A_GAROTA_QUE_TINHA_MEDOBreno Melo
(4/5)
Chiado Editora
2014
280 páginas

Comentei no blog da Gabi que me identifiquei com a resenha que ela escreveu e o autor entrou em contato comigo querendo saber se eu gostaria de ler e comentar a respeito. Aceitei a proposta, recebi o livro e aqui estou para deixar minhas impressões.
Marina é uma garota normal que está estudando para o vestibular. Logo no início da história ela passa no vestibular para a Universidade Católica e está cheia de expectativas. No primeiro dia de aula ela faz novos amigos ao participar do trote e é tudo novo e entusiasmante na vida de Marina.
Além da faculdade ela acaba de conhecer pessoalmente um garoto que ela conheceu na internet e eles estão iniciando um relacionamento sério.
Este período costuma ser cheio de surpresas para os jovens, mas para Marina nem todas elas são agradáveis. Ela começa a ter crises de pânico e sua vida vira de cabeça para baixo.
No início ela não sabe o que sente e fica bem confusa, achando que vai morrer e é levada às pressas para o hospital. Os exames dão negativo para doenças físicas e a resposta de que ela não tem nada é avassaladora. Como ela pode sentir e sofrer se não tem nada?

Era demais para mim. Era demais para qualquer um. Eu queria gritar e não o fazia.
P. 23

As crises começam a acontecer mais vezes e em diferentes lugares e Marina passa a se fechar e a evitar todas as circunstâncias que parecem causar a crise. O tratamento psicológico começa e entramos em um mundo de consultas com psiquiatras, psicólogos e remédios para a crise.
A garota que tinha medo é um livro muito detalhado e as situações são bem explicadas, não apenas o que acontece com Marina, mas também os motivos que levam ela a tomar este ou aquele medicamento. Confesso que eu curti mais dessa parte clínica, sou meio hipocondríaca e saber dos remédios e como é o tratamento de Marina me deixou bem empolgada.

Estranhei o lugar onde estava, um lugar conhecido. Também tive a sensação de que metade de mim estava ali e a outra metade, não. Eu tinha consciência de tudo, mas quem comandava meu corpo e minha mente não era eu.
P. 76

A narrativa é toda em primeira pessoa, como se Marina estivesse ela mesma escrevendo o livro (ela até cita que resolveu escrever o livro para explicar sobre sua doença). Gostei de ver as coisas do ponto de vista da protagonista e como ela se sentia durante as crises, seus medos e suas angustias, mas acho que como um personagem feminino escrevendo a história algumas partes foram detalhadas demais. Por exemplo, não conheço nenhuma garota que escreveria que foi ao banheiro fazer as necessidades fisiológicas. Mulheres não comentam este tipo de coisa e quando falam é cheio de figuras de linguagem e morrendo de vergonha. Então estas partes eu achei um pouco forçadas. Não parecia a Marina escrevendo aquelas palavras.

Enquanto meu número de amigos reais diminuía, meu número de amigos virtuais se multiplicava, dava cria nas redes sociais.
P. 155

Tenho amigas que sofrem de Síndrome do Pânico e me relataram diversas situações parecidas, principalmente o drama de procurar ajuda médica e nunca descobrir nada de anormal fisicamente para justificar tantos sintomas diferentes. Marina é uma personagem carismática e é fácil se identificar com ela. Eu via minhas amigas nas narrativas de Marina e também me via em algumas situações.
Eu tenho um transtorno de ansiedade, que não é Síndrome do Pânico, mas em momentos de muita tensão podem desencadear uma crise de pânico e isso me fez me identificar bastante com Marina. Ter medo de ser tachada como fresca ou louca, querer evitar lugares onde teve crises e o preconceito em relação ao tratamento são coisas muito comuns para quem já viveu uma situação parecida.
Sem contar que Marina é blogueira, ama ler e é fã de Nicholas Sparks e Meg Cabot. Quem mais se identifica?
Gostei muito da forma como a narrativa flui bem. Não é um livro leve para ser devorado de uma vez só, mas a leitura flui tão bem que em dois dias cheguei ao término.

Eu tinha medo de ter medo. Era um círculo vicioso.
P. 204

Como eu disse, tem a narração detalhada do tratamento médico, inclusive com nomes de remédios e a explicação de medicamentos tarja preta, tarja vermelha, ansiolíticos e antidepressivos. Pode parecer chato e tedioso à primeira vista, mas não é. Tudo é escrito de uma forma bem didática, deu para ver que o autor pesquisou bem antes de escrever o livro. Gostei desta dedicação para com a obra.
Outra coisa interessante é que a história se passa no Paraguai. Acho que nunca tinha lido nenhum livro passado no país e gostei muito de conhecer mais sobre a cultura local, principalmente porque Marina ama seu país e transmite esse sentimento aos leitores.
Em relação à capa ela é simples, em paperback, sem detalhes ou brilhos, mas gostei. O miolo também não possui muitos detalhes, mas a divisão é bem feita. São 7 partes que contam cada estágio na vida de Marina, além dos capítulos (26 ao todo) e do epílogo. Os capítulos começam em uma nova página e na página da direita e eu amo quando isso acontece!
Fica aí a recomendação.