DEZOITO DE ESCORPIAOAlexey Dodsworth
(3/5)
Editora Novo Século
352 páginas
2014

Sinopse: TUDO COMEÇARA COM A PERCEPÇÃO VAGA DE UM PÁLIDO BRILHO NO CÉU. Analisar os sistemas estelares pode ser bem arriscado. Dezoito de Escorpião, identificada como uma estrela gêmea do nosso Sol, é uma descoberta astronômica sem precedentes. Contudo, tal revelação põe em risco o maior segredo da Terra: Muhipu, uma comunidade secreta no coração da selva, protegida por tribos indígenas ancestrais, guardando experiências para além do conhecimento comum: a tentativa de contato com superinteligências cósmicas. Oscilando no tempo, de 1929 a 2070, o leitor é apresentado a fatos científicos reais, reconstruídos ficcionalmente. Neste impressionante romance, o autor Alexey Dodsworth se vale de seu largo conhecimento em Astronomia e Filosofia para compor um intrigante drama que explora a antiga pergunta: “estamos sós no universo?”.

Opinião: Eu sou um pouco nerd e por isso me interessei muito pela sinopse quando a vi pela primeira vez, mas depois de ler algumas páginas percebi que meu nível de nerdice não era tão grande assim e fiquei um pouco decepcionada comigo mesma.
O livro é bom, a trama é riquíssima em detalhes e complexidade dos personagens, a escrita do Alexey é ótima, mas chega a um determinado ponto que eu não consigo mais acompanhar a história e perco o interesse.
Tentei ler (e assistir) O guia do mochileiro das galáxias, mas também desanimei no meio da história e não consegui retomar de onde parei.
Felizmente, cheguei à última página de Dezoito de Escorpião e cumpri meu dever de leitora para com o livro, com um atraso de dois meses.

Noite após noite, sempre que a Constelação do Escorpião ascendia no horizonte, o brilho daquele pequeno farol indicava ao mesmo tempo rota e assombro.
P. 14

No início fiquei um pouco perdida com os personagens. São várias histórias que se entrelaçam em determinado momento, mas até chegar nesse ponto temos que entender cada personagem individualmente.
A história é centralizada em Arthur Coimbra, um brasileiro que sofre com os efeitos da tecnologia e recebe uma proposta de ir para um local isolado se tratar e também se desenvolver intelectualmente.

– Você já parou para pensar que o problema não é a sua sensibilidade, mas a sociedade em que você vive? Que o erro não está em seu corpo, e sim nas cidades extremamente poluídas em diversos sentidos?
P. 95

O livro é dividido em três partes: a primeira fala dos Eleitos, que são os indivíduos escolhidos para fazer parte da comunidade de Muhipu. Ela acontece antes deles irem para Muhipu e mostra os problemas sociais pelos quais os indivíduos passaram.

Então é assim, pensou Ravi enquanto seguia o conselho de Filippo e experimentava um sorvete. Destruir o mundo tem sabor de chocolate com amêndoas.
P. 183

A segunda parte mostra a comunidade de Muhipu e o despertar de Arthur no local. Achei essa a parte mais interessante. O autor vai deixando algumas pistas sobre o mistério envolvendo a comunidade e a sua localização. Nessa parte também são inseridas mais informações científicas e explicações envolvendo Física e ciências exatas e apesar de serem informações interessantes me bateu um asco lembrando dos terríveis anos da escola.

– Menino, por que limite? Essa ideia errada vem de ilusão de separação. Por que tem que ter limite pro sonhar?
P. 229

E a terceira parte é o desfecho da história, a descoberta de quem é o verdadeiro vilão e o que de fato é Muhipu. O final é desses que gera uma grande expectativa e muita ansiedade (o que eu amo, para deixar bem claro).
Ao meu ver, a história se divide antes de Muhipu, durante Muhipu e após Muhipu. É uma forma bem simplista de ver a divisão do livro, mas funcionou bem para mim.
Ao final ainda tem um epílogo, que surpreendentemente ainda trás algumas deixas de que talvez possam vir outras obras do autor com os mesmos personagens por aí. É só um achismo meu, mas talvez isso possa se concretizar.
O autor traz vários questionamentos filosóficos ao longo da obra e ao terminar de ler o livro fiquei me indagando sobre as ações humanas, não só as minhas, mas a de outras pessoas também. A de governantes, cidadãos e todo mundo.
O tempo todo o autor traz críticas singelas, mas bem pontuais ao nosso mundo e sociedade.
Como obra literária eu gostei muito, principalmente por ser de um autor nacional. A qualidade da narrativa do Alexey é excelente.
Mas como gênero, devo admitir que não me aventurarei em outra obra sci-fi por um bom tempo.