Livro: Anne de Green Gables

Lucy Maud Montgomery
(4.5/5)
336 páginas
Tradução de João Sette Camara
Ciranda Cultural
2020
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Os irmãos Marillia e Matthew tinham a intençãode adotar um menino para ajudá-los a cuidar da fazenda de Green Gables. Por engano, uma menina foi enviada no lugar. Com pena da pobre órfã, Marillia e Matthew decidem ficar com Anne e descobre que ela é diferente de todas as outras crianças que já conheceram. Com grande imaginação e cabelos muitos ruivos ela não consegue ficar muito tempo sem falar e esem se meter em confusões. Anne traz reflexões e pensamentos persistentes sobre as escolhas da vida.

Quem assistiu à série da Netflix, saiba que só neste livro, todas as histórias das três temporadas foram abordadas. O livro é o primeiro da série Anne de Green Gables e começa com a adoção da Anne, uma menina pré-adolescente e termina com ela já uma jovem, com 16 anos. Há algumas pequenas mudanças (não vou falar para não dar spoiler nem do livro, nem da série, mas acredito que deva ser por causa da não renovação da série. Já que tem muito mais coisas para acontecer na vida de Anne).

Anne de Green Gables me lembrou muito Poliana, de Eleanor Porter, que eu li quando ainda era criança. Tanto Anne quanto Poliana são crianças órfãs, que vão morar com adultos mais velhos que nunca tiveram filhos e que apesar de serem crianças que passaram por situações difíceis na vida, ainda conservam a pureza e a doçura da infância. Elas conseguem ver alegria nas pequenas coisas.

A descrição do quarto da Anne e das coisas que ela tinha era tão simples, mas mesmo assim, ela via tudo com tanta alegria e contentamento. Ela ficava feliz com o nascer do sol em uma paisagem ou em saber que existia uma árvore florida. E acho que o livro traz uma mensagem tão bonita. A gente fica procurando a felicidade em coisas caras e distantes, enquanto que ela pode estar bem na sua janela.

Por já conhecer a história da série, em alguns momentos eu fiquei entediada com a história. Em outros, eu achei que correu rápido demais. O final eu achei que não precisou correr tanto. Em 336 páginas falou de 5 anos da vida da menina, mas pelo menos a metade foi só o primeiro ano, então a divisão ficou estranha.

Como eu estava com preguiça e esse livro acabou me dando uma ressaca, eu coloquei o aplicativo da Alexa para ler para mim enquanto eu pintava e foi a melhor ideia que eu tive. Em dois dias terminei a leitura, que por conta própria levaria semanas.

Inclusive, dica de ouro: nem precisa ter Kindle ou Alexa, basta baixar os dois app no celular. Aí você abre o app da Alexa e pede para ela continuar a leitura no dispositivo atual (seu celular) e ela vai ler o livro para você. Não é um audiolivro perfeito, mas dá para quebrar o galho.

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Livro: A Trança

Laetitia Colombani
(5/5)
Intrínseca
208 páginas
2021
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A Trança conta a história de três mulheres incríveis, cada uma em um continente diferente, tentando vencer suas batalhas diárias e com uma enorme sede de liberdade.

Na Índia, está Smita, uma intocável, membro da casta mais inferior do país. Seu sonho é que sua filha escape do seu darma e tenha acesso à educação. Na Itália, Giulia trabalha como ajudante na oficina de cabelos do pai, mas quando ele sofre um acidente, ela precisa assumir o comando e descobre que o negócio está à beira da falência. Já no Canadá, vive Sarah, uma renomada advogada, mãe de três filhos. Quando está prestes a ser promovida no trabalho ela descobre uma terrível doença.

Sem saber, as três estão conectadas, assim como as tramas de uma trança.

Três histórias. Três mulheres fortes. Três destinos que se cruzam inesperadamente. Uma história envolvente e emocionante que fala sobre esperança e solidariedade.

Por dentro, está em frangalhos, mas ninguém sabe disso.

P. 79

Li A Trança como leitura conjunta para o grupo de Leitura Virtual e fiquei apaixonada logo de cara pela edição. É um belíssimo livro capa dura com detalhes em dourado.

Então o prólogo começa com uma poesia relacionada com a história e já te aflora a curiosidade para saber o que vem. E começam os capítulos. São capítulos curtos, que intercalam as histórias das três protagonistas. E isso atiça ainda mais a curiosidade para saber o que vai acontecer e em que momento as três histórias serão interligadas.

O livro vai se desenvolvendo misturando as três histórias e poesias que estão relacionadas. E como uma trança tudo vai se desenvolvendo e criando corpo, até que sem perceber, você termina a leitura.

Que estranho, repara, a vida às vezes junta os momentos mais sombrios com os mais luminosos. Dá e tira ao mesmo tempo.

P. 95

É um livro emocionante e que te toca e te inspira. Além de te fazer refletir sobre como tudo no mundo está conectado de algum modo.

A Trança entrou na lista dos meus livros preferidos do ano e super recomendo a leitura.

O amor é volátil, pondera, às vezes vai embora do mesmo jeito que veio, em um bater de asas.

