pelas ruas de Londres procurando por sua filha. Ele cata recolhe objetos pela rua com cores que equivalem ao nome de sua filha que nunca conheceu. Ele passa por abrigos e conhece outras pessoas como ele e compartilha seus dramas, mas nunca fica no mesmo lugar. Seu espírito também é livre e ele prefere dormir sob o luar.
    Apesar de serem bem diferentes, Alice vem de uma família de classe abastada e Daniel não tem nem dinheiro para um café, eles nutrem o mesmo desejo de serem amados e encontrarem um lugar para acalmar o coração.

    Este é o único momento e lugar que temos para fazer as mudanças que precisamos fazer em nossa vida.
    P. 40

    Dez coisas que aprendi sobre o amor é um livro narrado em primeira pessoa, e as histórias são intercaladas, ora temos contato com a vida de Daniel, ora com a de Alice. Cada capítulo começa com uma lista de um dos personagens.
    Ao longo da história vamos conhecendo melhor essas duas pessoas, vemos seus sentimentos e desejos mais profundos, assim podemos fazer uma relação maior entre os dois.
    Li o livro rapidamente na angústia de saber se eles se encontravam em algum ponto e o que eles guardavam em comum, além dos motivos já citados, mas para minha surpresa, o livro não tem fim.
    Minha decepção com o desfecho da história foi enorme, mas analisando melhor o livro percebi que ele é como a vida. Nem sempre há um desfecho para uma história e nem sempre as coisas seguem um enredo certo, com início, meio e fim bem definidos. A vida possui um ritmo próprio, nem toda história tem um fim, muitas vezes cada um segue o seu rumo e deixa a história em aberto.

    A primeira impressão é a mais importante, disse meu pai mais de uma vez. É difícil desfazer uma primeira impressão.
    P. 103

    Não é um livro de autoajuda, mas ensina muitas coisas ao leitor, não apenas dez coisas sobre o amor, mas várias coisas sobre o amor, a vida e os relacionamentos interpessoais.
    É preciso entender as sublinhas para compreender melhor o texto. É um desses livros que você ama ou odeia, não há meio-termo.
    Achei bem inteligente a narrativa da autora, nunca tinha lido nada dela, mas gostei muito da proposta.
    Confesso que eu fico no time dos que odiaram o livro, talvez pelo (não) desfecho frustrante, mas é um bom livro.
    Ah sim, não é spoiler contar que o livro não tem fim, há muita coisa acontecendo nessas 286 páginas e só lendo para entender minha indignação. Não é uma história óbvia, então podem ler despreocupados em relação a isso.
    Uma coisa que eu gostei muito foi a ideia de fazer listas. Amo listas! Acho que vou levar algumas ideias das listas de Alice e Daniel para a vida, é uma coisa bem divertida a se fazer.

    O amor é dourado. Nunca a encontrei, mas que outra palavra há, exceto o amor?
    P. 128

    Adorei a capa! Ela me seduziu muito para iniciar a leitura. A contracapa e a sinopse pouco dizem sobre a história em si e eu gostei de ser surpreendida.
    O miolo é simples, com pequenos detalhes singelos que fizeram a diferença. Gostei muito. A fonte utilizada nas listas de Alice e Daniel são diferentes, o que ajuda na melhor identificação dos personagens.

  • Livro: A aposta

    A_APOSTAVanessa Bosso
    (5/5)
    Editora Novo Conceito
    2015
    286 páginas

    Nina Albuquerque é uma jovem de 18 anos conhecida pelo seu coração congelado. Ela é linda, inteligente, competitiva, determinada e muito orgulhosa. Desde que se decepcionou em relacionamentos passados ela fechou seu coração para o amor e não dá mole para qualquer garoto.
    Alexandre Heinrich, mais conhecido como Lex, é o galinha da escola. Muito lindo, sensual, metido e amante de apostas. Ele está precisando urgentemente de dinheiro para consertar sua moto e aceita (a contragosto) o desafio de seu melhor amigo, Gancho: beijar Nina Albuquerque.
    Na escola todos os meninos estão interessados nessa grande aposta, mas quando Nina descobre que seu nome está sendo falado pelos corredores ela não deixa barato e faz uma contraposta bem interessante: desafia Lex a fazê-la se apaixonar por ele.

    What? Vocês estão gritando aí? Porque eu estou surtando por aqui. Essa, sim, é a Grande Aposta do ano, folks!
    P. 34

    O “jogo” tem local e data para começar e terminar: Ilha Inamorata, durante os sete dias de passeio de formatura da escola. A aposta é tão séria que os dois alunos fazem um contrato escrito e tudo!
    Todos estão bem animados com a viagem e muito pavorosos com a aposta, todos os comentários são a respeito disso e Lex terá que usar todo o seu charme para derreter o coração de Nina.
    A viagem é bem divertida, com várias atividades para os alunos terem momentos inesquecíveis e se envolverem ainda mais na grande aposta.

    “Que droga”, pensa Nina. Vencer essa aposta será mais difícil do que ela imaginava.
    P. 66

    A leitura do livro é muito tranquila, tem um clima bem colegial e divertido. A trama é bem envolvente e eu só consegui largar o livro quando cheguei à última página.
    Já conheci a narrativa da Vanessa Bosso desde a leitura de O homem perfeito e gostei muito. Com A aposta não foi diferente e fui cativada desde o início com uma história leve e gostosa. Achei o livro bem teen, típica história adolescente previsível, mas que todo mundo gosta de ler de vez em quando (sabe os filmes de comédia romântica da Sessão da Tarde que a gente sempre para para assistir mesmo já tendo assistido mil vezes? É bem neste estilo).

