Monthly Archives:January 2017

  • Livro: O Feiticeiro de Terramar

    Ursula K. Le Guin
    (4/5)
    Editora Arqueiro
    2016
    176 páginas

    O menino Ged se tornará o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos e será conhecido como Gavião. Em O Feiticeiro de Terramar começamos a acompanhar a transformação deste menino em uma lenda.
    Na primeira parte da história conhecemos Ged, que fica órfão de mãe e ainda bem jovem descobre que possui poderes. Ele foi enviado para uma escola de magos para aprender a controlar seus impulsos e poderes e assim se tornar um grande mago, mas Ged é impaciente.
    Ele é bom, ele sabe que é bom, mas não tem controle sobre seus poderes e não tem paciência para aprender. Ele acha que pode simplesmente confiar em seus instintos e ser o maior dos magos, sem precisar de treinamento.
    Em Terramar, os magos são importantes, eles são profissionais reconhecidos e são contratados para proteger a população. A concepção de mago no livro é diferente da que vemos em outras histórias e eu adorei isso.
    Assim que chega na escola, Ged encontra um rival (Jaspe) que o desafia. É uma rivalidade adolescente meio besta que se dá sem motivo. Ged é desafiado a libertar um grande mal e ele faz isso. Só que em Terramar só se tem controle das coisas que conhecemos o nome. E ninguém sabe o nome do monstro que Ged libertou.

    Ele explicou como, se você realmente quiser transformar uma coisa em outra, ela deve ser renomeada pelo tempo que o feitiço durar, e explicou como isso afeta o nome e a natureza das coisas que cercam a que foi transformada.
    P. 58

    Na segunda parte vemos Ged lidando com as consequências de seus atos e aprendendo a conviver com elas. Além da aventura e caça ao monstro o que vemos nesta parte da história é o crescimento pessoal do personagem, é ele lidando com seus sentimentos e seus medos.
    À primeira vista pode parecer um livro YA comum, com uma história até meio boba, mas percebemos que a narrativa é muito mais profunda.
    Apesar de ser um livro fino (apenas 175 páginas) e a narrativa da Ursula ser bem objetiva não é um livro para ser lido em uma tarde.
    Algumas passagens merecem ser lidas, relidas e pensadas antes de se passar para o próximo ponto. A aventura interna e o autoconhecimento do personagem é a questão principal. Ele lidando e controlando os monstros internos é mais importante do que a aventura dele percorrendo as ilhas atrás do monstro.

    […]Pense nisto: toda palavra, todo ato de nossa arte, é falada e é feita para o bem ou para o mal. Antes de você falar ou fazer, tem que saber o preço a pagar!
    P. 31

    Confesso que eu me decepcionei um pouco com o livro. Não esperava que ele fosse tão fininho e que poucas páginas me prendessem por tanto tempo. Achei que seria uma leitura mais rápida, mas eu li arrastando muito. Foi difícil conseguir terminar a leitura.
    Talvez por ser um livro mais voltado para questões internas eu não esteja em um clima bom. Acho que estou preferindo livros que eu não tenha que refletir muito a respeito da história.
    Não é um livro ruim ou uma leitura desagradável, só não era o livro certo para mim neste momento.

  • A vida em tópicos

    Eu sei que eu ando meio afastada do mundo blogueiro. Na verdade, afastada do meu blog, porque eu continuo lendo os posts alheios, assistindo a vídeos, vendo postagens nos grupos no Facebook, mas sem vontade de uma participação mais ativa.
    Acontece.
    Vou abandonar o blog? Não, não vou.
    Só não acho justo fazer algo meia-boca ou deixar um comentário vazio só para dizer que estou presente, só para ter números. Cheguei naquela fase da vida que caguei para isso.
    Já cheguei para migues no privado e falei: “Sabe aquele seu post? Eu gostei.” As pessoas ficam mais felizes com comentários nos posts? Ficam. Mas olha, migue, nem na melhor fase blogueira da vida eu estou, o meu “eu gostei” significa que o seu trabalho está muito bem feito e que você está no caminho certo. Continue.
    Eu estou aqui cuidando da minha vidinha, colocando as coisas no lugar, ajeitando a vida fora da blogsfera para depois trazer conteúdo legal. Melhor assim, né?
    Já que estamos aqui tendo uma conversa legal e sincera, vou contar minha vida em tópicos e dizer coisas que aconteceram e estão acontecendo.

    1. Brownie morreu. No sábado ele estava bem, mas começou a sentir dor no fim da tarde. Ele estava bem, só com dor (a gente pegava e ele não gostava). Dei um remédio para dor e fiquei no WhatsApp com a veterinária dele durante a noite. Gengivas saudáveis, comeu e bebeu água de manhã, mas parou de se alimentar e durante a madrugada teve dificuldades em respirar. A vet disse que se ele tivesse alguma coisa diferente era para levar para o hospital que ela iria lá. Domingo de manhã, arrumei as coisas, coloquei ele na caixa de transporte e saí. Eu moro há 14km do hospital veterinário. Fiz o percurso em 13 minutos. Mas meus gatos são todos muito assustados. Eles odeiam ficar fora de casa, entram em pânico. A menos de 4km do hospital ele enfartou. O veterinário de plantão fez massagem cardíaca, mas não deu.
    Foi uma diferença de 20 minutos entre as mensagens que eu troquei com a veterinária. “Estou saindo de casa” (quando estava arrumando as coisas) e “Ele enfartou chegando no hospital” (depois que o veterinário falou que ele tinha morrido). Foi um choque para todo mundo.
    Mas fizemos um funeral completo para ele. Velório, enterro (no cemitério) e missa de 7º dia na igreja de São Francisco.
    Ajudou a superar.
    Acho que um ser que só nos deu amor merece um ritual digno. Considero meus bichos mais do que considero muita gente. Desculpa, prefiro animais.