P. 111

A escrita é toda em terceira pessoa e tem alguns diálogos ao longo da história, são poucos e bem pontuais. Mas eu gostei da forma como foram inseridos. É um livro sem excessos. Tudo se encaixa perfeitamente. A gente termina a leitura com um gostinho de quero mais.

A autora Laetitia Colombani é cineasta, roteirista e atriz e A Trança está sendo adaptado para o cinema. Já estou ansiosa para ver o filme.

Três países distintos, três culturas diferentes, três paisagens arrebatadoras. Tem de tudo para ser um filme magnífico.

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Livro: Casa de Terra e Sangue

(4/5)
Sarah J Maas
2020
Galera Record
896 páginas
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Bryce Quinlan é metade feérica e metade humana. Ela trabalha vendendo artefatos mágicos ilegais para um negociante de antiguidades. Durante à noite ela se diverte com os amigos, aproveitando de todos os prazeres que Lunathion (também conhecida como Crescent City – daí o nome da série) tem a oferecer. Mas o mundo de Bryce desmorona quando um assassino implacável abala as estruturas da cidade e mata os melhores amigos da moça.

Após dois anos, ela ainda vive o luto e tenta esquecer o que aconteceu nas casas noturnas da cidade. Mas o assassino ataca novamente e Bryce é arrastada para uma investigação juntamente com Hunt Athalar, um anjo caído, que a vigia dia e noite.

Athalar é assassino pessoal dos Arcanjos e não tem nada a ver com Bryce, mas recebeu ordens para protegê-la. Bryce não está interessada em resolver o assassinato e faz de tudo para despistar Hunt, mas mesmo odiando trabalhar juntos, os dois precisam encontrar uma forma de se entender se quiserem resolver o caso.

Mas o mistério está relacionado com coisas mais profundas que ele imaginavam e pessoas poderosas estão envolvidas. Conforme eles vão investigando mais coisas vão sendo reveladas e não apenas eles correm risco, mas toda Cidade da Lua Crescente, através do submundo, até os níveis mais escuros do inferno.

Com personagens mais profundos e uma história mais complexa, essa nova série de fantasia da Sarah J. Maas fala sobre o luto, o preço da liberdade e o poder do amor e da amizade.

Havia apenas silêncio ali. Silêncio e bruma. Seria assim a morte? Silêncio e névoa?

P.122

Casa de Terra e Sangue é o primeiro livro da série Cidade da Lua Crescente e eu me recuso a chamar o livro de Casa de Terra e Sangue. Só chamo de Cidade da Lua Crescente ou Crescent City (ou CC para os íntimos). O livro é enorme e eu comecei a ler sem qualquer pretensão de terminar. Apesar de ter comprado na pré-venda ano passado, deixei parado na estante.

Foi ruim e bom. Ruim porque veio com erros gravíssimos de revisão na edição impressa. Diversos personagens tiveram a cor alterada, então para compensar, a editora enviou o livro atualizado e revisado em versão e-book. O que eu achei maravilhoso. Transformei o livro em livro para sala de espera de consultórios médicos e fui lendo aos pouquinhos minhas 896 páginas.

É um símbolo… e símbolos sempre carregam um poder próprio.

P. 213

Apesar de todo leitor da Sarah J Maas já conhecer os feéricos, como é o primeiro livro da série, ela faz uma boa introdução do que esperar deste universo. E é a velocidade Sarah de escrita, ela conta rotinas, enrola em algumas partes, mas eu achei o desenrolar da história melhor que Trono de Vidro.

Por exemplo, a primeira parte da história se desenvolve bem, não há tanta enrolação. Geralmente, nos outros livros da Sarah, a gente costuma empacar nos capítulos iniciais, mas em Casa de Terra e Sangue, eu achei o meio mais difícil de fluir.

Por amor, tudo é possível.

P. 260

Depois que ela já tinha apresentado o universo todo, mostrado os personagens e a gente já estava situado, ela começou a enfiar rotina e ficou um pouco maçante. Mas era meu livro de sala de espera, então tudo bem, nada acontece em sala de espera de consultório médico.

Como era de se esperar, a fluidez da história retorna nos capítulos finais e aí dá vontade de parar tudo o que estamos fazendo para ler e ler.

Tem ação, magia, emoção e é simplesmente incrível!

– Todo mundo, general, está à venda. Só é preciso descobrir o preço.

P. 268

Acho que valeu à pena todos os capítulos arrastados só pela emoção de ver tudo acontecendo e as peças se juntando. Acho a Sarah maravilhosa em juntar peças soltas e finalizar os livros, mas o meio das histórias não são tão bons.

A classificação do livro é 18 anos, mas não tem cenas de sexo explícito, uma ou outra mais ou menos. Todas as vezes que eu achava que iria rolar alguma coisa, não tinha. A classificação ficou por conta do uso de drogas e muitos palavrões.

Das protagonistas femininas da Sarah J Maas, Bryce se tornou a minha preferida.

Recomendo a leitura, mas fazendo como eu fiz, leia com calma, no seu tempo, junto com outro ou outros livros.

Não há nada de errado em ser uma garota que curte se divertir. Não entendo por que todo mundo acha que há. – Mas ela sopesou as palavras. – É mais fácil para mim… quando as pessoas acreditam no pior a meu respeito. Me deixa ver quem são de verdade.

P. 359
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