QUANDO_EU_ERA_JKeren David
(5/5)
Editora Novo Conceito
318 páginas
2014

Sinopse: Imagine o que é perder, em uma única noite, sua casa, seus amigos, Como é possível viver mentindo sobre todas as coisas? Sua escola e até mesmo o seu nome. Aos 14 anos, Ty presencia um crime bárbaro num parque de Londres. A partir desse momento, tudo muda para ele: a polícia o inclui no programa de proteção à testemunha, e Ty é obrigado a assumir uma vida diferente, em outra cidade. O menino ingênuo, tímido, que costumava ser a sombra do amigo Arron, matricula-se na nova escola como Joe… E Joe não poderia ser mais diferente de Ty: faz sucesso com as meninas, torna-se um corredor famoso… Joe é tão popular que acaba incomodando os encrenqueiros da escola. Ser Joe é bem melhor do que ser Ty. Mas, logo agora, quando ele finalmente parece ter se encaixado no mundo, os atentados e ameaças de morte contra sua família o obrigam a viver no anonimato, em fuga constante e sob a pressão de prestar depoimentos sobre uma noite que ele gostaria de esquecer. Um livro – de tirar o fôlego! – sobre coragem e sobre o peso das consequências do que fazemos.

Opinião: Sabe aquele livro que você não dá muita bola, mas que quando começa a ler não consegue mais largar? Aconteceu isso comigo quando comecei a ler Quando eu era Joe.
A narrativa é em primeira pessoa e a história flui em um ritmo muito bom. Eu não li a sinopse antes de iniciar a leitura (tinha lido antes, mas não lembrava), então fui me surpreendendo a cada parágrafo.
O livro conta a história de Tyler, um garoto de 14 anos que presenciou um assassinato em um parque de Londres e agora está no programa de proteção à testemunha e por isso precisa mudar de cidade e trocar de identidade juntamente com sua mãe, Nicki.

É isso, nossa casa nova. Uma casa segura. Mas será que algum dia ficaremos seguros outra vez?
P. 24

Doug e Maureen são dois policiais encarregados de protegê-los e eu gostei bastante deles. Senti uma enorme empatia por Maureen e teve momentos que eu quis entrar no livro e abraça-la.
Tyler se muda com sua mãe, escoltados pela polícia, para uma pequena cidade e começa a frequentar a escola local. Eles agora se chamam Joe e Michelle.
Ty/Joe precisa pintar os cabelos de negro e passa a usar lentes de contato castanhas para esconder seus olhos esverdeados. A polícia diz que ele deve se manter despercebido, mas Joe consegue se enturmar rapidamente e passa a viver a vida que todo garoto gostaria.

– Joe, você precisa entender que tomou a escola de assalto. A maioria das meninas do oitavo ano, e do sétimo ano e do nono também, está louca por você. Você é o assunto da cidade.
P. 53

Joe é popular com as garotas, se dá muito bem no atletismo (e vence algumas competições!), tem amigos e é invejado pelos garotos do time de futebol.
Apesar de não procurar, Joe se mete em confusões e isso pode colocar em risco não apenas sua identidade secreta, como também a vida de seus amigos, em especial Claire, uma menina tímida de sua sala, que por coincidência é irmã de sua treinadora Ellie.

De noite, na cama, não consigo dormir. Sinto calor e frio e vontade de vomitar. Fico ouvindo as palavras de Bettany na cabeça. É tudo minha culpa, posso ver isso agora. Eu não fiz nada na época porque Arron não ia ser mais meu amigo. Mas agora perdi meu amigo para sempre e tem uma morte na minha consciência.
P. 95

Mas o problema maior não é o presente, a vida de Joe, mas sim o passado e coisas que Tyler não contou à polícia.
Eu li o livro em uma tarde apenas. Tudo bem que ele não é muito grosso (apenas 318 páginas), mas para um livro que eu não esperava nada achei bastante.
A história é envolvente e a cada capítulo vamos querendo cada vez mais conhecer a história de Tyler/Joe e entender o que aconteceu para tudo chegar onde está.
Apesar da temática ser violência urbana, o livro conta a vida de um adolescente e todas as descobertas da época, então não possui uma linguagem muito elaborada e o clima é bem jovem e despojado.

Mas o que eu mais temo é aquilo em que estou me transformando por dentro.
P. 150

Quanto ao design, apenas a capa é mais interessante. A foto do garoto de casaco não me chamou muito a atenção, mas observando melhor dá para notar umas manchas vermelhas, com detalhe brilhoso para parecer sangue. Gostei muito da capa, tem tudo a ver com a história e nos faz entrar completamente na história.
A diagramação interna é bem simples e eu achei que combinou bem com o livro. A fonte é de um tamanho bom para ler e o único detalhe interno fica por conta da fonte utilizada no título dos capítulos, que lembra um rabiscado.

Não sei se minha vida, acordado ou dormindo, algum dia voltará ao normal.
P. 201

O livro é o primeiro de uma série e eu não preciso dizer que estou bastante ansiosa para ler a continuação e saber o que acontecerá com Tyler.