Eu tinha uns 7 anos quando eu decidi que deveria ter um crush e, mais que isso, um namorado.
Descobri que um coleguinha estava a fim da minha melhor amiga e eu também queria isso, só que eu queria mais que uma simples crush, eu queria um namorado para dividir o lanche no recreio e andar de mãos dadas.
Eu sonhava com a gente de mãos dadas e eu deitada com a cabeça no ombro dele no banco de trás do Maverick azul do meu pai.
Então bolei o plano infalível #1 após ler uma história incrível na revistinha Turma da Mônica daquele mês: eu escreveria uma carta anônima perguntando se ele queria namorar comigo e pediria para minha segunda melhor amiga entregar para ele, sem dizer que era minha. O mistério mexeria com o coração dele e quando ele estivesse bem ansioso para saber quem era sua admiradora secreta eu ne revelaria e a gente ficaria junto para sempre.
Mas minha amiga não quis entregar a carta sem ler. Ela queria leva-la para casa, ler e só entregar no dia seguinte. Eu fiquei com vergonha dela ler o conteúdo (ela não sabia da minha crush) e entreguei eu mesma a carta.
Não sei como ele descobriu que eu tinha escrito a carta (usei recortes de palavras), mas ele descobriu, não me quis e eu tive que esquecer aquela história toda e ser apenas amiga dele.
Minha primeira decepção amorosa e eu acho que me saí muito bem, obrigada. Nos tornamos ótimos amigos nos anos que se seguiram e, apesar de não termos mais contato atualmente, recentemente descobri que ele é meio gay.
Eu já deveria saber naquela época que brincadeiras daquele tipo eram de menina, mas o que eu sabia da vida?
E quando as tias perguntam dos “namoradinhos”? Tudo viado, tia.
han

PS: para a “puliça” da internet não implicar, esse texto não é homofóbico e eu não tenho nada contra homossexuais, meus melhores amigos são gays e usamos esses termos nas nossas conversas sem nenhum problema e com todo respeito.