    2. Não gravei mais vídeos de Planeje Comigo! para o canal porque estou sem planner! Comprei e paguei o bendito em outubro. Não chegou até hoje. Ficou parado em Curitiba quase dois meses e como eu comprei com a Chris, tem aquela parte de chegar para ela, ela me enviar. Quando chegar e tudo estiver em mãos eu volto a gravar.
    Essa falta de planner me desanimou tanto que nem vontade de editar o último Planje Comigo! do ano eu tive.
    Mas vamos vivendo bem sem isso e sem remorsos.

    3. Estou escrevendo uma fan fic. E isso é a coisa que mais me deixou feliz nos últimos tempos. Não é nada demais, não é uma obra prima, não é a melhor coisa que eu já escrevi na vida. Mas vocês têm noção de que eu não escrevo NADA desde 2008? Eu quis muito escrever e voltar a escrever antes, mas não vinha nada. Ou eu achava que não valia a pena. Mas então eu tive um estalo e comecei a escrever e saiu algo plausível de ser colocado em palavras e estou no terceiro capítulo.
    É uma fan fic sobre Penny Dreadful, eu peguei a última cena com a Vanessa e modifiquei, criei um final alternativo e a história se desenrola a partir daí. O nome é a tradução do último capítulo The Blessed Dark modificada. Talvez tivesse ficado melhor deixar tudo em inglês, mas quis aportuguesar e virou Após A Escuridão Abençoada. Está no Spirit e pode ser acompanha por aqui:

    Fanfic Após a escuridão abençoada

    Beijos de luz e até a próxima resenha. (sim, o próximo post será de resenhas)

  • Livro: O medo mais profundo

    Harlan Coben
    (5/5)
    Editora Arqueiro
    2016
    272 páginas

    Emily Downing, ex namorada de Myron Bolitar, o procura após mais de 13 anos para que ele encontre o doador de medula de seu filho.
    O menino Jeremy, de apenas 13 anos, está doente e precisa urgentemente de um doador de medula óssea. O banco de medula encontrou um doador compatível, mas ele desapareceu sem deixar vestígios. Para deixar a trama ainda mais impactante Emily diz a Myron que ele é pai de Jeremy. Após esta notícia, Myron inicia a busca pelo doador e se depara com um grande mistério.

    – Plante as sementes. Continue plantando. E abra as persianas. Deixe a verdade entrar. Deixe os segredos enfim murcharem à luz do dia.
    P. 92

    Myron acaba descobrindo o segredo de uma família muito poderosa e entra na mira deles. Paralelamente, ele encontra pistas sobre uma série de sequestros e tenta fazer a ligação entre a família, o doador desaparecido e um jornalista que entrevistou o sequestrador dos crimes. Eu sei, parece um pouco confuso explicando assim, mas no fim da história tudo vai fazer sentido.
    O medo mais profundo é uma trama cheia de reviravoltas que não te deixará largar o livro. Como são apenas 272 páginas e a leitura é bem fluida, como todos os livros do autor, é muito fácil só levantar do lugar após terminar a leitura. Mais uma vezHarlan Coben arrasa e traz uma excelente história.
    Sempre digo que o Harlan é um daqueles autores que te faz superar qualquer tipo de ressaca literária. Eu estava empacada em uma ressaca dessas e graças à O medo mais profundo eu consegui superar minha fase ruim como leitora (e olha que este não foi o meu livro preferido do autor).
    Achei um dos livros mais intrigantes do Harlan, com acontecimentos e ligações que parecem improváveis até os últimos capítulos.

    – Se vocês tocarem no meu piu-piu de novo – falou Myron -, vou contar para a mamãe.
    P. 104

    Confesso que dentre todas as histórias que eu li com o Myron sendo o protagonista, esta eu achei que ficou um pouco arrastada. Muitas pontas ficaram soltas até o final e achei que esta tática de deixar o leitor com dúvidas até o último instante não foi a melhor. No fim tudo é explicado, mas até chegar lá ficou um pouco confuso. Tem doador de medula óssea, tem uma família rica, tem um jornalista que perdeu a profissão, tem uma série de sequestros estranhos… Muita informação para ser resolvida em um livro só. E ainda tem os problemas pessoais do Myron (ele acabou de descobrir que tem um filho!) e a profissão dele como agente esportivo.
    Tio Harlan, não precisa confundir a vida do Myron tanto assim não, deixa história para mais livros!
    Não que seja ruim, muito pelo contrário, trata-se de um ótimo livro, mas para o padrão Harlan Coben acho que poderia melhorar (ou eu esperei demais).

    – Você acha que todos os psicopatas são originais?
    P. 126

    Myron continua incrivelmente sarcástico e bem humorado, do jeito que todo mundo gosta, saindo-se perfeitamente bem nas situações mais difíceis.