    – Não é mais uma aposta, agora é questão de honra. – Lex tira a camiseta, enche o peito de ar e se arma do seu melhor sorriso sedutor.
    P. 110

    Gostei muito da leitura porque a fiz logo após um período de provas teóricas na faculdade (e teve prova de química no meio!), então foi aquele livro para aliviar toda a tensão do período. É um livro ótimo para sair da ressaca literária também (ou qualquer outro momento em que a mente não se concentrar em nada denso e complexo).
    A escrita da Vanessa é ótima, ela utiliza uma linguagem simples e clara, a narrativa foi toda em terceira pessoa e a narradora tem uma boa pegada romântica-engraçada-com-tensão-sexual.
    A situação e os personagens são um pouco surreais, mas para quem já viu diversas temporadas de Malhação e passou pela adolescência sabe que a ficção não retrata bem esta fase da vida.
    Não curti a capa, geralmente não gosto de capas com modelos, principalmente quando são casais, mas este é um mero detalhe, o que importa é o conteúdo, que neste caso é muito bom.
    Mais um livro nacional que entrou na minha lista dos preferidos. Obrigada pela diversão, Vanessa!

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  • Livro: Para Continuar

    PARA_CONTINUARFelipe Colbert
    (5/5)
    Editora Novo Conceito
    2015
    221 páginas

    Leonardo é um jovem portador de cardiomiopatia dilatada idiopática (uma doença que impede que o coração assimile grandes esforços) que mora em São Paulo e utiliza o metrô para suas atividades cotidianas. Sua vida é bem sem graça e limitada por causa da doença, mas ele tenta levar uma vida normal e só seus pais e seu melhor amigo sabem de sua condição.
    Em um dia qualquer ele vê Ayako, uma garota linda com traços orientais no metrô e tenta contato com ela. Como a moça está com fones de ouvido ele resolve perguntar o que ela está ouvindo e ela não diz nada, apenas coloca um dos fones no ouvido de Leonardo. A música é linda, mas logo o trem chega na estação da garota e Ayako desce sem que eles troquem qualquer palavra.
    Leonardo não consegue parar de pensar nela e todos os dias entra no mesmo vagão para ver se tem a sorte de encontra-la novamente, até que um dia Ayako aparece. Só que desta vez o metrô está lotado e ele não consegue se aproximar, mas num impulso resolve seguir a moça quando ela desce na estação. Leonardo então se vê andando pelas ruas do bairro da Liberdade e segue a moça até uma loja de luminárias japonesas.
    Ayako trabalha na loja com o seu avô e Ho, um jovem com problemas mentais que é apaixonado por ela. A loja guarda um segredo no porão, ela é repleta de lanternas que simbolizam o amor entre as pessoas. Ayako e o avô são responsáveis para que nada aconteça com as lanternas.
    Leonardo consegue descobrir o nome de Ayako e trocar algumas palavras com ela, mas Ho não quer que Ayako converse com ninguém e se estressa muito com a presença de Leonardo. Por isso ela pede para Leonardo se afastar, mas ele não consegue ficar longe de Ayako. O que eles não sabem é que esse romance pode colocar muita coisa em risco e não estou falando da saúde de Leonardo.

    – Ayako-chan, você pode pintar um quadro com uma única tinta, mas não conseguirá evitar os respingos nas mãos.
    P. 85

    Desde que saiu Belleville e vi ótimas resenhas do livro que estava com vontade de conhecer a escrita do Felipe Colbert, mas sempre me faltou tempo para concluir a leitura. Quando recebi Para Continuar de cortesia decidi que era a hora de finalmente conhecer o trabalho do Felipe.
    Como primeira impressão amei a leitura. Aproveitei cada linha e parágrafo da história. Me envolvi completamente e me apaixonei pelo ambiente criado e pelos personagens.

    Eu poderia dizer que a nossa existência é curta demais para perdemos um minuto que seja, mas todo mundo fala isso uma vez na vida e soaria normal demais.
    P. 95

    Para continuar é uma história incrível, uma leitura mais surpreendente do que qualquer resenha poderá descrever. Há magia e paixão espalhados pela narrativa e eu confesso que a princípio achei que seria apenas um livro romântico comum, mas há algumas reviravoltas e pontos de tensão e suspense. É um romance bem diferente dos que eu li e o melhor é que se passa em São Paulo e foi escrito por um autor nacional. A melhor parte de ler livros de autores nacionais é ver histórias se passando em lugares onde eu já estive.
    Achei a leitura bem tranquila e fluida, terminei o livro em dois dias (em período de provas na faculdade), então acho que em uma tarde dá para ler ele todo.

    – Nós enxergamos os defeitos alheios panoramicamente; o difícil é vermos as nossas próprias falhas.
    P. 136

    Gostei muito da capa, ela bem é convidativa para a leitura. O miolo é simples e também possui lanternas japonesas indicando o início de cada capítulo. Um detalhe simples e encantador.
    Um dos livros que eu mais gostei de ler em 2015 apesar de não ser um favorito é um dos livros que eu mais indiquei a leitura para os amigos.

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