Eu sei que é um saco todo mundo falando sobre isso e chegar aqui e dar de cara com o assunto que deveria ter acabado na madrugada de sábado, mas o blog é meu e eu quero escrever sobre isso oras, não quer ler, comenta no post de baixo.
Eu falei no Twitter que eu odiava reportagens sobre o caso, e é verdade, continuo odiando. Mas durante a última semana me “diverti” com elas e fiquei a procura de todas.
Não gosto da parcialidade da mídia, que há 2 anos condenou o casal. Não gosto dos comentários de leigos sobre o caso (porque foram completamente influenciados pelos meios de comunicação), mas o caso em si me interessa. Não, matar criancinhas não me interessa nem um pouco. Não gosto de ler reportagens desse tipo no jornal, mas por casos de grande repercussão eu me interesso.
Eles são ótimos para se estudar tudo que eu mais gosto: Direito Penal e Mídia. Não foi por acaso que minha monografia foi uma junção dos dois com um toque exagerado de criminologia.
Orgasmos intelectuais múltiplos quando eu leio ou vejo coisas a respeito. #aloka
Então na última semana eu tratei de analisar o caso como um objeto de estudo em laboratório. Por sorte, muita sorte, tive várias aulas de Direito Penal no cursinho da OAB, com alguns comentários a respeito. Eu fiquei formulando teses de defesa durante a semana e tentando entender um pouco os argumentos utilizados.
Adoraria ter assistido ao julgamento ao vivo lá no Plenário do Júri e ver os argumentos, o comportamento do Promotor, do Advogado, do Juiz, das testemunhas, dos jurados… seria uma aula e tanto de Direito Penal. Eu já assisti a um Júri real e ao Júri simulado da minha sala, mas o primeiro foi horrível, tanto defesa quanto acusação não sabiam do que estavam falando e eu quase dormi durante o julgamento. Já o segundo, foi simulado, não conta, apesar de ter sido ótimo.
Agora um júri como esse com tanto empenho do MP e do Advogado é de babar de vontade de presenciar tudo.
Sobre os meios de comunicação… bom, eu tentei filtrar as informações e evitar assistir TV aberta e programas sensacionalistas, funcionou um pouco. A maioria das notícias transmitidas pela Globo News foram sérias, eles tinham alguns debates, levando juristas para explicar o que estava acontecendo, falar sobre as teses, os acontecimentos… se não fosse a parcialidade, teria sido ótimo.
O que me deixava fula da vida era entrar em sites. No Terra eu nem movia p/ comentários p/ não me estressar com os leigos e saí do Twitter na hora em que o Juiz leu a sentença. Não dá, fiquei em choque com as pessoas soltando fogos na frente do fórum e a festa de final de Copa do Mundo no Twitter. Isso é um julgamento, acontece diariamente, não é um circo!! Ninguém vai p/ frente de um hospital soltar fogos cada vez que uma criança nasce, ou depois que um pseudo-famoso faz uma lipo. Deixem o Judiciário trabalhar em paz também!
O que me estressa ainda mais são os comentários do tipo: “deveriam pegar pena de morte”; “30 anos é muito pouco” ou “No Brasil tinha que ter prisão perpétua” e vários outros desse tipo. Eu não ligo se a pessoa pensa assim, quem nunca estudou Direito não pode ter opinião muito diversa. Eu não concordo com esses comentários, mas ok, cada um pensa o que quer. Só não venha discutir isso comigo e tentar colocar na minha cabeça que eu tenho que concordar com você. Estudei essa budega por 5 anos e p/ tentar explicar Processo Penal, Direito Penal e Direito Constitucional p/ um leigo é pedir p/ morrer, porque não dá. Do mesmo jeito que eu não vou entender se um médico tentar me explicar um procedimento neurocirúrgico complexo. Não rola.
Pior são as pessoas que não concordam com a sentença :S Se você não faz parte do processo, não precisa concordar ou discordar, tem que aceitar. Simples assim.
Parece até que eu não gosto de leigos e não tenho paciência com eles, mas não é verdade, ok? Eu converso normal com meus amigos leigos e explico as coisas que eles não entendem, mas só não venha tentar mudar minha opinião ou discutir a sentença comigo, porque aí é abusar da boa vontade :)
Agora de volta a vida normal, porque isso já deu.